O ministro da Comunicação Social, Currin, anunciou oficialmente a nova campanha de combate à desinformação, que visa mobilizar jornalistas e profissionais de comunicação para combater o aumento do conteúdo falso em Portugal. A iniciativa, lançada em Lisboa no dia 15 de outubro, tem como objetivo principal fortalecer a credibilidade da mídia e garantir que as informações divulgadas sejam verificadas e confiáveis. O ministro destacou que o problema da desinformação cresceu significativamente nos últimos meses, com uma subida de 35% nos relatos de notícias falsas no país.

Campanha busca engajamento de profissionais da mídia

A nova estratégia do Ministério da Comunicação Social inclui a criação de um grupo de trabalho composto por jornalistas, editores e especialistas em verificação de fatos. O grupo será responsável por revisar e validar notícias antes da sua publicação, com o objetivo de reduzir a disseminação de informações errôneas. Currin destacou que a colaboração entre os profissionais da mídia e o governo é essencial para proteger a sociedade de conteúdos enganosos.

Currin lança campanha contra desinformação em Portugal — Politica
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“Acredito que a responsabilidade de combater a desinformação não é apenas do Estado, mas também dos profissionais da comunicação. Juntos, podemos garantir que as pessoas recebam informações precisas e confiáveis”, afirmou Currin durante o evento em Lisboa.

Contexto da crise da desinformação em Portugal

Portugal enfrenta um aumento na circulação de notícias falsas, especialmente nas redes sociais. Segundo dados do Observatório da Mídia, em 2023, 28% das notícias compartilhadas nas redes sociais no país foram classificadas como falsas ou manipuladas. Esse aumento ocorre em um período em que a desinformação tem sido usada como ferramenta política e social em vários países da Europa.

O ministro Currin explicou que a campanha busca não apenas conter o problema, mas também educar a população sobre como identificar e denunciar notícias falsas. “Precisamos de um maior engajamento da sociedade para combater essa onda de desinformação”, disse.

Novas medidas e parcerias

Além do grupo de trabalho, o governo também anunciou parcerias com plataformas digitais como Facebook e Twitter para criar ferramentas de verificação de conteúdo. Essas parcerias incluem a implementação de uma nova funcionalidade que alerta os usuários sobre a veracidade das notícias antes que sejam compartilhadas. A iniciativa foi bem recebida por organizações de defesa da liberdade de imprensa, que destacaram a importância de uma abordagem colaborativa.

“Acredito que essa abordagem é uma das mais eficazes para combater a desinformação. A união entre Estado, mídia e tecnologia é essencial para proteger a sociedade”, afirmou Maria Fernandes, diretora da Associação Portuguesa de Jornalistas.

Desafios e críticas

Apesar das boas intenções, a campanha enfrenta críticas de alguns setores. Um grupo de jornalistas questiona se a intervenção do governo pode comprometer a independência da mídia. “A verificação de notícias é uma tarefa que deve ser feita por profissionais, não por uma instituição governamental”, destacou um representante da Associação dos Jornalistas Independentes.

Além disso, há preocupações sobre a possibilidade de censura. Para mitigar isso, o governo afirmou que as ações serão baseadas em princípios de transparência e liberdade de expressão. “Nossa meta é fortalecer a credibilidade da mídia, não controlá-la”, ressaltou Currin.

O que vem por aí?

A nova campanha terá início oficial em novembro, com o lançamento de uma plataforma digital para denúncias de notícias falsas. O governo também planeja realizar uma série de workshops em diferentes cidades portuguesas, incluindo Porto, Coimbra e Faro, para capacitar jornalistas e cidadãos sobre como identificar e combater a desinformação. As ações serão monitoradas por um comitê independente, que emitirá relatórios trimestrais sobre o impacto da iniciativa.

Com o aumento da desinformação em todo o mundo, a resposta de Portugal pode servir como um modelo para outros países. O que importa agora é como o público reagirá e se engajará na luta contra as notícias falsas.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.