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China Despacha Especialistas Médicos ao RDC no Combate ao Ébola

— Paulo Teixeira 5 min read

Quarenta e cinco especialistas chineses em doenças infecciosas chegaram a Kinshasa na terça-feira para reforçar os esforços de combate ao surto de Ébola na República Democrática do Congo. A equipa, proveniente do Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças, vai operar em collaboration com o Ministério da Saúde congolês durante um período inicial de seis meses.

Equipa Chinesa Estabelece Base em Kinshasa

Os especialistas chineses pousaram no Aeroporto Internacional de N'djili na manhã de terça-feira, carregando equipamento de proteção individual e laboratórios móveis. O embaixador chinês no RDC, Zhu Jing, recebeu a delegação no terminal aéreo, señalando que a missão faz parte de um acordo bilateral assinado em Luanda no mês passado.

Esta não é a primeira vez que Pequim envia pessoal médico para África durante uma crise sanitária. Em 2014, durante o surto de Ébola na Guiné-Conacri, China enviou mais de 200 profissionais de saúde para a região. Os analistas notam que a estratégia atual é mais direcionada, com especialistas focados especificamente no rastreamento de contactos e na gestão de centros de isolamento.

Contexto do Surto na Província de Kivu Norte

O surto atual, declarado em agosto último, já causou 127 mortes confirmadas nas províncias de Kivu Norte e Ituri. A Organização Mundial de Saúde registou 215 casos confirmados, dos quais 47 resultaram em recuperações. As autoridades sanitárias congolesas enfrentam desafios significativos devido à instabilidade na região leste do país.

Grupos armados têm atacaado centros de tratamento em várias ocasiões, forçando equipas médicas a evacuar temporariamente. Em setembro, um ataque ao centro de Mangina resultou na morte de um trabalhador sanitário local. Esta violência complica os esforços de resposta e cria riscos adicionais para os profissionais de saúde estrangeiros que chegam ao país.

Coordenação com Agências Internacionais

A missão chinesa vai trabalhar diretamente com a OMS e a Federação Internacional da Cruz Vermelha. O coordenador da OMS para operações de emergência no terreno, Dr. Ibrahima Socé Fall, confirmou que as equipas chinesas receberão formação complementar sobre os protocolos de biossegurança específicos adotados nesta resposta.

Os especialistas chineses vão inicialmente operar a partir de Beni, um dos epicentros do surto, antes de se distribuírem por outros pontos críticos. Fontes do Ministério da Saúde congolês indicam que a equipa inclui epidemiologistas, especialistas em laboratório e pessoal de apoio logístico.

Papel dos Parceiros Regionais

A União Africana, através do seu Centro Africano de Controlo de Doenças, coordena os esforços de vários países que enviaram pessoal médico para a região. O Quénia disponibilizou três especialistas em saúde pública na semana passada, enquanto Uganda enviou uma equipa de rastreamento de contactos. Esta colaboração regional complementa a assistência chinesa.

Desafios no Terreno

As condições de segurança continuam a ser a maior preocupação para todas as organizações envolvidas na resposta. A Força Monusco, missão das Nações Unidas no país, reforçou a sua presença nas áreas próximas aos centros de tratamento, mas os acesso a certas zonas permanece extremamente limitado.

Além dos desafios de segurança, as equipas médicas enfrentam questões logísticas complexas. O transporte de vacinas termolábeis para áreas remotas requer cadeias de frio que nem sempre estão disponíveis. O diretor do Instituto Nacional de Investigação Biomédica do DRC, Dr. Jean-Jacques Muyembe, alertou que sem infrastructure adequadas, a distribuição de vacinas fica comprometida.

Impacto da Assistância Internacional

Até ao momento, 14 países enviaram apoio técnico ou financeiro para a resposta ao surto. Os Estados Unidos comprometeram 15 milhões de dólares em协助, enquanto a União Europeia disponibilizou 8 milhões de euros para operações de campo. Estes fundos permitem manter os centros de tratamento operacionais e pagar salários aos trabalhadores locais.

A comunidade científica internacional também acompanha de perto o desenvolvimento da situação. Ensaios clínicos de duas vacinas experimentais estão em curso na região, com resultados preliminares esperados para o primeiro trimestre do próximo ano. A eficácia destas vacinas pode determinar a trajetória do surto nos próximos meses.

Reações e Perspetivas Futuras

O presidente do RDC, Félix Tshisekedi, agradeceu publicamente o apoio internacional, dizendo que a solidariedade global é essencial neste momento crítico. Em comunicado emitido pelo seu gabinete, Tshisekedi pediu à população das zonas afetadas que colabore com as equipas médicas e evite rumores que dificultam o trabalho de prevenção.

As autoridades sanitárias congolesas planeiam expandir a campanha de vacinação para abranger mais comunidades nas próximas semanas. O objetivo é vacinar pelo menos 70% da população de risco nas zonas mais afetadas até ao final do ano. Este target depende de melhorias na situação de segurança e da continuidade do apoio internacional.

O Ministério da Saúde congolês deve apresentar um relatório atualizado sobre a evolução do surto na próxima sexta-feira. Os especialistas chineses estarão presentes nessa reunião para coordenar os próximos passos da resposta conjunta.

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