Uma mãe de Lisboa revelou que acreditava que seu filho tinha um tumor cerebral, mas descobriu que ele havia sido envenenado com doses excessivas de vitamina D. O caso, que chocou a comunidade médica local, levou a uma investigação oficial e levanta questões sobre a forma como os sintomas são interpretados em casos graves.

Como o caso começou

Joana Ferreira, mãe de um menino de 8 anos, levou o filho ao hospital em meados de março após ele apresentar sintomas como dores de cabeça intensas, náuseas e perda de equilíbrio. Os médicos inicialmente suspeitaram de um tumor cerebral, o que causou grande preocupação na família. Após exames e uma ressonância magnética, a equipe médica decidiu submeter o menino a uma série de testes mais detalhados.

Mãe de Lisboa Acusa Médicos de Erro na Diagnóstico de Tumor Cerebral — Empresas
empresas · Mãe de Lisboa Acusa Médicos de Erro na Diagnóstico de Tumor Cerebral

Após semanas de exames e consultas, um novo diagnóstico surpreendeu a família: o menino não tinha tumor, mas sim uma intoxicação por vitamina D. A causa? A ingestão de suplementos de vitamina D em doses muito acima do recomendado, por um período prolongado. Joana alega que o filho estava tomando o suplemento sob orientação de um profissional, mas que não foi monitorado adequadamente.

Investigações iniciadas

O caso foi levado ao Ministério da Saúde de Lisboa, que abriu uma investigação interna para averiguar a conduta dos médicos e profissionais que acompanharam o caso. Segundo o Ministério, a investigação vai analisar se houve falhas na interpretação dos resultados de exames ou na orientação dada ao paciente.

“É inacreditável que um diagnóstico tão grave tenha sido feito sem uma análise mais completa”, afirmou Joana Ferreira em uma entrevista. “Eu estava em pânico, mas agora entendo que o erro foi grave.” A mãe também destacou que o filho teve que passar por um tratamento de desintoxicação e que, até o momento, não há indicações de danos permanentes.

Excesso de suplementos é um problema crescente

O caso de Lisboa é parte de um fenômeno crescente em Portugal, onde o uso de suplementos, muitas vezes sem orientação médica, tem levado a complicações sérias. Segundo a Direção-Geral da Saúde, 12% dos casos de intoxicação por medicamentos em crianças menores de 10 anos estão relacionados a suplementos alimentares.

Expertos em nutrição alertam que a vitamina D, embora essencial, pode ser perigosa em doses elevadas. Um excesso pode causar hipercalcemia, uma condição que leva a sintomas como fadiga, confusão e até danos renais. O caso em Lisboa reforça a necessidade de uma melhor regulamentação e orientação sobre o uso desses produtos.

Reações da comunidade médica

A Sociedade Portuguesa de Pediatria emitiu um comunicado sobre o caso, afirmando que a comunidade médica está reavaliando os protocolos de triagem para evitar diagnósticos precipitados. O comunicado também destacou a importância de uma maior colaboração entre médicos e famílias para evitar erros.

“O erro não pode ser atribuído a um único profissional, mas sim a uma falha no processo de atendimento”, disse o Dr. Miguel Costa, presidente da sociedade. “É fundamental que os médicos tenham acesso a informações completas e que as famílias sejam mais informadas sobre os riscos de suplementos.”

O que vem por aí

O Ministério da Saúde deve divulgar os resultados da investigação dentro de 30 dias. A família do menino já está buscando apoio jurídico para ajuizar uma ação contra o hospital e os profissionais envolvidos. Além disso, a Direção-Geral da Saúde planeja lançar uma campanha educativa sobre o uso seguro de suplementos.

Joana Ferreira, por sua vez, quer que outros pais evitem cometer os mesmos erros. “Eu aprendi uma lição difícil”, disse. “Espero que este caso sirva para melhorar o sistema de saúde e proteger outras crianças.”

O caso de Lisboa reforça a importância de uma atenção cuidadosa nos diagnósticos médicos e no uso de suplementos. Com a investigação em andamento e a campanha educativa em preparação, a comunidade espera que o caso leve a mudanças reais no sistema de saúde português.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.