A professora Prinola Govenden, da Universidade de Johannesburg (UJ), foi nomeada para o cargo de Chair da UNESCO na África, um reconhecimento internacional por seu trabalho em inclusão digital e equidade cultural. A designação foi anunciada em outubro de 2024, durante a Conferência Mundial da UNESCO em Paris. O cargo visa impulsionar políticas que reduzam a brecha digital no continente, com foco em regiões como a África do Sul, onde 45% da população ainda não tem acesso à internet de qualidade.

O cargo da UNESCO e sua importância

A UNESCO criou o cargo de Chair da África em 2022, como parte de uma iniciativa para promover a igualdade digital e a preservação cultural. A professora Prinola Govenden, especialista em tecnologia e políticas públicas, foi escolhida entre mais de 200 candidatos. Sua missão inclui coordenar projetos com governos, ONGs e universidades para desenvolver soluções acessíveis e sustentáveis.

Professora Prinola Govenden nomeada para cargo da UNESCO na África — Energia
energia · Professora Prinola Govenden nomeada para cargo da UNESCO na África

“Este cargo é uma oportunidade de impactar diretamente as vidas de milhões de pessoas”, disse Govenden em entrevista. “A inclusão digital não é apenas sobre acesso à internet, mas sobre criar oportunidades para todos.” O projeto tem orçamento de 1,2 milhões de euros para os próximos três anos, com foco em regiões rurais e comunidades marginalizadas.

Contexto histórico e desafios atuais

A África enfrenta desafios significativos para expandir o acesso à tecnologia. Segundo a Organização Internacional de Telecomunicações (ITU), apenas 31% da população do continente tem acesso regular à internet. Em países como Angola e Moçambique, esse número cai para menos de 20%. A falta de infraestrutura e recursos financeiros limita o progresso, especialmente em áreas rurais.

“A digitalização é um direito humano”, afirma o secretário-geral da UNESCO, Audrey Azoulay. “A África precisa de liderança forte para garantir que ninguém fique para trás.” A nomeação de Govenden é vista como um sinal de que a organização está priorizando a região, onde mais de 60% da população tem menos de 25 anos.

Projetos iniciais e parcerias

Já em 2025, a professora Prinola Govenden iniciará projetos piloto em quatro países africanos: Zâmbia, Quênia, Tanzânia e Senegal. Os programas incluem a criação de centros comunitários de acesso à tecnologia e a formação de professores em metodologias digitais. A UJ, onde Govenden é diretora do Centro de Tecnologia e Inovação, será uma das principais parceiras.

“A UJ tem experiência com iniciativas similares, como o projeto Digital Empowerment, que já beneficiou mais de 100 mil pessoas”, explica o reitor da universidade, Dr. Sipho Dlamini. “Agora, com o apoio da UNESCO, podemos escalar esse impacto.”

Desafios e expectativas

Apesar das expectativas positivas, a iniciativa enfrenta obstáculos, como a instabilidade política em alguns países e a falta de infraestrutura. A professora Govenden reconhece que o sucesso depende de parcerias fortes e da participação ativa das comunidades. “A tecnologia não é uma solução em si, mas um meio para promover justiça social”, diz ela.

Os primeiros resultados devem ser divulgados em 2026, com relatórios sobre o impacto em educação, saúde e emprego. A UNESCO também planeja criar uma plataforma digital com recursos gratuitos para educadores e líderes locais.

O que vem a seguir

A professora Prinola Govenden deve anunciar os primeiros projetos em fevereiro de 2025, durante uma conferência em Pretória. A UNESCO também planeja reunir representantes de governos e organizações para discutir estratégias de financiamento e governança. Os próximos meses serão decisivos para definir a trajetória do cargo e seu impacto real.

Para os leitores em Portugal, a iniciativa da UNESCO pode inspirar parcerias com instituições africanas, especialmente na área de inovação e educação. O que se segue é um desafio global, mas com potencial para transformar vidas em escala continental.

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Autor
Analista de mercados e jornalista de dados com formação em Estatística pelo ISEG — Lisboa School of Economics & Management. Paulo integra metodologias quantitativas na cobertura jornalística, produzindo análises baseadas em dados sobre setores como turismo, imobiliário e retalho. Foi investigador no INE antes de transitar para o jornalismo económico. Domina ferramentas de visualização de dados e econometria aplicada.