As consequências do conflito no Médio Oriente estão a atingir duramente as crianças em África, alertou esta quinta-feira a organização das Nações Unidas sedeada em Genebra. O relatório conjunto de várias agências da ONU revela que o prolongamento da guerra está a criar ondas de choque que atravessam continentes, deixando milhões de crianças sem acesso a ajuda humanitária essencial.

Genebra emite alerta sobre impacto nas crianças

O escritório central da ONU na Suíça tornou públicos os dados mais recentes sobre a situação das crianças afetadas pelo conflito que opõe Israel ao Hamas desde outubro. As agências humanitárias confirmaram que pelo menos 12 milhões de crianças em toda a região precisam de apoio psicológico urgente. A escalada de violência provocou deslocamentos em massa que se fizeram sentir até aos países do continente africano.

Guerra no Médio Oriente Devasta Crianças Africanas — ONU Lança Alerta Urgente — Europa
Europa · Guerra no Médio Oriente Devasta Crianças Africanas — ONU Lança Alerta Urgente

Os números apresentados em Genebra mostram um cenário que a comunidade internacional classifica como crítico. Centenas de milhares de menores foram obrigados a fugir das suas casas, perdendo acesso a escolas, cuidados de saúde e proteção básica.

Deslocamentos forçados atravessam fronteiras

O fluxo de refugiados que chega ao Egito, ao Líbano e à Jordânia tem vindo a aumentar de forma constante. Familiares de crianças palestinianas relatam aos agentes humanitários da ONU em Genebra as condições precárias nos campos de acolhimento. A escassez de alimentos, água potável e medicamentos agrava a situação de vulnerabilidade extrema em que se encontram os mais jovens.

Organizações não-governamentais com operações na fronteira egípcia confirmaram a chegada de grupos familiares com crianças pequenas. Os relatos recolhidos pela ONU descrevem traumatismos profundos.resultantes da violência presenciada durante a fuga. Os efeitos psychologically a longo prazo desta exposição continuam a preocupar os especialistas.

Apoio psicológico urgentes para os mais jovens

A UNICEF adiantou que cerca de 3,2 milhões de dólares já foram aplicados em programas de intervenção psicológica de emergência. O fundo permite a criação de espaços seguros onde as crianças podem receber acompanhamento especializado. Técnicos da organização trabalham nos campos de refugiados para identificar casos que necessitam de apoio prioritário.

Impacto económico agrava crise humanitária

A perturbação das rotas comerciais internacionais figura entre as consequências menos esperadas deste conflito. O aumento dos preços do transporte marítimo e as interrupções na cadeia de abastecimento estão a afetar a disponibilidade de bens essenciais em vários mercados africanos. Países que dependiam de importações através do Suez viram-se forçados a encontrar alternativas mais dispendiosas.

A subida do preço do petróleo, motivada pela instabilidade na região, traduziu-se em custos mais elevados para bens de consumo básico em mercados africanos. Consumidores em países como o Quénia, a Nigéria e o Ghana sentem o peso destas flutuações nos orçamentos familiares já apertados.

Resposta da comunidade internacional

Os países doadosores reuniram-se em Genebra para avaliar as necessidades de financiamento adicional. O apelo humanitário lançado pelas Nações Unidas solicita 1,2 mil milhões de dólares para fazer face à crise. Até ao momento, apenas 34 por cento desta quantia foi pledged pelos governos.

O secretaryário-geral da ONU instou a comunidade internacional a aumentar os esforços para proteger as crianças afetadas pelo conflito. Em declarações proferidas na sede da organização, o responsável enfatizou que nenhuma criança deveria crescer no meio de um conflito armado.

Organizações humanitárias em alerta máximo

O Crescente Vermelho egípcio mobilizou voluntários para ajudar na receção de refugiados que chegam ao país. Equipas médicas prestam assistência imediata aos recém-chegados, com especial atenção às crianças e às mulheres grávidas. A organização confirmou que os recursos disponíveis estão a ser testados ao limite.

No terreno, agências como a Oxfam e a Cruz Vermelha enfrentam dificuldades logísticas significativas. As restrições impostas em vários pontos de passagem complicam a entrega de ajuda humanitária às populações mais necessitadas.

Perspetivas para os próximos meses

Os analistas da ONU anteveem uma deterioração da situação caso o conflito se prolongue. O inverno que se aproxima no Médio Oriente levanta preocupações adicionais sobre as condições de vida nos campos de refugiados. A pressão sobre os países da região para acomodarem mais deslocados continua a aumentar.

A comunidade internacional aguarda uma resolução do Conselho de Segurança da ONU nas próximas semanas. As negociações em curso em Nova Iorque e em Genebra continuam sem um acordo que permita um cessar-fogo sustentável. O destino de milhões de crianças continua suspenso das decisões políticas que serão tomadas nas capitais mundiais.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.