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Cão celebridades 'Chutou' com 1,5M de seguidores roubado e morto na China

— Paulo Teixeira 4 min read

Um cão que se tornou celebridade nas redes sociais chinesas com mais de 1,5 milhões de seguidores foi roubado e abatido na província de Shandong, no leste da China. As autoridades detiveram o suspeito, que alegou ter confundido o animal com um cão de rua antes de o levar para abate. O incidente provocou uma onda de indignação entre os utilizadores das redes sociais na China.

O cão que virou estrela digital

O animal, conhecido online como Chutou, conquistou uma base massiva de seguidores na plataforma Douyin, a versão chinesa do TikTok. O perfil do cão publicava conteúdos diários que mostravam o dia a dia do animal, incluindo brincadeiras, viagens e momentos de lazer. A popularidade do cão transformou-o numa figura de referência para milhares de utilizadores que acompanhavam regularmente as suas publicações.

O desaparecimento de Chutou foi comunicado pelos seus donos através das redes sociais, triggering uma busca intensiva. Os seguidores do animal começaram a partilhar alertas nas redes sociais, pedindo informações sobre o paradeiro do cão. A investigação policial acabou por identificar o suspeito e recuperar o corpo do animal.

O roubo e o abate

A polícia de Shandong confirmou ter detido um homem suspeito de ter roubado Chutou e vendido a sua carne. O suspeito declarou às autoridades que não sabia estar a lidar com um cão famoso. As forças de segurança destacaram que o homem actou com base na aparência do animal, assumindo incorretamente que se tratava de um cão abandonado.

O abate terá ocorrido num mercado local, onde a carne de cão é ocasionalmente comercializada em certas regiões da China. As autoridades locais indicaram que o suspect foi detido ao abrigo das leis de protecção animal que entrou em vigor recentemente no país.

A resposta nas redes sociais

A morte de Chutou gerou uma reacção intensa nas redes sociais chinesas. Milhares de utilizadores expressaram a sua tristeza e raiva, utilizando a hashtag em memória do cão. Muitos comentaram que não conseguiam acreditar que um animal com tanta projecção pudesse ser tratado desta forma.

Alguns donos de animais de estimação partilharam histórias similares de roubo, alertando para a necessidade de maior vigilância. O incidente também reacendeu o debate sobre o comércio de carne de cão na China, uma prática que continua a gerar controvérsia tanto a nível nacional como internacional.

Legislação de protecção animal na China

A China aprovou em 2025 uma nova lei de protecção animal que estabelece regras mais rigorosas para o tratamento de animais. A legislação proíbe o abate de animais de companhia e impõe multas significativas aos infratores. As autoridades de Shandong referiram que o caso será julgado à luz desta nova legislação.

Os defensores dos animais no país receberam a notícia da aprovação da lei como um passo importante, embora considerem que a aplicação continua a ser insuficiente. Organizações de protecção animal têm vindo a pressionar o governo para reforçar os mecanismos de fiscalização.

O valor dos animais de influência digital

O caso de Chutou revela o fenómeno crescente dos animais de estimação como influenciadores digitais na China. Estes animais geram receitas substanciais através de parcerias com marcas, merchandising e transmissões ao vivo. Alguns criadores de conteúdo que trabalham com animais chegaram a afirmar que os seus clientes de quatro patas ganham mais do que muitos trabalhadores humanos.

A popularidade destes perfis transformou os animais de estimação em activos valiosos. Os donos de Chutou terão investido anos a construir a presença digital do cão, creando uma comunidade de seguidores fieis que interagiam diariamente com o conteúdo publicado.

O que acontece a seguir

O suspeito enfrenta agora acusações formais ao abrigo da legislação de protecção animal. As autoridades de Shandong indicaram que o julgamento deverá ter lugar nas próximas semanas. Paralelamente, os donos de Chutou anunciaram que pretendem processar o suspeito por danos morais e materiais.

Aguarda-se também uma decisão sobre possíveis alterações aos regulamentos locais de controlo de animais, após os apelos dos cidadãos para maior segurança dos animais de companhia nas zonas urbanas. O Ministério da Agricultura já manifestou a intenção de reforçar a fiscalização em mercados e restaurantes que possam vender produtos de origem animal não regulamentada.

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