O Investimento em Vistos em Portugal registou um crescimento exponencial no primeiro ano após a implementação de novas regras, disparando quase 300% e gerando 46,8 milhões de euros em 2025. O aumento foi impulsionado por um novo regime de investimento imobiliário, que permitiu a entrada de capital estrangeiro no setor da construção e turismo. A medida, aprovada pelo Ministério da Economia, visa atrair investidores e estimular a economia nacional.

Novo regime de Vistos estimula investimento

O novo sistema de Vistos, introduzido em janeiro de 2025, permite a aquisição de imóveis por investidores estrangeiros com o objetivo de obter residência permanente em Portugal. O regime, que exige um investimento mínimo de 350 mil euros em imóveis, gerou um forte interesse por parte de investidores da Ásia e da América Latina. A medida foi apoiada pelo secretário de Estado do Investimento, João Carvalho, que destacou o impacto positivo no mercado imobiliário e na criação de empregos.

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O crescimento do Investimento em Vistos foi especialmente notável em Lisboa e no Algarve, onde a procura por imóveis subiu 200% em relação ao ano anterior. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de pedidos de Vistos aumentou em 280% no primeiro trimestre de 2025, com a maioria dos solicitantes vindo da China, Brasil e Singapura.

Impacto no mercado imobiliário

O aumento do Investimento em Vistos tem tido um efeito direto no mercado imobiliário português. A procura por imóveis em áreas turísticas e urbanas elevou os preços em média 15%, segundo a Associação de Profissionais Imobiliários de Lisboa. A alta demanda também levou a um aumento na construção de novos empreendimentos, com empresas como Sonae e EDP investindo cerca de 100 milhões de euros em projetos de habitação e turismo.

O secretário de Estado da Habitação, Ana Ferreira, reconheceu o impacto positivo do Investimento em Vistos, mas alertou para a necessidade de controlar os preços e garantir que os imóveis sejam utilizados como residências permanentes. "A medida tem gerado empregos e investimento, mas precisamos de equilibrar o crescimento com a acessibilidade para os portugueses", afirmou.

Críticas e debates sobre o modelo

Apesar do sucesso inicial, o modelo de Investimento em Vistos enfrenta críticas por parte de alguns grupos de defesa do consumidor e de movimentos sociais. A Associação de Consumidores de Lisboa questiona se o aumento dos preços está a prejudicar a população local. "Muitos moradores estão a ser deslocados devido ao aumento dos aluguéis e da especulação", disse o presidente da associação, Miguel Silva.

O Ministério da Economia, no entanto, defende que o Investimento em Vistos é uma forma de atrair capital estrangeiro e impulsionar a economia. "O regime é uma oportunidade para Portugal se posicionar como um destino de investimento de alta qualidade", afirmou o ministro, João Pimenta.

Regulamentação e futuras mudanças

O governo está a considerar novas regras para garantir que os investidores não explorem o sistema apenas para obter residência. A proposta inclui a obrigatoriedade de manter o imóvel por pelo menos três anos e a possibilidade de aumentar o valor mínimo do investimento. Essas mudanças estão em discussão no parlamento e podem ser aprovadas até o final do ano.

Além disso, o Ministério da Administração Interna está a trabalhar em uma plataforma digital para acelerar o processo de obtenção de Vistos, reduzindo o tempo médio de tramitação de 90 dias para 30 dias. A medida, que entrará em vigor no segundo trimestre de 2026, visa aumentar a eficiência do sistema e atrair ainda mais investidores.

O que vem a seguir?

O próximo passo será a aprovação das novas regras de regulamentação do Investimento em Vistos, que devem ser debatidas no parlamento nos próximos meses. Além disso, o governo planeja divulgar novos dados sobre o impacto do regime no primeiro trimestre de 2026. Os investidores e o setor imobiliário devem acompanhar de perto os rumos da política de Vistos, já que a evolução do modelo pode influenciar o mercado e a economia nacional.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.