A recolha biométrica foi retomada ao início da tarde em aeroportos de Lisboa e Faro, após uma suspensão temporária que causou atrasos e frustrações entre viajantes. A medida, implementada pela Direção-Geral das Alfândegas e Serviços Aduaneiros (DGAA), visa garantir a segurança e a eficiência no controle de passageiros estrangeiros. O processo, que envolve a coleta de dados biométricos como impressões digitais e fotografias, foi interrompido por cerca de duas horas, afetando centenas de passageiros.

Retomada da recolha biométrica em Lisboa e Faro

A suspensão ocorreu por volta das 12h30, quando o sistema de recolha biométrica apresentou falhas técnicas. A DGAA informou que a interrupção foi causada por um problema no software de processamento de dados, que foi rapidamente identificado e corrigido. Às 14h30, os serviços foram normalizados, permitindo que os passageiros continuassem com o procedimento.

Recolha biométrica retomada em Lisboa e Faro após suspensão — Empresas
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Segundo fontes oficiais, a medida foi adotada como parte de um plano de contingência para garantir a continuidade dos serviços. "A DGAA prioriza a segurança e a eficiência dos processos. As falhas técnicas são raras, mas quando ocorrem, são resolvidas com a máxima urgência", afirmou o diretor-geral da DGAA, Luís Ferreira.

Impacto na mobilidade aérea

A interrupção da recolha biométrica gerou atrasos significativos em voos internacionais, especialmente em voos que partiam do Aeroporto de Lisboa. Passageiros que chegavam de destinos como Londres, Paris e Nova Iorque relataram dificuldades para completar o processo de imigração. O aeroporto de Faro também sofreu impactos, com uma fila mais longa de passageiros esperando para serem atendidos.

O impacto foi sentido principalmente por turistas e empresários que estavam com agendas apertadas. "Fiquei preso por mais de uma hora na fila. Isso atrapalhou minha conexão com o avião para Madrid", disse Ana Ferreira, uma turista que viajava para a Espanha.

Contexto da recolha biométrica em Portugal

A recolha biométrica é uma medida implementada pela União Europeia para reforçar a segurança nos limites externos do Espaço Schengen. Portugal aderiu ao sistema em 2017, e desde então, o processo é obrigatório para cidadãos de países terceiros que desejam entrar no espaço Schengen. O sistema permite a identificação rápida de viajantes e reduz o risco de entrada de pessoas com antecedentes criminais ou documentos falsos.

O aeroporto de Lisboa é um dos principais pontos de entrada para estrangeiros no país. Em 2023, mais de 10 milhões de passageiros passaram pelo terminal, sendo 60% deles estrangeiros. A eficiência do processo é fundamental para manter o fluxo de turistas e negócios.

Reações da indústria do turismo

As associações do setor turístico expressaram preocupação com a interrupção. "A recolha biométrica é essencial para a segurança, mas a falha técnica pode prejudicar a imagem de Portugal como um destino seguro e organizado", afirmou Maria Silva, diretora da Associação de Turismo de Lisboa.

Alguns hotéis e agências de turismo também notaram uma leve queda nas reservas. "Apesar de a interrupção ter sido breve, algumas pessoas optaram por adiar sua viagem por medo de novas dificuldades", disse João Costa, proprietário de uma agência de viagens em Lisboa.

Próximos passos e monitoramento

A DGAA informou que está realizando uma análise detalhada para evitar que novas falhas ocorram. A instituição também está em contato com os provedores de tecnologia para garantir a estabilidade do sistema. "O objetivo é assegurar que os serviços de imigração sejam eficientes e seguros", disse o diretor-geral.

Os viajantes são recomendados a chegar ao aeroporto com antecedência e a verificar as condições do processo de recolha biométrica antes de embarcar. O próximo monitoramento será feito em 30 dias, com a publicação de um relatório sobre a eficiência do sistema.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.