Bruxelas iniciou uma reunião de emergência para discutir os preços dos adubos e o apoio aos agricultores após um aumento significativo nos custos de produção. O encontro contou com a presença do comissário europeu para Agricultura, Janusz Wojciechowski, que destacou a necessidade de uma resposta rápida para evitar impactos na segurança alimentar. A reunião ocorreu em Bruxelas, na sede da União Europeia, e envolveu representantes de todos os Estados-membros.

Preços dos adubos subiram 25% em 6 meses

O aumento dos preços dos adubos, que atingiu 25% nos últimos seis meses, tem gerado preocupação entre os agricultores europeus. A subida é atribuída ao aumento dos custos de energia e da matéria-prima, especialmente após a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia. Na reunião, o comissário Wojciechowski destacou que o custo médio de um saco de fertilizante nitrogenado subiu de 120 euros para 150 euros no período.

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O impacto é sentido principalmente em países como Portugal, onde o setor agrícola é essencial para a economia. Segundo o Ministério da Agricultura português, mais de 20% dos agricultores estão enfrentando dificuldades financeiras devido ao aumento dos insumos. O secretário de Estado da Agricultura, Rui Cordeiro, pediu ao executivo europeu que considere medidas de apoio direto, como subsídios temporários para os produtores mais afetados.

Proposta de plano de ação para 2024

Na reunião, Bruxelas anunciou que vai lançar um plano de ação para 2024 com o objetivo de estabilizar os preços dos adubos e melhorar a eficiência do uso de insumos. O plano inclui a criação de uma base de dados comunitária para monitorar os custos e ações de incentivo à agricultura sustentável. O comissário Wojciechowski destacou que a União Europeia busca equilibrar a necessidade de apoio aos agricultores com a manutenção da competitividade do setor.

Entre as medidas propostas, está a possibilidade de reforçar o Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) para financiar ações de adaptação às mudanças climáticas e ao aumento dos custos. A iniciativa também prevê a promoção de alternativas aos fertilizantes químicos, como compostos orgânicos e técnicas de agricultura de precisão.

Críticas e apelos por transparência

Apesar das propostas, alguns grupos de agricultores e associações europeias criticaram a falta de transparência sobre os custos reais dos fertilizantes. A Federação Europeia dos Agricultores (EuroCOPA) pediu que a Comissão Europeia divulgue dados detalhados sobre as importações e a distribuição dos insumos. “Precisamos de maior clareza para entender onde está o gargalo e como resolver”, afirmou o presidente da EuroCOPA, Pekka Pesonen.

Na mesma linha, o deputado português do PS, João Cotrim de Figueiredo, defendeu que o governo nacional deve acompanhar de perto as decisões da UE. “A agricultura portuguesa depende em grande parte das políticas europeias. É fundamental que o Estado português atue como intermediário entre Bruxelas e os produtores locais”, disse.

O que vem a seguir?

O plano de ação da UE deve ser apresentado oficialmente até o final do mês de março. A Comissão Europeia também anunciou que realizará uma consulta pública para coletar opiniões de agricultores, empresas e instituições. A data limite para envio de contribuições é 15 de abril, com a publicação final prevista para junho de 2024.

Para os agricultores portugueses, a esperança é que as medidas propostas sejam concretas e eficazes. Segundo o presidente da Associação dos Agricultores de Portugal, António Leal, “o tempo é curto. O setor precisa de respostas rápidas para evitar prejuízos maiores”.

Os próximos meses serão decisivos para a definição das políticas agrícolas da União Europeia. A evolução dos preços dos adubos, juntamente com as medidas de apoio, será um dos fatores-chave para o futuro do setor agrícola em Portugal e em toda a Europa.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.