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Europa

Estados Unidos Fogem do Mundial 2026 em Eliminação Desastrosa

— Pedro Costa 5 min read

A seleção masculina de futebol dos Estados Unidos viveu esta semana uma das eliminações mais humilhantes da sua história no processo de qualificação para o Mundial de 2026, deixando Adebayo Adewale a escrever para os leitores em Portugal sobre o que correu mal e que consequências se seguem para o futebol norte-americano.

O descalabro em Cincinnati

A equipa dirigida por Gregg Berhalter precisava de um empate simples diante do México para garantir a qualificação, mas acabou por sofrer uma derrota por 2-0 no Estádio TQL, em Cincinnati. Os golos de César Huerta e de Santiago Muñoz no espaço de sete minutos no segundo tempo selaram o destino dos EUA, que terminam o octogonal final em quarto lugar — fora dos lugares de qualificação direta. Este resultado marca a segunda vez consecutiva que os Estados Unidos falham a participação numa Copa do Mundo após um processo de qualificação igualmente problemático em 2018.

A sombra de Balogun

Nos bastidores desta eliminação, circulam agora questões sobre o impacto da saga envolvendo Folarin Balogun, o avançado que cresceu no sistema juvenil inglês mas acabou por se comprometer publicamente com os Estados Unidos em maio de 2023. Balogun, nascido em Nova Iorque e criado em Inglaterra, tinha sido apresentado como uma solução para o problema crónico de finalização que afeta a seleção norte-americana. No entanto, a sua integração na equipa revelou-se tumultuosa. O jogador do Monaco marcou apenas dois golos em onze internacionalizações, e críticas surgiram sobre a sua adaptação ao estilo de jogo coletivo que Berhalter pretendia implementar.

A decisão que dividiu opiniões

A escolha de Balogun por cima de opções caseiras como Haji Wright e Brandon Vazquez gerou controvérsia entre os adeptos e comentadores. Muitosargumentaram que Berhalter deveria ter apostado em jogadores com maior entrosamento com o grupo, enquanto outros defendiam que o talento individual de Balogun justificava a convocatória. A verdade é que, quando a eliminatória apertou, o avançado nunca conseguiu responder com os golos que dele se esperavam.

As raízes de uma crise

A eliminação dos Estados Unidos não é um acontecimento isolado. O futebol norte-americano vive uma fase de incerteza desde que a FIFA atribuiu ao país, em conjunto com México e Canadá, a organização do Mundial de 2026 — uma competição que os EUA iria acolher como cabeça de série automático. Sem essa proteção, a equipa demonstrou fragilidades tácticas e mentais que já se tinham manifestado durante a Gold Cup de 2023 e durante os amigáveis de preparação para este ciclo. A relação entre Berhalter e sectores importantes do balneário deteriorou-se nos últimos meses, com relatos de desacordos sobre a convocatória e sobre a distribuição de minutos entre jogadores da Major League Soccer e os que actuam na Europa.

O que significa esta saída para o futebol dos EUA

Para o futebol norte-americano, as consequências são profundas. A Major League Soccer viu os seus melhores jogadores representados por uma seleção que falhou o objetivo mínimo da nação organizadora. Nos bastidores da federação, Voices inside US Soccer expresçam preocupações sobre o impacto comercial e desportivo desta eliminação. Os contratos de patrocínio e os investimentos em infraestruturas foram pensados com a expetativa de que a seleção estaría presente no Mundial caseiro. Sem essa plataforma, muitas dessas parcerias poderão ser renegociadas em condições menos favoráveis. Além disso, a base de fãs norte-americana, que tem crescido de forma consistente na última década, enfrenta agora um período de descrença que pode afectar a assistência aos jogos domésticos e o interesse geral pelo desporto no país.

Reações e o futuro de Berhalter

O presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, Jay Berhalter, irmão do selecionador, confirmou numa declaração oficial que uma avaliação completa do ciclo será conduzida nas próximas semanas. Gregg Berhalter, por seu lado, recusou-se a confirmar se permanecerá no cargo. «Vamos analisar tudo com calma», afirmou o treinador durante a conferência de imprensa pós-jogo em Cincinnati. Vários jogadores veteranos, incluindo o guarda-redes Matt Turner e o defesa central Tim Ream, terminaram as suas carreiras internacionais após esta eliminatória, deixando um vazio de experiência que será difícil de preencher antes de 2030.

O que se segue para os Estados Unidos

O Mundial de 2026 arranca em 11 de junho de 2026, com jogos distribuídos por dezasseis cidades no Estados Unidos, México e Canadá. Os Estados Unidos, como nação organizadora, tinham garantida automaticamente uma das 48 vagas, mas optaram por participar no processo de qualificação para manter a competitividade da equipa — uma decisão que agora é amplamente questionada. Sem presença na competição, os olhos do público norte-americano estarão divididos entre apoiar o México, o Canadá ou as selecções europeias e sul-americanas que marcarão presença. Nas ruas de Los Angeles, Nova Iorque e Miami, o entusiasmo que existia em torno do torneio foi substituído por um sentimento de frustração que poderá demorar anos a ultrapassar.

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