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Política

EUA atacam Qeshm após Irão atacar Kuwait e Bahrain — Médio Oriente em alerta máximo

— Sofia Rodrigues 5 min read

Os Estados Unidos launchedaram strikes militares contra posições iranianas na ilha de Qeshm, no Golfo de Omã, horas depois de Teerão ter sido acusado de lançar ataques contra o Kuwait e o Bahrain. A escalada ocorre num momento de extrema tensão no Médio Oriente, com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a reunir-se de emergência com a sua equipa de segurança nacional. O Pentágono confirmou a operação através de um comunicado oficial emitido na madrugada de hoje, classificando a ação como «resposta proporcionada» às agressões iranianas na região.

Strikes americanos em Qeshm

O Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou esta manhã que forças americanas conduziram ataques aéreos contra infraestruturas militares iranianas na ilha de Qeshm. Segundo o comunicado do Pentágono, os alvos incluíam instalações de armazenamento de armas e centros de comando utilizados pela Guarda Revolucionária Iraniana. O porta-voz do departamento de defesa americano indicou que os strikes foram coordinados com «parceiros regionais» embora não tenha especificado quais.

A escolha de Qeshm não foi casual. A ilha alberga bases militares iranianas estrategicamente posicionadas no Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do tráfego marítimo mundial de petróleo. Analistas militares apontam que a localização permite a Teerão projectar poder naval em toda a região do Golfo.

Ataques no Kuwait e Bahrain

Antes dos strikes americanos, o Kuwait e o Bahrain reportaram terem sido alvo de ataques com drones e mísseis provenientes do Irão. O Ministério do Interior kuwaitiano confirmou que pelo menos três instalações militares na zona norte do país foram atingidas, sem avançar números de vítimas. O Bahrain, sede da Quinta Frota americana, activou imediatamente o seu sistema de defesa aérea.

As autoridades kuwaitianas anunciaram o estado de emergência durante 24 horas, permitindo às forças de segurança prendre medidas extraordinárias. Fontes próximas do governo em Manama indicaram à imprensa que os sistemas Patriot do reino intercetaram a maioria dos projécteis, embora alguns tenham logrado atravessar as defesas.

Reacções imediatas dos países afectados

O governo kuwaitiano emitiu um comunicado a condenar «nos termos mais enérgicos» o que descreveu como «agressão iraniana flagrante». O Bahrain seguiu-se com uma declaração semelhante, solicitando uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano rejeitou as acusações, classificando-as como «fabricadas» e apontando o dedo aos Estados Unidos.

Contexto da escalada

Esta nova vaga de violência surge semanas depois de Teerão ter ameaçado retaliar contra alvos americanos e israelitas na sequência de operações atribuídas a Telavive no território iraniano. Netanyahu tem mantido contacto permanente com a administração Trump, que autorizou formalmente a operação em Qeshm após briefings de intelligence na noite de ontem.

O conselheiro de segurança nacional americano reuniu-se com representantes do Kuwait e Bahrain por videoconferência nas últimas horas, garantindo «apoio total» aos dois aliados do Golfo. O Secretary of Defense, por sua vez, declarou que os Estados Unidos «não hesitarão» em tomar medidas adicionais caso o Irão prossiga com o que classificou de «comportamento beligerante».

O papel de Israel na crise

Netanyahu convocou o seu gabinete de guerra em Jerusalem esta manhã, numa reunião que durou mais de três horas. O primeiro-ministro israelita emitiu depois um breve comunicado a affirming que Israel «está preparado para qualquer cenário» e a Warnar Teerão de que «qualquer tentativa de atacar o Estado de Israel encontrará uma resposta esmagadora».

Fontes próximas do governo israelita indicam que Telavive reforçarou as suas defesas antimíssil e colocou unidades adicionais em alerta máximo. O porta-voz militar israelita confirmou exercícios de rotina na fronteira norte, embora tenha recusado comentar operações específicas.

Resposta internacional

A Organização das Nações Unidas manifestou «profunda preocupação» com a escalada e pediu «contenção máxima» a todas as partes. O Secretário-Geral das Nações Unidas ofereceu os seus «bons ofícios» para mediar um cessar-fogo, emboraTeerão tenha até agora rejeitado qualquer negociação mediada por Washington.

O Conselho de Segurança da ONU convocou uma sessão de emergência para esta tarde. A posição americana no conselho permanece delicada, com a Russia e a China a indicarem que se oporão a qualquer resolução que condene o Irão sem também reconhecer os ataques americanos.

Impacto nos mercados e na aviação

Os mercados financeiros reagiram com queda abrupta aos desenvolvimentos no Golfo. O preço do petróleo crude subiu mais de 12% nas primeiras horas de negociação asiática, ultrapassando os 95 dólares por barril pela primeira vez este ano. A Aramco saudita e outras grandes petrolíferasдали indicaram que monitorizam a situação com «atenção redobrada».

As companhias aéreas Lufthansa, Emirates e Qatar Airways desviaram imediatamente as suas rotas para evitar o espaço aéreo do Golfo. A Autoridade da Aviação Civil de vários países emitiu alertas recomendando que todas as aeronaves evitem a região até nova ordem.

O que acontece a seguir

A atenção está agora concentrada em Teerão. O Líder Supremo iraniano, Ayatollah Khamenei, reúne-se esta tarde com o Conselho de Segurança Nacional do país para deliberar sobre a resposta iraniana. Analistas em Washington acreditam que Khamenei enfrenta uma decisão difícil entre escalar ainda mais e procurar uma saída diplomáctica.

O Conselho de Segurança da ONU reúne-se às 18h00 de Lisboa. Os Estados Unidos pediram uma condenação formal do Irão, mas enfrentam resistência da Russia e da China. Nas próximas 48 horas, o mundo vai saber se a crise se mantém contida no Golfo ou se alastra a todo o Médio Oriente. Acompanhe as últimas atualizações.

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