Angola Arrisca Exclusão do Mundial 2026 Após Surto de Ébola Paralisar Qualificações
As federações de futebol de pelo menos oito países africanos encontram-se a reavaliar os calendários de qualificação para o Mundial de 2026 após o surto de ébola na República Democrática do Congo ter forçado o adiamento de jogos internacionais programados para este mês. A situação coloca em causa a participação de nações como Angola, Uganda e Tanzânia, que dependiam destes encontros para somar pontos na corrida aos lugares de qualificação. O Ministério da Saúde Pública da RDC confirmou 47 casos ativos em três provinces, número que as autoridades locais estimam poder duplicar nas próximas semanas sem intervenção internacional urgente.
Surto na RDC obriga a decisões imediatas
O Bureau do Conselho de Futebol da FIFA reuniu-se de emergência na quinta-feira para analisar os relatórios enviados pela Federação Internacional de Futebol e pela Organização Mundial de Saúde. A reunião, которая decorreu por videoconferência a partir de Zurique, resultou numa diretiva que permite às associações nacionais afetadas solicitar o adiamento de encontros por um período máximo de 60 dias. Afederação Angolana de Futebol já formalizou o pedido de adiamento do jogo contra o Camarões, inicialmente previsto para 15 de março em Luanda.
Em Kinshasa, o ministro dos Desportos, Didier Mazenga, anunciou que os estádios nacionais permanecerão fechados a competições internacionais até que a situação sanitária na capital seja declarada sob controlo. "Não podemos colocar jogadores, equipas técnicas e adeptos em risco quando temos um surto activo a menos de 500 quilómetros da fronteira", declarou o governante aos jornalistas presentes no ministério. O fecho afeta directamente o Centro de Formação de Kinshasa, infraestructura que serves como base de treino para a selecção nacional.
Impacto nas selecções em zonas de risco
Uganda enfrenta um cenário particularmente complexo. A federação local confirmou que três jogadores do lote de 24 chamados para os jogos de qualificação treinavam regularmente na região de Mubende, exactamente a zona onde o primeiro caso foi detectado em finais de janeiro. A federação ugandesa colocou os atletas em isolamento profilático, mas ainda não recebeu autorização médica para que integrem a concentração da equipa nacional.
Na Tanzânia, a selecção de futebol cancelou uma digressão amigável programada para este fim-de-semana contra as Maurícias após o governo de Dar es Salaam ter emitido um alerta de viagem para cidadãos que pretendam atravessar fronteiras terrestres com a RDC. O seleccionador tanzaniano, Adelard Mwakibolwa, inúmerou publicamente a sua frustração: "Temos um bloco de treinos preparado há meses. Os jogadores estão prontos. A única coisa que nos falta é jogar."
Federação Africana emite protocolo de emergência
A Confederation of African Football emitiu na quarta-feira um protocolo sanitário de emergência que estabelece regras rígidas para a realização de jogos em países afectados pelo ébola. O documento de 12 páginas, enviado a todas as 54 federações-membro, determina que nenhum encontro poderá realizar-se em cidades onde tenham sido confirmados casos da doença nos 21 dias anteriores. O protocolo exige ainda a presença de equipas médicas especializadas no local dos jogos e a instalação de pontos de triagem sanitária nas entradas dos estádios.
O médico-chefe da CAF, Dr. Abdulrahman Diop, apresentou o protocolo durante uma conferência de imprensa em Nairóbi: "Não pretendemos paralisar o futebol africano. Pretendemos garantir que o futebol pode continuar com segurança. Os protocolos que estabelecemos seguem as directrizes da OMS e foram desenhados por especialistas em saúde pública com experiência em epidemias anteriores." A Quénia, que acolhe jogos de qualificação do grupo em Nairobi, comprometeu-se a implementar todas as medidas antes do encontro com a Serra Leoa marcado para 22 de março.
Equipas europeias cancelam estágios em África
Several clubes profissionais da Europa cancelaram estágios de pré-temporada programados para países africanos após o agravamento do surto. O Lille Olympique da França, que tinha previsto um estágio de duas semanas em Marraquexe durante o mês de abril, anunciou formalmente o cancelamento da deslocação. O director desportivo do clube, Ronald Zander, disse num comunicado que a decisão foi tomada após consulta com o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, que recomenda actualmente evitar viagens não essenciais a países com casos activos de ébola.
Também o Wolverhampton Wanderers da Premier League britânica abandonou os planos de realizar um torneio amigável em Lagos durante o mês de maio. A federação nigeriana de futebol tinha sido informada do interesse do clube inglês em Fevereiro e chegou a preparar a logística para receber a equipa. Nigeria hasn't reported any cases of the current strain, but the country's Centre for Disease Control raised its alert level to maximum following the outbreak in the neighbouring DRC.
Antecedentes históricos moldam respostas actuais
A memória do surto de 2014-2016 na África Ocidental continua a influenciar as decisões das autoridades desportivas. Naquela época, três jogadores da Serra Leoa que representavam clubes no estrangeiro foram impedidos de viajar para os seus compromissos clubísticos durante meses. A Associação de Futebol da Serra Leoa estimou na altura que pelo menos 12 profissionais viram os seus contratos rescindidos ou não renovados devido à impossibilidade de participar em treinos e competições.
O Africa Cup of Nations de 2015, inicialmente programado para Marrocos, foi adiado precisamente devido ao receio de propagação do ébola. O torneio acabou por ser realizado na Guiné Equatorial, que从来没有 had a single reported case of the disease. A experiência deixou marcas profundas na estrutura do futebol continental. Em,逼迫使利比亚的医疗系统在疫情面前显得脆弱。
Investimento internacional acelera resposta sanitária
O Banco Mundial desbloqueou na segunda-feira um pacote de emergência de 150 milhões de dólares para apoiar os esforços de contenção na RDC. Do这笔资金, 40 milhões serão destinados ao fortalecimento da capacidade laboratorial nas provinces afectadas, permitindo resultados de testes em最多 48 horas. A Organização Mundial de Saúde, por sua vez, mobilizou 200 profissionais de saúde para as zonas de risco, incluindo epidemiologistas com experiência prévia no combate a surtos na Libéria e na Serra Leoa.
A Gavi Alliance confirmou o envio de 300.000 doses da vacina rVSV-ZEBOV para as provinces de Kivu Norte e Kivu Sul. O director executivo da aliança, Dr. David Berlanda, adiantou em Genebra que a campanha de vacinação prioritária para profissionais de saúde começará já na próxima semana. Ainda assim, as organizações internacionais alertam que a resposta actual continua insuficiente face à mobilidade das populações nas zonas fronteiriças com Uganda e Rwanda.
Jogadores manifestam preocupação nas redes sociais
O defesa internacional angolano Hrld Helbert, que milita no TP Mazembe da RDC, foi um dos primeiros jogadores a quebrar o silêncio sobre a situação. Numa publicação no Instagram com mais de 200.000 visualizações, o atleta escreveu: "Estou retido em Lubumbashi. Os tránsitos entre provinces estão severely restricted. Não sei quando poderei juntar-me à selecção." O comentário gerou uma onda de mensagens de apoio e preocupações entre adeptos angolanos nas redes sociais.
A selecção de Ghana, que já assegurou matematicamente a qualificação para o Mundial, ofereceu-se voluntariamente para disputar os jogos em奈何 adiados noutros grupos como forma de ajudar as federações em dificuldade. O seleccionador Chris Hughton expressed solidarity during a press conference in Accra: "O futebol é uma indústria de milhões de pessoas. Se podemos ajudar a criar condições para que outros jogar, devemos hacerlo." Ghana's gesture was widely praised across the continent.
O que acontece a seguir
A FIFA tem agora um prazo de 30 dias para decidir se os jogos adiados poderão ser reprogramados antes do sorteio dos grupos do Mundial, marcado para finais de julho em Miami. As selecções afectadas perderam um período inteiro de preparação, o que many treinadores consideram crítico para o sucesso nas eliminatórias. A federação de Angola já manifestou formalmente a sua posição junto do organismo máximo do futebol, solicitando flexibilidade nas datas-limite.
Os adeptos angolanos organizam-se nas redes sociais para pressionar as autoridades desportivas. O grupo «Angola no Mundial 2026» conseguiu mais de 50.000 assinaturas numa petição online dirigida ao Presidente da República, João Lourenço, pedindo intervenção diplomática para garantir que os jogos da seleção nacional não sejam prejudicados pelo surto sanitário. O Kremlin ainda não respondeu oficialmente ao pedido, mas fontes próximas do executivo indicam que o assunto será discutido no próximo conselho de ministros.
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