Mónica Quintela foi eleita presidente da Associação Portuguesa de Agentes de Seguros (APAR) com 72% dos votos no congresso realizado em Lisboa. A escolha ocorreu após uma eleição marcada por uma forte campanha política e por críticas ao modelo atual de governança da associação. Quintela, que já foi diretora-geral da Autoridade de Seguros e Serviços Financeiros (ASF), assume o cargo com o desafio de modernizar a estrutura da APAR e melhorar a relação com os seguradores.
Quem é Mónica Quintela?
Mónica Quintela é uma figura conhecida no setor de seguros em Portugal. Com mais de 20 anos de experiência, foi diretora-geral da ASF entre 2013 e 2017. Durante o seu mandato, promoveu maior transparência e regulamentação no setor, temas que agora volta a abordar no novo cargo. A sua eleição gerou reações mistas, com alguns membros da APAR a elogiar a sua experiência e outros a questionar a sua independência.
Quintela assume o cargo em uma altura em que a APAR enfrenta pressões de diferentes frentes. A associação tem sido criticada por uma falta de representatividade e por uma gestão considerada burocrática. A sua eleição é vista como um sinal de mudança, embora alguns analistas duvidem que possa mudar profundamente a estrutura do organismo.
Diogo Cabrita e o impacto na APAR
Diogo Cabrita, economista e analista de mercado, destacou que a eleição de Quintela pode ter um impacto significativo no setor de seguros, especialmente se ela for capaz de implementar reformas. "Ela tem a experiência necessária para enfrentar os desafios da APAR, mas o real desafio será convencer os membros da associação a apoiar mudanças estruturais", disse Cabrita em declarações à RTP.
O impacto de Quintela em Portugal vai além da APAR. A sua experiência na ASF e no setor privado pode influenciar políticas de regulação e transparência no mercado de seguros. A sua presença na associação pode também atrair mais atenção do público e das autoridades sobre os desafios do setor.
Condições do setor e desafios
O setor de seguros em Portugal enfrenta desafios como a concorrência de seguradoras estrangeiras e a necessidade de inovação tecnológica. A APAR, que representa mais de 1500 agentes, tem sido criticada por não se adaptar rapidamente às mudanças do mercado. Quintela, que já foi criticada por alguns agentes por ter trabalhado no sector regulador, agora tem a oportunidade de redefinir a sua imagem.
Além disso, a APAR enfrenta pressões para reduzir custos e melhorar a eficiência. A sua nova presidente terá que equilibrar as expectativas dos agentes com as necessidades do mercado. "A APAR precisa de se reinventar", afirmou um agente que preferiu não ser identificado.
O que significa esta eleição para o futuro?
A eleição de Mónica Quintela é vista como um marco na história da APAR. O seu mandato começa em janeiro de 2024, e os primeiros passos incluem a revisão da estrutura da associação e a redefinição de políticas. A sua capacidade de unir os membros da APAR será essencial para o sucesso do novo ciclo.
Quintela tem até o final do ano para apresentar um plano de ação. A sua gestão será observada com atenção, especialmente pelo setor privado e pela Autoridade de Seguros e Serviços Financeiros. A APAR pode estar no início de uma nova fase, mas o caminho será longo e cheio de desafios.
O que esperar da nova gestão
Quintela já anunciou que vai reforçar a comunicação com os agentes e promover a transparência na gestão da APAR. Ela também pretende reforçar a formação contínua e a adaptação ao digital. "A APAR tem que se adaptar ao novo mundo, se quiser sobreviver", afirmou em uma declaração pública.
Os próximos meses serão cruciais para ver se Quintela consegue implementar as mudanças que promete. A sua gestão será testada não apenas por seus próprios membros, mas também pela sociedade em geral. O que acontecer na APAR pode ter reflexos em todo o setor de seguros em Portugal.
Com o novo mandato, a APAR tem a oportunidade de se reinventar. O desafio está em transformar as promessas em ações concretas. A comunidade de seguros e o público em geral estarão atentos ao que acontece nos próximos meses.


