O Ministério da Cultura da província da Natal, na África do Sul, anunciou a expulsão de um grupo religioso localizado em uma região remota, por rejeitar serviços básicos como emprego, educação e assistência médica. A decisão foi tomada após uma investigação do Departamento de Assuntos Tradicionais, que identificou o grupo como uma ameaça à integridade social e ao desenvolvimento local.

Grupo religioso rejeita sistema de vida moderno

O grupo, conhecido como "Filhos da Luz", é composto por cerca de 150 pessoas que vivem em uma área isolada perto de Mkuze, na província de Natal. Segundo o Ministério da Cultura, os membros do grupo recusam-se a trabalhar, a frequentar escolas e a utilizar serviços de saúde, alegando que são "escolhidos por Deus" e devem viver em completa separação do mundo exterior.

Autoridades tradicionais expulsam grupo religioso em Natal — Empresas
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“A comunidade está em risco de sofrer prejuízos econômicos e sociais se continuarmos a permitir que grupos como este se isolarem”, afirmou o ministro provincial da Cultura, Sipho Mkhize. “Nossa responsabilidade é garantir que todos os cidadãos tenham acesso a oportunidades básicas de desenvolvimento.”

Contexto histórico e reações locais

O grupo tem sua origem em uma seita cristã que surgiu na década de 1980, mas que se tornou mais isolada ao longo dos anos. A expulsão foi aprovada após uma série de reclamações de vizinhos, que relataram dificuldades para obter ajuda em emergências médicas e para garantir o acesso de crianças ao ensino.

“Eles não se comunicam com ninguém e não participam de nenhuma atividade comunitária”, disse Thandiwe Nkosi, líder da associação de moradores de Mkuze. “A comunidade inteira sofre com a falta de cooperação e com o impacto negativo que isso gera.”

Impacto na região e no futuro

A expulsão do grupo afeta diretamente a região de Natal, onde a pobreza e a falta de acesso a serviços básicos ainda são desafios significativos. O governo provincial afirma que o grupo representava um obstáculo à integração social e à inclusão, especialmente em áreas já marginalizadas.

“Este é um passo importante para garantir que todos os cidadãos, independentemente de suas crenças, tenham acesso a oportunidades iguais”, disse Mkhize. “A cultura tradicional não pode ser usada como desculpa para negar direitos básicos.”

Reações de organizações religiosas

Organizações religiosas locais expressaram preocupação com a decisão, alegando que a expulsão pode levar à marginalização do grupo e a possíveis violações de direitos humanos. A Igreja Metodista da África do Sul, por exemplo, pediu que o governo considere alternativas que respeitem a liberdade religiosa, sem comprometer o bem-estar da comunidade.

“A liberdade religiosa é fundamental, mas também precisamos garantir que todos tenham acesso a serviços essenciais”, afirmou o reverendo John Mlambo, líder da Igreja Metodista. “Temos que equilibrar direitos individuais com o bem coletivo.”

O que vem por aí

O grupo tem 15 dias para deixar a região, segundo o Ministério da Cultura. Durante esse período, as autoridades locais estão trabalhando em um plano de apoio para garantir que os membros do grupo possam se relocalizar de forma segura e com acesso a serviços básicos.

A decisão pode definir um precedente para futuros casos de grupos que rejeitam serviços essenciais. A legislação sul-africana permite que autoridades tradicionais tomem medidas para proteger a integridade social, mas o equilíbrio entre direitos individuais e coletivos continua sendo um desafio.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.