Fundo de Reserva da Segurança Social Americana Agoniza — Cortadores à Vista
O fundo de reserva da Segurança Social dos Estados Unidos está a aproximar-se de um ponto de rutura que poderá afectar milhões de americanos reformados e beneficiários nos próximos anos. A situação coloca Washington perante uma decisão urgente sobre o futuro do sistema de pensões mais importante do país.
A Escala do Problema
Os dados mais recentes do Social Security Board of Trustees indicam que o Old-Age and Survivors Insurance Trust Fund poderá ficar sem reservas antes de 2034. Quando isso acontecer, os impostos recolhidos anualmente — cerca de 1,2 biliões de dólares em contribuições — serão suficientes para cobrir apenas cerca de três quartos dos benefícios devidos. A diferença terá de ser compensada por cortes nas pensões ou por uma reformulação profunda do sistema.
Em 2023, o sistema pagou mais de 1,4 biliões de dólares em benefícios a aproximadamente 67 milhões de americanos. Este número inclui reformados, pessoas com deficiência e sobreviventes de contribuintes falecidos. A масштаб of the programme torna qualquer alteração politicamente explosiva.
Porque Está a Acontecer Agora
O envelhecimento da população americana está no centro do problema. Em 1960, havia cerca de 5 trabalhadores por cada beneficiário do sistema. Hoje, essa proporção caiu para aproximadamente 2,8 trabalhadores. As projecções demográficas indicam que continuará a descer à medida que os baby boomers atingirem a idade de reforma.
A pandemia de COVID-19 acelerou parte deste processo. Muitos trabalhadores reformados optaram por sair mais cedo do mercado de trabalho durante a crise sanitária, aumentando a pressão sobre os cofres do sistema. Além disso, a mortalidade elevado durante certos períodos contribuiu para um aumento inesperado de pedidos de benefícios por sobrevivência.
O Factor político
Em Washington, a discussão sobre a Segurança Social tornou-se um terreno minado político. Republicanos e democratas concordam que o problema existe, mas divergem radicalmente sobre a solução. Os democratas tendem a defender um aumento das contribuições — seja subindo a taxa de imposto sobre os salários, seja eliminando o tecto máximo de rendimento sujeito a contribuições. Os republicano argumentam que cortes nos benefícios, especialmente para gerações mais jovens, são inevitáveis.
O administration Biden-Harris não apresentou ainda um plano abrangente para resolver a crise, embora tenha sinalizado que não aceitará cortes nos benefícios para reformados actuais. O assunto deverá dominar o debate político norte-americano durante os próximos ciclos eleitorais.
O Que Acontece Se Nada For Feito
Se o Congresso não actuar, os cortes automáticos entrarão em vigor quando as reservas se esgotarem. As projecções do Social Security Administration sugerem que os benefícios podrían ter de ser reduzidos em cerca de 20 a 25 por cento a partir do momento em que o fundo ficar sem dinheiro. Para um reformado que recebe 2.000 dólares por mês, isso significaria uma perda de aproximadamente 400 a 500 dólares mensais.
Os economistas alertam que esta redução teria consequências em cadeia para a economia. Muitos reformados americanos dependem exclusivamente das prestações da Segurança Social para sobreviver — cerca de 40 por cento dos beneficiários recebe mais de metade do seu rendimento total do sistema. Uma quebra brusca nos pagamentos provocaria necessariamente uma redução do consumo entre a população idosa.
Comparação Com Outros Países
Os Estados Unidos não são o único país a enfrentar desafios nos seus sistemas de Segurança Social. A Alemanha, o Japão e a Grécia lidam com problemas semelhantes de sustentabilidade relacionados com o envelhecimento demográfico. Porém, a dimensão do sistema americano — e o seu papel como rede de segurança para uma população que tem historicamente pouco ahorro privado — torna a situação norte-americana particularmente urgente.
Em Portugal, por exemplo, o sistema de Segurança Social enfrenta pressões semelhantes, embora com características distintas. O debate internacional sobre sustentabilidade dos sistemas de pensões tornou-se uma das questões económicas mais transversais entre países desenvolvidos.
Opções Sobre a Mesa
Várias propostas têm sido discutidas para evitar os cortes. Uma das mais debatidas consiste em aumentar a idade de reforma, actualmente fixada nos 67 anos para reforma completa. Outra opção envolve subir a taxa de contribuição de 12,4 por cento — dividida igualmente entre empregador e trabalhador — para um nível mais elevado. Há ainda quem defenda a criação de contas individuais obrigatórias, um modelo semelhante ao chileno que substituiria parte das prestações definidas por contribuições definidas.
Os defensores de cada solução têm argumentos distintos. Quem apoia o aumento da idade de reforma argumenta que as pessoas vivem mais anos saudáveis e podem trabalhar por mais tempo. Os que defendem contribuições mais elevadas salientam que o sistema foi concebido quando a esperança de vida era significativamente menor. Os que propõem contas individuais alertam, porém, que essa mudança poderia deixar muitos trabalhadores mais vulneráveis a crises financeiras pessoais.
O Que Sigue
O próximo relatório do Social Security Board of Trustees, previsto para o verão, deverá fornecer uma imagem mais actualizada da situação. Os analistas estarão particularmente atentos a qualquer revisão nas projecções de duração do fundo. Se os números confirmarem a deterioração, espera-se que o debate político se intensifique antes das eleições de meio de mandato em 2026.
O relógio continua a correr. Sem acção do Congresso, os Estados Unidos приближаются a um cenário em que milhões de beneficiários poderão ver os seus pagamentos reduzidos dentro de menos de uma década. A questão já não é se algo terá de ser feito, mas quando e com que sacrifício para cada geração.
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