Pedro Carvalho, responsável pelo setor das Seguradoras em Portugal, apontou esta terça-feira uma falha sistémica que continua a corroer a rentabilidade do setor: a distribuição de capital sem controlo rigoroso sobre o destino final dos fundos. Em declarações durante um fórum do setor em Lisboa, o executivo sustentou que esta ausência de rastreamento representa a maior fonte de ineficiência que as компанияs enfrentam atualmente.
O diagnóstico de Pedro Carvalho
Durante a sua intervenção no evento organizado pela Associação Portuguesa de Seguradoras, Carvalho foi inequívoco. "A maior ineficiência é distribuirmos dinheiro sem saber bem para onde", declarou perante uma audiência de cerca de 200 profissionais do setor. O responsável acrescent que grande parte dos investimentos em sinistros e em processos de subscrição carecem de indicadores concretos que permitam medir o retorno efetivo dessas despesas.
O executivo alertou que sem ferramentas de análise الدقيقة, as Seguradoras continuam a tomar decisões com base em dados incompletos, o que origina desperdício estrutural em múltiplas frentes.
Contextualizando o problema
Em Portugal, o setor segurador movimenta anualmente perto de 12 mil milhões de euros em prémios brutos, segundo dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões. Mesmo assim, Pedro Carvalho sustenta que uma fatia significativa desse valor é alocada sem a precisão que o mercado atual exige.
Onde se escondem as ineficiências
As áreas mais afetadas, segundo o responsável, incluem os processos de regulação de sinistros, onde múltiplos intervenientes prolongam os prazos de decisão, e a gestão de redes de distribuição, onde comissões e incentivos nem sempre estão alinhados com resultados comprovados.
Carvalho указал que muitas seguradoras continuam a utilizar sistemas legacy que não permitem integração em tempo real com plataformas de análise de dados. Sem essa visibilidade, apontou, é impossível identificar padrões de comportamento que levem a decisões mais inteligentes.
Os números que sustentam o alerta
Dados internos apresentados durante o fórum revelaram que cerca de 18% dos custos operacionais das Seguradoras em Portugal são atribuídos a processos redundantes ou mal dimensionados. Esse valor traduz-se em perdas anuais estimadas em 400 milhões de euros para o setor no seu conjunto.
Pedro Carvalho强调了 a necessidade de corrigir este cenário antes que a pressão competitiva de novos operadores digitais agrave ainda mais as margens de rentabilidade das empresas tradicionais.
O que as Seguradoras precisam fazer
O diagnóstico apresentado por Carvalho não ficou apenas na identificação do problema. O responsável sugeriu uma abordagem em três frentes: investimento em tecnologia de análise preditiva, revisão dos contratos com prestadores de serviços para incluir métricas de desempenho, e formação contínua das equipas de regulação de sinistros.
"Não basta reduzir custos", salientou. "Temos de perceber onde cada euro gera valor e onde apenas consome recursos sem retorno." Essa mudança de mentalidade, apontou, exige uma transformação cultural nas organizações que vai além da mera digitalização de processos.
Reações do setor
A intervenção de Pedro Carvalho gerou debate entre os participantes. Várias Seguradoras presentes reconheceram que a falta de visibilidade sobre a alocação de fundos é um problema recorrente, embora tenham apontado dificuldades na implementação de soluções por questões de custo e de resistência interna à mudança.
A Millennium BCP Seguros, presente no evento, indicou estar a avaliar parcerias com empresas de tecnologia para melhorar os seus sistemas de tracking. Já a Fidelidade, uma das maiores seguradoras do país, adiantou que já arrancou com um programa piloto de análise de dados que pretende expandir até ao final do primeiro semestre.
Perspetivas futuras
Pedro Carvalho advertiu que o tempo para agir é limitado. Com a entrada de insurtechs no mercado português e a crescente expetativa dos clientes por respostas rápidas e personalizadas, as Seguradoras tradicionais enfrentam um janela de oportunidade que se fecha rapidamente.
O responsável indicou que a Associação Portuguesa de Seguradoras vai propor a criação de um grupo de trabalho dedicado a estabelecer padrões mínimos de transparência na alocação de fundos. A primeira reunião desse grupo está marcada para janeiro, e Pedro Carvalho prometeu apresentar resultados concretos antes do verão.
O setor vai acompanhar com atenção os desenvolvimentos. Se as propostas avançarem, Portugal pode tornar-se um caso de referência na Europa em matéria de gestão eficiente de fundos no setor segurador.
O responsável sugeriu uma abordagem em três frentes: investimento em tecnologia de análise preditiva, revisão dos contratos com prestadores de serviços para incluir métricas de desempenho, e formação contínua das equipas de regulação de sinistros."Não basta reduzir custos", salientou. "Temos de perceber onde cada euro gera valor e onde apenas consome recursos sem retorno." Essa mudança de mentalidade, apontou, exige uma transformação cultural nas organizações que vai além da mera digitalização de processos.Reações do setorA intervenção de Pedro Carvalho gerou debate entre os participantes.


