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INEM propõe novo modelo de emergência médica em Portugal

— Inês Almeida 7 min read

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) apresentou uma proposta estrutural que visa transformar a forma como as urgências são geridas em Portugal, colocando uma entidade coordenadora no centro do sistema. Esta iniciativa surge num momento crítico para o Serviço Nacional de Saúde, onde a pressão sobre as ambulâncias e os hospitais atingiu níveis recorde nos últimos meses. O plano sugere a criação de uma estrutura de comando unificado que atue como o "cérebro" operacional da rede de emergência.

Um sistema sob pressão constante

As estatísticas recentes do INEM revelam um cenário desafiador. O número de chamadas ao 112 tem crescido consistentemente, ultrapassando as 1,4 milhões de chamadas anuais em várias regiões do país. Em Lisboa, por exemplo, a média de tempo de resposta nas zonas urbanas tem oscilado entre os 10 e os 15 minutos, dependendo da categoria da chamada. Esta realidade coloca em causa a eficiência da triagem e a velocidade de chegada ao local.

A sobrecarga não se limita apenas à capital. Regiões como o Porto e o Algarve enfrentam desafios semelhantes, embora com dinâmicas geográficas distintas. No litoral algarvio, a sazonalidade turística agrava a pressão nos serviços de verão, exigindo uma flexibilidade operacional que o modelo atual nem sempre consegue fornecer. A necessidade de uma gestão mais ágil torna-se, portanto, uma prioridade nacional.

A proposta de coordenação centralizada

O cerne da estratégia do INEM passa pela consolidação de uma entidade coordenadora que integre as diferentes camadas de resposta. Atualmente, a emergência médica envolve hospitais, centros de saúde, bombeiros e até mesmo a polícia, muitas vezes com sobreposições de funções. A proposta visa eliminar estas duplicações através de um protocolo claro de atribuição de competências. Esta abordagem busca otimizar os recursos humanos e materiais disponíveis em cada distrito.

Desafios na implementação regional

A aplicação deste modelo não será uniforme em todo o território. A diversidade geográfica de Portugal exige adaptações locais para garantir a eficácia. Em áreas rurais e do interior, como em partes de Coimbra ou do Alentejo, a distância até aos hospitais de referência é um fator crítico. O plano prevê o reforço das unidades de cuidados continuados nestas zonas para reduzir o número de transferências desnecessárias. Por outro lado, nas grandes áreas metropolitanas, o foco está na integração digital dos dados em tempo real.

Os hospitais de referência, como o Hospital de Santa Maria em Lisboa ou o São João no Porto, terão um papel fundamental nesta nova arquitetura. Eles atuarão como hubs de decisão clínica, recebendo dados dos ambulatórios antes mesmo da chegada do doente. Esta pré-triagem digital permitirá que as equipas médicas estejam preparadas para o paciente, reduzindo o tempo de espera nas salas de urgência. A tecnologia será, assim, a ponte entre a rua e o leito hospitalar.

O impacto nas principais cidades

Lisboa e o Porto são os dois maiores laboratórios para esta transformação. Nestas cidades, a densidade populacional e a complexidade do trânsito impõem desafios logísticos únicos. O INEM propõe a criação de centros de comando regionais que terão autonomia para tomar decisões rápidas com base em dados locais. Esta descentralização parcial visa aumentar a resiliência do sistema face a picos súbitos de atividade.

No Porto, a integração com a Universidade do Porto e as suas escolas de enfermagem e medicina poderá acelerar a formação de profissionais especializados. Esta parceria estratégica pode resultar em turmas mais numerosas e melhor preparadas para lidar com a diversidade de patologias. Em Lisboa, a aposta recai sobre a modernização da frota de ambulâncias e a implementação de sistemas de navegação inteligente que consideram o trânsito em tempo real. Estas medidas visam reduzir o tempo médio de resposta em pelo menos 20% nos próximos três anos.

Coimbra e o papel das regiões do interior

Coimbra emerge como um caso de estudo importante para a análise do impacto regional. A cidade, conhecida pela sua universidade e pelo hospital central, serve como ponto de convergência para várias freguesias do distrito. A forma como Coimbra afeta Portugal neste contexto está ligada à sua capacidade de irradiar serviços de saúde para as zonas rurais circundantes. Uma gestão eficiente em Coimbra pode servir de modelo para outras cidades de média dimensão no interior.

A análise de Coimbra como um hub regional destaca a necessidade de investir em telemedicina. Com a população envelhecida no distrito, muitas chamadas ao 112 podem ser resolvidas com intervenção remota inicial, poupando recursos de transporte. Esta estratégia é crucial para manter a sustentabilidade financeira do sistema. A experiência de Coimbra explicado neste plano mostra como a tecnologia pode compensar a distância geográfica. O sucesso deste modelo em Coimbra terá implicações diretas para outras regiões com características semelhantes.

Porto e a inovação na emergência

O Porto tem sido historicamente um polo de inovação na saúde em Portugal. A forma como o Porto afeta Portugal neste domínio está ligada à sua capacidade de atrair investimento e talentos. A proposta do INEM apoia-se nesta tradição, sugerindo que a cidade assuma um papel líder na implementação de novas tecnologias de monitorização. O uso de drones para entrega de desfibriladores ou medicamentos em áreas de difícil acesso é uma das iniciativas em estudo.

A importância do Porto para o sistema de emergência nacional reside na sua infraestrutura hospitalar robusta. O Hospital São João e o Hospital de São João de Deus são referências nacionais. A integração destes centros na nova rede de comando permitirá uma partilha de dados mais eficiente. Por que Porto importa neste contexto é claro: a sua capacidade de processar grandes volumes de dados clínicos pode definir o ritmo da transformação digital em todo o país. O sucesso no Porto será um indicador-chave para o resto do território.

Desafios financeiros e humanos

A implementação deste novo modelo exige investimentos significativos. O orçamento do INEM precisará de ser ajustado para cobrir as despesas com tecnologia, formação de pessoal e atualização da frota. O Ministério da Saúde já indicou que a prioridade será dada às regiões com maior défice de profissionais. A contratação de novos médicos e enfermeiros será um processo gradual, dependente dos concursos públicos e da atratividade das carreiras de saúde.

O fator humano continua a ser o maior desafio. A fadiga das equipas de emergência tem sido um problema crónico, agravado pela pandemia e pela subsequente onda de gripes e outras doenças. O plano inclui medidas de bem-estar profissional, como turnos mais flexíveis e acesso a programas de saúde mental. Sem o apoio adequado aos profissionais, a eficácia técnica do sistema pode ser comprometida. A satisfação das equipas é, portanto, uma métrica de sucesso tão importante quanto o tempo de resposta.

Próximos passos e prazos

O INEM pretende iniciar as primeiras fases de teste do novo modelo no início do próximo ano. Estas provas piloto serão realizadas em três distritos selecionados, permitindo ajustar os detalhes operacionais antes da expansão nacional. Os resultados destes testes serão publicados num relatório público, que servirá de base para a aprovação legislativa necessária. O processo de consulta às ordens profissionais e aos sindicatos já começou, garantindo que as vozes dos principais atores sejam ouvidas.

Os leitores devem acompanhar as publicações oficiais do INEM e do Ministério da Saúde nos próximos meses. As decisões sobre o financiamento e a nomeação dos responsáveis pelos novos centros de comando serão anunciadas no primeiro trimestre. O sucesso desta reforma dependerá da cooperação entre os diferentes níveis de governo e da capacidade de adaptação das equipas de terreno. O futuro da emergência médica em Portugal está a ser escrito agora, e a atenção aos detalhes será determinante para o resultado final.

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