Minho Diário AMP
Europa

Grupo Todos Anuncia Investimento de 850 Milhões em Operações com Blended Finance

— Sofia Rodrigues 4 min read

O grupo Todos revelou esta terça-feira um plano de investimento de 850 milhões de euros que combina instrumentos de blended finance para financiar operações em Sines e na região de Lisboa. O programa envolve parcerias com bancos públicos e privados, com o objetivo de acelerar projetos no setor das infraestruturas hospitalares e logísticas. As primeiras tranches devem ser libertadas já no próximo trimestre.

O valor e a estrutura do financiamento

O anúncio foi feito durante uma conferência realizada em Lisboa, onde o presidente executivo do grupo Todos, Pedro Miguel Santos, apresentou os contornos do programa. O montante de 850 milhões de euros representa o maior pacote de investimento já anunciado pela empresa este ano. Metade do valor provém de fundos europeus, enquanto a outra metade chega através de investidores institucionais privados.

O conceito de blended finance permite combinar capital de risco com financiamento concessionário, reduzindo o custo final dos projetos. Esta abordagem tem ganho força em Portugal desde que o Banco Europeu de Investimento começou a disponibilizar linhas específicas para infraestruturas verdes e sociais. No caso do grupo Todos, a estrutura contempla ainda uma componente de obrigação verde emitida em mercado de capitais.

Projetos prioritários em Sines

Sines ocupa um lugar central no plano. O grupo Todos planeia construir um terminal logístico de última geração junto ao porto comercial, com capacidade para processar 2,5 milhões de toneladas de mercadorias por ano. A infraestrutura inclui um centro de distribuição alimentado por energia renovável, eliminando praticamente todas as emissões de carbono associadas à operação.

A autarquia de Sines já confirmou a cedência de um terreno de 45 hectares para o projeto. O presidente da Câmara Municipal, Francisco Silva, afirmou que a unidade vai criar aproximadamente 800 postos de trabalho diretos na fase de construção e cerca de 300 empregos permanentes após a entrada em funcionamento, prevista para 2027.

Hospital de Lisboa entra no portfólio

O programa contempla ainda um hospital privado em Lisboa, cuja construção arrancará no segundo semestre de 2025. A unidade terá 250 camas e Focus em Cuidados Diferenciados nas áreas de oncologia e cardiologia. O projeto resulta de um protocolo assinado entre o grupo Todos e o Ministério da Saúde, que permite a utilização de espaços públicos em regime de parceria público-privada.

Esta não é a primeira vez que o grupo Todos se aventura no setor da saúde. A empresa gere atualmente três clínicas no país e uma unidade de cuidados continuados em Santarém. O investimento em Lisboa representa uma expansão significativa da presença no mercado da capital, onde a procura por serviços de saúde privados tem crescido a ritmos sustentados.

Por que o blended finance importa

O modelo de financiamento escolhido não é coincidência. Os juros praticados pelo BCE nos últimos anos tornaram o financiamento bancário tradicional mais caro, empurrando empresas e promotores para soluções alternativas. O blended finance permite diluir o risco e attract investidores que, isoladamente, não assumiram o projeto completo.

Para o Estado, a vantagem é poder concretizar investimentos em infraestruturas sem pressionar diretamente a dívida pública. O Banco de Portugal estimou que as operações de blended finance em Portugal alcançaram os 12 mil milhões de euros nos últimos cinco anos, com Focus em energias renováveis, habitação e transportes.

Reações e perspetivas

A proposta foi recebida com otimismo pelo sector financeiro. O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, António Félix, considerou o modelo "robustamente estruturado" e salientou que este tipo de operações pode servir de referência para projetos futuros no país. Já a plataforma portuguesa de infraestrutura alertou para a necessidade de simplificar os processos de licenciamento, que continuam a ser um entrave à execução atempada.

Do lado da oposição, o partido ecoomicista considerou que os projetos em Sines merecem atenção quanto ao impacto ambiental. O grupo Todos respondeu que os estudos de impacto já foram submetidos à Agência Portuguesa do Ambiente e que estão previstas medidas compensatórias na ordem dos 15 milhões de euros.

O que acontece a seguir

A primeira tranche do financiamento, no valor de 200 milhões de euros, deve ser formalizada até ao final de março. Após a assinatura, o grupo Todos avançará com os procedimentos de contratação pública para as obras em Sines. O projeto do hospital em Lisboa depende ainda de luz verde do Tribunal de Contas, cujo parecer é esperado para maio.

Os investidores devem acompanhar a evolução das taxas de juro europeias, que continuam a influir diretamente no custo do financiamento concessionário. Outro fator a monitorizar é a capacidade de execução do grupo Todos, que viu os prazos de dois projetos anteriores ultrapassarem o calendário previsto em cerca de seis meses.

Share:
#Mercado #Para #Mais #Setor #Procura #Empresas #Investimento #Energia #Maior #Portugal

Read the full article on Minho Diário

Full Article →