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Bafana Bafana Partem Para América do Norte Após Confusão com Vistos — Viagem Oposta à de Outros Equipas Africanos

— Paulo Teixeira 4 min read

A seleção sul-africana de futebol, conhecida como Bafana Bafana, partiu finalmente para a América do Norte na madrugada desta quinta-feira, depois de uma confusão com vistos que quase inviabilizou a digressão internacional da equipa. O voo charter saiu do Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Joanesburgo, com destino a uma série de jogos de preparação agendados nos Estados Unidos e no Canadá. A situação contrasts de forma marcante com o que aconteceu com outras selecções africanas que viajaram sem obstáculos para o mesmo destino.

A confusão que quase travou a viagem

O problema surgiu quando cerca de 30 membros da delegação sul-africana, incluindo jogadores e elementos da equipa técnica, receberam informações contraditórias sobre a validade dos seus passaportes diplomáticos. Fontes da Federação Sul-Africana de Futebol (Safa) indicaram que um erro administrativo na emissão dos documentos levou a que alguns formulários fossem preenchidos com datas incorrectas. As autoridades consulares norte-americanas detetaram as discrepâncias e retiveram os vistos durante 48 horas, o que provocou atrasos significativos nos preparativos da viagem.

O presidente da Safa, Victor Hlambi, interviu diretamente para acelerar a resolução do problema. Hlambi manteve conversações com o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-africano e com a embaixada dos Estados Unidos em Pretória até à meia-noite de quarta-feira. A federação emitiu um comunicado às 2h da manhã confirmando que todos os documentos estavam finalmente em conformidade e que a partida prosseguiria como previsto.

Comparação com outras selecções africanas

O que tornou esta situação particularmente embaraçosa para a Safa foi o facto de outras selecções africanas terem completado os mesmos trâmites migratórios sem quaisquer dificuldades. O Gana, o Senegal e o Camarões, que também têm deslocações marcadas à América do Norte nas próximas semanas, obtiveram os vistos em tempo recorde e sem incidentes de maior. Representatives da federações desses países terão mesmo oferecido assistência informal aos colegas sul-africanos, o que aumentou a pressão sobre a Safa para resolver a situação rapidamente.

Analistas desportivos sul-africanos apontam que a confusão levanta questões sobre a competência logística da federação. A África do Sul acolheu com sucesso a Copa do Mundo de 2010 e tem experiência acumulada em organizar grandes eventos internacionais, o que torna este erro ainda mais surpreendente. O cronista desportivo Sibusiso Zungu, do jornal Business Day, escreveu que «a imagem do futebol sul-africano no estrangeiro não precisava deste tipo de publicity negativo».

Programa desportivo na América do Norte

Os Bafana Bafana têm agendados três jogos de preparação contra selecções locais durante a sua permanência na América do Norte. O primeiro encontro está marcado para sábado em Los Angeles, seguiu-se outro jogo em Toronto três dias depois, e a digressão termina com uma partida em Miami na próxima semana. A Federção Sul-Africana confirmou que o selecionador nacional, Hugo Broos, conseguiu manter a maioria dos jogadores-chave no plantel apesar do atraso na viagem.

Broos, antigo defesa-central belga que tomou as rédias da selecção sul-africana em 2022, tinha pedido estes jogos internacionais como preparação para o torneio da Copa das Nações Africanas (AFCON) de 2025. A participação na competição continental está em risco depois de resultados decepcionantes nas eliminatórias, o que aumenta a importância desta digressão para avaliar jogadores e testar tácticas.

Impacto financeiro e reputacional

O atraso de 48 horas terá custado à Safa cerca de 150 mil dólares em despesas adicionais, incluindo reprogramação de voos e indemnizações a fornecedores locais. A federação ainda não revelou publicamente quem assumirá estes custos extra, mas fontes internas sugerem que poderá haver consequências disciplinares internas. O incidente também suscitou questions sobre os protocolos internos da Safa na preparação de viagens internacionais, algo que o Conselho de Administração da federação terá de abordar em breve.

Para os jogadores, a situação criou tensão desnecessária numa altura em que deveriam estar focados exclusivamente no desempenho desportivo. O capitão da equipa, Ronwen Williams, publicou uma mensagem nas redes sociais thanking os adeptos pela paciência e prometendo «dar o máximo» nos jogos que se seguem. Williams é considerado uma das principais figuras do futebol sul-africano actual e a sua liderança será fundamental para manter a moral do grupo após este início atribulado.

O que sigue

A Safa agendou uma conferência de imprensa para a próxima segunda-feira em Los Angeles, onde responsávelis da federação deberán explicar publicamente o que correu mal no processo de obtenção de vistos. Os adeptos sul-africanos estarão atentos para perceber se serão tomadas medidas para evitar situações semelhantes no futuro, especialmente considerando que a África do Sul é candidata a organizar a edição de 2030 da Copa do Mundo em conjunto com vizinhos da região.

No terreno, a equipa de Hugo Broos precisa de resultados positivos para acalmar as críticas. Três vitórias nos jogos de preparação melhorariam significativamente o moral do plantel antes do regresso ao país no final do mês. Os próximos dias serão decisivos para a selecção sul-africana, tanto dentro como fora do campo.

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