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Europa

Instituto Quincy Acusa Washington de Procurar 'Guerra Perfeita' com o Irão

— Sofia Rodrigues 3 min read

Adam Weinstein, investigador do Instituto Quincy em Washington, afirmou que a administração norte-americana continua a empurrar o Irão para um confronto militar, descrevendo a estratégia como uma busca pela "guerra perfeita". As declarações surgem num momento em que as tensões entre os dois países atingem níveis não vistos desde 2020.

Declarações de Weinstein no Capitólio

Weinstein falou esta terça-feira durante uma audiência no Capitólio organizada pela comissão de negócios externos da Câmara dos Representantes. O investigador alertou que as sanções impostas a Teerão nos últimos anos não conseguiram alterar o comportamento do regime iraniano, apenas reforçaram a sua determinação em desenvolver capacidades nucleares. "Cada ronda de sanções torna o Irão mais resistente, não mais dócil", declarou Weinstein aos deputados presentes.

Cenário Actual das Tensões

As relações entre Washington e Teerão deterioraram-se significativamente desde a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano em 2018, durante a administração Trump. Actualmente, o Irão enrichmenta urânio a níveis próximos de 84%, muito acima do limiar de 3,67% permitido pelo JCPOA original. Os serviços de情报 americanos estimam que Teerão poderia produzir material suficiente para uma arma nuclear em questão de semanas, não meses.

O Dilema Nuclear de Teerão

A agência de energía atómica da ONU confirmou em Fevereiro que o Irão acelerou as suas actividades de enriquecimento nas instalações de Natanz e Fordow. Funcionários iranianos negam pretender construir uma arma, mas recusam igualmente limitar o programa civil, argumentando que precisam de capacidade de resposta a uma eventual agressão americana. Israel, principal aliado militar dos Estados Unidos na região, pressiona Washington a actuar antes que seja tarde demais.

Análise do Instituto Quincy

O Instituto Quincy, especializado em política externa e defesa, argumenta que Washington comete o mesmo erro táctico que cometeu no Iraque e no Afeganistão. Segundo Weinstein, a busca por uma solução militar definitiva ignora lições históricas claras. "O Pentágono tem planeado strikes contra o Irão durante duas décadas. Cada plano assemelha-se ao anterior. É a mesma ilusão de que um bombardear suficiente resolve problemas políticos", escreveu Weinstein num relatório publicado em Janeiro.

O think tank recomenda que os Estados Unidos aceitem um acordo de coexistência com Teerão, mesmo imperfeito, em vez de manter uma política de pressão máxima que, na prática, alimenta o ciclo de confrontação. Weinstein subraya que os aliados europeus — incluindo Portugal, que mantém tropas no Golfo Pérsico — são forçados a apoiar uma estratégia que não serve os seus interesses nacionais.

Reacções em Lisboa e Bruxelas

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português não comentou publicamente as declarações de Weinstein, mas fontes diplomáticas citadas pela agência Europa Press indicam que Lisboa partilha a frustração europeia com a ausência de canais de diálogo directa. A União Europeia mediou conversações indirectas entre Washington e Teerão durante meses, mas essas negociações foram suspensas em 2022 sem acordo.

O Que Vem a Seguir

Analistas prevêem que as tensões aumentarão nos próximos meses, à medida que Teerão se aproxima de limiares nucleares críticos. A questão central permanece: Washington actuará preventivamente, ou persistirá na chamada "guerra perfeita" — a que nunca chega a ser travada, mas que molda toda a política regional há décadas? A resposta determinará o futuro não só do Irão, mas de todo o Médio Oriente.

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