O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou dados que mostram que a inflação subiu 0,7% em julho, o maior aumento mensal desde o início de 2022. A alta foi impulsionada por preços crescentes em energia, alimentação e serviços. O aumento da inflação pode ter impacto direto sobre mercados globais, incluindo o português, onde o ouro e o petróleo são itens sensíveis.

O aumento da inflação nos EUA

A inflação dos EUA subiu para 0,7% em julho, segundo o Departamento de Trabalho. Esse é o maior aumento mensal desde março de 2022, quando a inflação estava em 1,1%. A alta foi impulsionada principalmente pelos preços dos combustíveis, que subiram 1,8% no mês, e pelos serviços, como saúde e educação, que subiram 0,6%. A taxa anualizada de inflação chegou a 3,2%, acima da meta da Reserva Federal, que é de 2%.

EUA registam maior inflação mensal desde 2022, pressionam mercado global — Empresas
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O aumento da inflação reflete desafios de abastecimento e pressões nos custos de produção. Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, a alta é uma "preocupação real", mas acredita que o governo está tomando medidas para conter o aumento. "Estamos monitorando de perto o comportamento dos preços e trabalhando com o Federal Reserve para garantir estabilidade", disse Yellen em um comunicado.

Impacto no mercado global e em Portugal

O aumento da inflação nos EUA tem efeitos em cadeia, especialmente em mercados como o português. O ouro, que é um ativo considerado seguro, subiu 1,2% na semana seguinte ao anúncio. Em Lisboa, o preço do ouro subiu para 68 euros por grama, segundo a Associação Portuguesa de Ouro e Prata. "A inflação nos EUA é um sinal de que os investidores estão buscando proteção contra a perda de valor do dinheiro", afirma João Ferreira, diretor da associação.

Além do ouro, o petróleo também foi afetado. O crude Brent subiu 2,5% na semana após o anúncio, refletindo preocupações com a volatilidade global. Em Portugal, o preço médio da gasolina chegou a 1,92 euros por litro, segundo a Agência Nacional de Energia. "Essa alta pode levar a pressões adicionais sobre o orçamento das famílias", alerta Maria Silva, economista da Universidade de Lisboa.

Reações do mercado e expectativas

O mercado financeiro reagiu com cautela. A bolsa de Nova York fechou em queda de 0,8% após o anúncio, enquanto o dólar subiu 0,5% contra o euro. Os investidores estão ansiosos com a possibilidade de novas altas de juros por parte da Reserva Federal, o que pode afetar o crescimento global.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) está monitorando de perto a situação. "A inflação nos EUA pode ter efeitos indiretos sobre a inflação em Portugal e na zona do euro", diz o presidente do BCE, Christine Lagarde. "Estamos preparados para agir caso necessário", completa.

Pressões sobre o ouro e o petróleo

O ouro, tradicionalmente visto como um refúgio em tempos de incerteza, teve uma das maiores altas da semana. Em Lisboa, o preço subiu 1,2% na quinta-feira, com muitos investidores buscando proteção contra a inflação. "Aumentos no preço do ouro são comuns em períodos de alta inflação, pois os investidores buscam ativos que não perdem valor", explica o analista financeiro Pedro Almeida.

O petróleo também sofreu pressões. O preço do crude Brent subiu 2,5% após o anúncio, refletindo preocupações com a estabilidade global. Em Portugal, o preço médio da gasolina chegou a 1,92 euros por litro, segundo a Agência Nacional de Energia. "Essa alta pode levar a pressões adicionais sobre o orçamento das famílias", alerta Maria Silva, economista da Universidade de Lisboa.

O que está por vir

O próximo passo será a reunião da Reserva Federal, que acontece em agosto. A possibilidade de novas altas de juros é uma preocupação para investidores e economistas. No Brasil, o Banco Central deve manter a taxa de juros em 13,75% na próxima reunião, segundo especialistas.

Para Portugal, a inflação está em 2,1% em julho, segundo o Instituto Nacional de Estatística. O governo está monitorando o impacto da inflação nos preços do ouro e do petróleo. "A situação é estável, mas precisamos estar atentos", diz o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

O próximo relatório de inflação nos EUA será divulgado em agosto, e os mercados estarão atentos às novas previsões. Em Portugal, os investidores devem acompanhar as mudanças no preço do ouro e do petróleo, já que esses ativos estão diretamente ligados ao comportamento da inflação global.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.