Enfermeiros de todo o país iniciaram uma greve nacional no dia 12 de maio, afetando hospitais públicos e privados. A paralisação, convocada pela Associação Portuguesa de Enfermagem (APE), ocorre após meses de negociações falhadas com o Ministério da Saúde. A greve afeta mais de 100 instituições de saúde, incluindo hospitais em Lisboa, Porto e Coimbra. A APE afirma que a paralisação é necessária para reivindicar melhores condições de trabalho e salários.

Greve afeta serviços de saúde em todo o país

A greve dos enfermeiros, que teve início na quinta-feira, 12 de maio, impacta diretamente os serviços de emergência e internamento em hospitais de todo o país. O Ministério da Saúde informou que, em Lisboa, 30% das enfermarias estão com escassez de pessoal, causando atrasos na assistência aos pacientes. Em Coimbra, o Hospital de S. João de Deus teve que redirecionar alguns casos de urgência para outros centros.

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Segundo a APE, mais de 10 mil enfermeiros participaram da greve, que foi aprovada por 90% dos associados. A associação afirma que a paralisação é uma medida de última instância, já que as reivindicações sobre salários e condições de trabalho não foram atendidas. "Estamos em greve para chamar a atenção para a crise no setor da saúde", afirmou Maria Ferreira, presidente da APE.

Contexto da greve: salários e condições precárias

A greve ocorre em um contexto de crise na área da saúde em Portugal, com salários dos enfermeiros considerados abaixo do custo de vida em muitas regiões. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o salário médio de um enfermeiro em Portugal é de 1.350 euros, um valor considerado insuficiente para custear as despesas básicas. Além disso, a escassez de pessoal e a alta carga de trabalho são fatores que contribuem para o descontentamento.

O Ministério da Saúde afirmou que está a analisar as reivindicações e que busca uma solução que equilibre as necessidades dos profissionais e a sustentabilidade do sistema. "Entendemos a frustração dos enfermeiros, mas precisamos de um diálogo constante para encontrar soluções duradouras", afirmou o secretário de Estado da Saúde, João Gomes Ferreira.

Impacto na população e na economia

A greve dos enfermeiros impacta diretamente a população, com pacientes enfrentando atrasos e, em alguns casos, atrasos na cirurgia. O Hospital de São João, em Porto, relatou que 20% das cirurgias foram adiadas. A Associação Portuguesa de Enfermagem destacou que a paralisação é temporária, com duração prevista de 10 dias. No entanto, a entidade alerta que a situação pode se prolongar se as reivindicações não forem atendidas.

Além do impacto na saúde, a greve também afeta a economia, já que o setor de saúde é um dos maiores empregadores do país. O ministro da Saúde afirmou que a paralisação pode gerar custos adicionais, estimados em 10 milhões de euros, devido à necessidade de contratação de profissionais temporários.

Reações e próximos passos

A greve repercutiu em todo o país, com manifestações em Lisboa e Porto, onde enfermeiros e pacientes se manifestaram em apoio à paralisação. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) também se solidarizou com a APE, afirmando que a greve é uma forma legítima de reivindicar direitos. "Não podemos mais ignorar o esforço dos profissionais de saúde", disse o líder do SEP, Carlos Silva.

O Ministério da Saúde anunciou que irá realizar uma reunião de negociação com a APE na próxima semana. A data ainda não foi definida, mas a expectativa é que as negociações ocorram até o dia 20 de maio. A APE, por sua vez, reforçou que a greve continuará até que haja avanços nas conversas.

Problemas de infraestrutura e falta de pessoal

Além dos salários, a greve também aborda problemas de infraestrutura e falta de pessoal nos hospitais. Em muitas unidades, os enfermeiros atuam com carga de trabalho acima do recomendado, o que aumenta o risco de erros médicos e esgotamento profissional. Segundo uma pesquisa do Instituto de Ciências da Saúde, 70% dos enfermeiros trabalham mais de 60 horas por semana, um dos maiores índices da Europa.

Além disso, a escassez de recursos, como equipamentos e medicamentos, também é um fator crítico. O Hospital da Luz, em Lisboa, relatou que, durante a greve, houve dificuldade em manter os serviços de emergência, devido à falta de pessoal. "Estamos tentando manter o mínimo necessário, mas a situação é crítica", afirmou o diretor do hospital.

A greve dos enfermeiros em Portugal é uma resposta à crise no setor da saúde, com reivindicações que vão além dos salários. A paralisação, que começou em 12 de maio, afeta centenas de hospitais e tem gerado impactos significativos na população e na economia. Com negociações em andamento, os próximos dias serão decisivos para encontrar uma solução que atenda tanto os profissionais quanto o sistema de saúde. A APE e o Ministério da Saúde aguardam por uma resposta do Governo até o final da semana.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.