Ibrahim Maza: o berlinense que representa a Argélia no Mundial da América do Norte
Ibrahim Maza cresceu nas ruas de Berlim, a capital alemã, surrounded by the multicultural fabric of one of Europe's most diverse cities. Mas o seu coração bate, desde sempre, pela Argélia. Aos 19 anos, o jovem extremo foi finalmente chamado para a seleção argelina, num momento que marca a culminação de anos de espera e de um percurso pouco convencional no futebol mundial.
Um percurso fora do comum
Maza nasceu em Berlim, filho de pais argelinos, e cresceu dividido entre duas culturas. Na Alemanha, destacava-se pela sua técnica apurada e velocidade impressionante; na comunidade argelina da capital alemã, aprendia sobre as raízes que nunca esqueceu. Os vizinhos de Neukölln, bairro conhecido pela sua diversidade, contam que o jovem passava horas a jogar bola nos parques locais, sempre com a bandeira argelina afixada no quarto.
Aos 16 anos, ingressou nas camadas jovens do Hertha BSC, clube histórico da Bundesliga. Durante três épocas, Maza chamou a atenção dos olheiros não apenas pela qualidade técnica, mas pela capacidade de se adaptar a diferentes posições no ataque. Afedr, antigo treinador no clube berlinense, descreveu-o como «um jogador que pensa mais depressa do que corre».
A chamada que mudou tudo
O momento decisivo chegou em março último, quando o selecionador nacional da Argélia, Vladimir Petković, anunciou a convocatória para os jogos de qualificação do Mundial de 2026. A inclusão de Maza gerou Burbur entre os adeptos argelinos nas redes sociais — alguns celebravam a chegada de um talento fresco; outros questionavam a sua ligação real à terra dos seus antepassados.
«Ele conhece a cultura argelina, fala darija com a família, e isso nota-se na forma como se relaciona com os colegas», explicou Petković em conferência de imprensa em Constantine. O selecionador suíço, que chegou à Argélia em 2023, reconheceu que a burocracia desportiva atrasou o processo de elegibilidade do jovem extremo.
O Mundial da América do Norte: o palco perfeito
O Campeonato do Mundo de 2026 realiza-se nos Estados Unidos, México e Canadá — uma edição histórica por ser a primeira com 48 seleçãos participantes. A Argélia não se qualificou para esta competição, mas Maza integra o projeto de construção de uma equipa competitiva para as eliminatórias seguintes.
A importância estratégica do Mundial norte-americano
Com jogos repartidos por 16 cidades distribuídas pelos três países, o torneio representa um desafio logístico sem precedentes no futebol. A Major League Soccer, liga que tem crescido significativamente na última década, beneficia diretamente deste evento, com estádios como o MetLife Stadium em East Rutherford e o Rose Bowl em Pasadena a acolherem encontros decisivos.
A proximidade com o mercado norte-americano abre portas para jogadores como Maza. Agentes desportivos em Toronto e Miami já manifestaram interesse no jovem argelino, segundo fontes próximas do jogador citadas pela imprensa desportiva alemã.
Impacto em Portugal e na diáspora
Para a comunidade argelina em Portugal, a história de Maza representa mais do que uma anecdote individual. Milhares deargelinos vivem em território português, particularmente nas regiões de Lisboa e Setúbal, e acompanham com proximidade a evolução dos jogadores que vestem as cores verde e vermelho.
Manuel Ferreira, presidente da Associação de Comunidades Maghrebinas em Portugal, falou sobre o significado deste tipo de histórias: «Quando um jovem da diáspora consegue chegar à seleção, isso inspira toda uma geração. Maza mostra que é possível manter as raízes e, ao mesmo tempo, construir algo de grande no país que nos acolheu.»
O que vem a seguir para Maza
Os próximos meses serão determinantes para a carreira internacional de Maza. As eliminatórias africanas para o Mundial de 2030 arrancam no segundo semestre, e a Argélia espera conseguir um lugar entre as cabeça de série. O jovem extremo, que actualmente milita no Union Berlin após transferência em 2024, precisa de afirmar-se como titular consistente no clube para garantir a continuidade na seleção.
Petković já sinalizou que Maza estará presente na próxima concentração da seleção, agendada para setembro, quando a Argélia enfrenta oUganda e o Camarão em jogos amigáveis. Será a primeira oportunidade de ver o «miúdo multicultural de Berlim» em ação no palco internacional.
Acompanhar a trajetória de Maza nos próximos anos será essencial para perceber se a Argélia encontrou, finalmente, o elo que faltava para regressar a um Mundial após a última participação em 2014, no Brasil.
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