Ebola na RDC Volta a Preocupar a Ásia Antes do Mundial de Futebol
Um novo surto de Ébola na República Democrática do Congo voltou a gerar alertas internacionais, despertando preocupações sobre a organização de grandes eventos desportivos na Ásia, região que acolhe a próxima edição do Mundial de Futebol. A ameaça sanitária surge num momento particularmente delicado para os organizadores, que tentam recuperar a confiança de países africanos após a exclusividade europeia na última edição.
Surto na RDC: números e extensão
As autoridades sanitárias congolesas confirmaram 150 casos positivos de Ébola na província do North Kivu, no leste do país, desde o início do mês. Desses, pelo menos 32 resultaram em mortes, elevando a taxa de mortalidade para níveis preocupantes. A Organização Mundial de Saúde deslocou uma equipa de resposta rápida a Goma, a cidade mais afetada, para coordenar os esforços de contenção no terreno.
O Ministério da Saúde da RDC emitiu um comunicado a pedir international cooperation, admitindo que os recursos locais são insuficientes para travar a propagação sem apoio externo. Dezassete profissionais de saúde já foram infectados, o que coloca em risco a capacidade de resposta dos hospitais da região.
Consequências para o Mundial de 2030
A federação asiática de futebol expressed its concern publicly, stating that the outbreak could affect travel plans and qualification procedures for African national teams. Três países asiáticos — Japão, Coreia do Sul e Arábia Saudita — manifestaram oficialmente inquietação junto da FIFA sobre a segurança dos adeptos deslocados à região subsariana durante o período de qualificação.
Impacto nas selecções africanas
Sete federações nacionais africanas já informaram a FIFA que poderão solicitar adiamento dos jogos de qualificação programados para Kinshasa e Goma entre setembro e novembro. A federação sul-africana avançou mesmo com um pedido formal de relocalização dos encontros, invocando recomendações do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Pretória.
Esta situação cria um precedente delicado para a FIFA, que viu o Mundial de 2022 ser dominado por selecções africanas como Marrocos, que chegou às meias-finais. Perder o apoio de federações importantes poderia prejudicar a visibilidade do torneio na Ásia.
Contexto histórico: lições de 2014
A memória do surto de Ébola na África Ocidental entre 2014 e 2016 ainda pesa no imaginário desportivo internacional. Na altura, vários países recuaram na participação em torneios de futebol no continente africano, e a Copa das Nações Africanas de 2015 foi adiada por questões de segurança sanitária.
O antigo director do Programa de Emergências da OMS, Dr. Tarik Jasarevic, alertou em entrevista à Deutsche Welle que os grandes eventos internacionais precisam de protocolos rigorosos. "O Ébola não respeita fronteiras", declarou na altura, uma afirmação que volta a adquirir relevância com o actual surto.
Resposta internacional em formação
O Banco Mundial desbloqueou 50 milhões de dólares para apoiar os esforços de combate ao surto na RDC, mas organizações não-governamentais no terreno alertam que os fundos demoram semanas a chegar às zonas afectadas. MSF já desplegou unidades móveis de tratamento em Beni e Mangina, mas a falta de infraestrutura logística dificulta o acesso a áreas remotas.
A União Africana convocou uma reunião de emergência para a próxima semana em Adis Abeba, Etiópia, onde os ministros da Saúde vão debater uma resposta coordenada. A China, que tem investimentos significativos na região, poderá ser chamada a contribuir com apoio técnico e financeiro.
O que acontece a seguir
A FIFA deverá pronunciar-se oficialmente sobre os pedidos das federações africanas até ao final do mês. Se os jogos de qualificação forem relocalizados, isso poderá afectar os rankings FIFA de várias selecções antes do sorteio do Mundial, previsto para early 2029. Os leitores devem acompanhar os próximos desenvolvimentos sobre a situação sanitária na RDC e as decisões da federação internacional nas próximas semanas.
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