Arménia Vai a Votar — Russia e UE Observam em Silêncio
Os eleitores arménios afluíram às mesas de voto esta terça-feira numa votação que atrai atenção internacional máxima. O primeiro-ministro Nikol Pashinyan procura um novo mandato num contexto de paz frágil com o Azerbaijão, enquanto russos e europeus avaliam o futuro da região do Cáucaso Sul.
Votação sob tensão fronteiriça
A votação decorreu sem incidentes graves, segundo os relatos iniciais. Mais de 2,5 milhões de cidadãos estavam registados para votar, num país de aproximadamente 2,8 milhões de habitantes. As mesas de voto abriram às 8h00 (hora local) e encerraram às 20h00, com uma participação que as autoridades descreveram como «dentro dos parâmetros habituais».
O conflito com o Azerbaijão continua a dominar o debate político. Em 2020, uma guerra de seis semanas custou mais de 6.500 vidas e resultou na perda de território arménio no Nagorno-Karabakh. O acordo de paz assinado em 2023 nunca foi totalmente implementado, com ambos os países a acusarem-se mutuamente de violações na fronteira.
Aposta de Pashinyan na continuidade
Nikol Pashinyan, que chegou ao poder em 2018 através de manifestações de rua, apresenta-se como garante da estabilidade. O seu partido, Contrato Civil, enfrenta uma coligação de forças de oposição que prometem reverter a política externa atual. «O povo arménio decide hoje o seu futuro», escreveu Pashinyan numa publicação nas redes sociais antes de votar.
O primeiro-ministro tem apostado numa aproximação gradual à União Europeia, mantendo simultaneamente laços económicos com a Rússia. Esta posição intermédia tem provocado críticas de ambos os lados — nacionalistas acusam-no de ceder demasiado a Baku, enquanto liberais dizem que não avança o suficiente na integração europeia.
A sombra de Moscovo nas eleições
A Rússia mantém uma base militar em Gyumri, a segunda maior cidade arménia, e continua a ser o principal fornecedor de armamento de Erevan. Esta dependência cria um dilema para qualquer governo: como aproximar-se do Ocidente sem alienar um vizinho poderoso? Pashinyan tem sido cauteloso, evitando confrontos directos com Moscovo enquanto tenta diversificar parcerias.
As autoridades russas não fizeram comentários públicos sobre a votação, mas analistas em Moscovo apontam que o Kremlin observa com preocupação qualquer afastamento da Arménia. A influência russa na região diminuiu desde a guerra de 2020, quando a Rússia falhou em defender o seu aliado.
Interesse europeu nas costas do Cáucaso
A União Europeia enviou missões de observação para monitorizar o processo eleitoral. O bloco vê na Arménia um potencial parceiro estratégico no Cáucaso Sul, numa altura em que tenta reduzir a influência de Moscovo na vizinhança oriental.
Bruxelas assinou um acordo de parceria com Erevan em 2017, mas a cooperação aprofundou-se nos últimos anos. O apoio europeu inclui ajuda financeira e técnica, num esforço para oferecer a Arménia uma alternativa aos laços com a Rússia. O resultado das eleições pode acelerar ou travar essa aproximação.
O que acontece a seguir
Os resultados preliminares são esperados já na quarta-feira. A contagem dos votos decorre ao longo da noite, com os números mais tardar conhecidos na quinta-feira. A questão central é saber se Pashinyan consegue manter a maioria absoluta ou se enfrentará um parlamento fragmentado.
O acordo de paz com o Azerbaijão continua por definir em pontos cruciais. As delimitações fronteiriças e o estatuto do Nagorno-Karabakh permanecem sem resolução, alimentando o risco de novo confronto. Os próximos meses serão decisivos para determinar se o cessar-fogo de 2023 se consolida ou se dissolve.
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