A ascensão da China como potência global tem gerado tensões significativas com os Estados Unidos, evocando o conceito de "Thucydides Trap", que descreve a rivalidade entre uma potência em ascensão e uma potência estabelecida. Com as dinâmicas geopolíticas a mudarem, a África surge como um novo campo de batalha estratégico entre estas duas nações.

A Rivalidade EUA-China e a África

Recentemente, a China intensificou sua presença na África, investindo mais de $ 200 bilhões em infraestrutura no continente nos últimos anos. Esse investimento inclui projetos significativos como o desenvolvimento de ferrovias em países como o Quénia e a Etiópia, além de grandes projetos de energia em Angola. A crescente influência da China destaca-se em um momento em que os EUA tentam recuperar terreno perdido.

China Desafia EUA na África – A Nova Arena Estratégica Global — Europa
Europa · China Desafia EUA na África – A Nova Arena Estratégica Global

Enquanto isso, o governo dos EUA, sob a liderança do Presidente Joe Biden, anunciou uma nova estratégia para a África, focando em investimentos em saúde e tecnologia. O secretário de Estado Antony Blinken afirmou que “os Estados Unidos estão comprometidos em reforçar parcerias com países africanos para contrabalançar a influência da China”.

O Que é o Thucydides Trap?

O conceito de "Thucydides Trap" foi originalmente formulado pelo historiador grego Thucydides, que analisou a rivalidade entre Atenas e Esparta durante a Guerra do Peloponeso, que durou de 431 a 404 a.C. Essa rivalidade resultou em um conflito devastador, levando à queda de Atenas. A teoria sugere que, quando uma potência emergente ameaça a posição de uma potência estabelecida, a guerra se torna uma possibilidade real.

O historiador Graham Allison popularizou a ideia em seu livro "Destined for War", onde argumenta que 12 das 16 rivalidades nas quais a potência emergente e a potência dominante estavam em conflito resultaram em guerras. Esta teoria está agora em foco, à medida que as relações entre EUA e China se deterioram, especialmente com relação ao envolvimento na África.

A Repercussão da Rivalidade na África

A competição entre China e os EUA na África não é apenas uma questão de influência política, mas também de controle econômico. A China tem obtido acesso a recursos naturais, com investimentos em minas e petróleo em vários países africanos. Em contraste, os Estados Unidos têm enfatizado a promoção de boas práticas de governança e direitos humanos como parte de sua estratégia.

Um estudo da Brookings Institution revela que a China já tem um volume comercial com a África de $ 185 bilhões, superando os $ 50 bilhões dos EUA. Essa discrepância destaca a necessidade de os Estados Unidos reavaliarem sua abordagem em relação ao continente.

Implicações para Portugal e a Europa

A situação na África também tem repercussões para Portugal e a Europa, especialmente devido à sua história de laços coloniais e relações comerciais com vários países africanos. A nova dinâmica pode afetar as importações e exportações, resultando em mudanças nas políticas comerciais e investimentos.

Além disso, com a África se tornando um ponto focal de competição entre potências globais, a União Europeia pode ser pressionada a formular uma estratégia coesa para a sua abordagem ao continente, a fim de proteger os seus interesses econômicos e políticos.

O Que Acompanhar a Seguir?

À medida que a rivalidade entre EUA e China continua a se intensificar, os países africanos enfrentam o desafio de equilibrar suas relações com ambas as potências. Os próximos meses serão cruciais, com a realização da Cimeira EUA-África programada para o próximo ano, que pode moldar o futuro das relações entre o continente e as superpotências. A forma como os líderes africanos navegarem essa situação determinará o desenvolvimento econômico e a estabilidade política no continente.

Opinião Editorial

A nova dinâmica pode afetar as importações e exportações, resultando em mudanças nas políticas comerciais e investimentos.Além disso, com a África se tornando um ponto focal de competição entre potências globais, a União Europeia pode ser pressionada a formular uma estratégia coesa para a sua abordagem ao continente, a fim de proteger os seus interesses econômicos e políticos.O Que Acompanhar a Seguir?À medida que a rivalidade entre EUA e China continua a se intensificar, os países africanos enfrentam o desafio de equilibrar suas relações com ambas as potências. Esta teoria está agora em foco, à medida que as relações entre EUA e China se deterioram, especialmente com relação ao envolvimento na África.A Repercussão da Rivalidade na ÁfricaA competição entre China e os EUA na África não é apenas uma questão de influência política, mas também de controle econômico.

— minhodiario.com Equipa Editorial
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Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.