Portugal anunciou uma nova estratégia nacional de digitalização com um investimento de 500 milhões de euros até 2025, visando transformar setores como a saúde, educação e administração pública. O anúncio foi feito pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, durante uma conferência em Lisboa, destacando a necessidade de modernizar a infraestrutura tecnológica do país para competir no mercado global.

O Plano Nacional de Digitalização

O plano, apresentado em abril de 2024, é parte de uma iniciativa mais ampla do governo para acelerar a transição digital em Portugal. A iniciativa prevê a criação de 150 novos centros de inovação e a digitalização de 80% dos serviços públicos até 2025. O ministro Eduardo Cabrita destacou que a digitalização é essencial para melhorar a eficiência e a transparência da administração pública.

Portugal Implementa Plano Digital com Inversão de 500 Milhões de Euros — Empresas
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Entre os projetos mais ambiciosos está a implementação de sistemas de digital twins, que permitem simular processos e infraestruturas em tempo real. Este tipo de tecnologia é já utilizado em países como Alemanha e Singapura, e Portugal pretende adotá-la para otimizar a gestão de cidades inteligentes e a gestão de recursos naturais.

Além disso, o governo vai investir em formação digital para 100 mil profissionais do setor público. A iniciativa inclui a criação de um centro nacional de competências digitais, localizado em Coimbra, que vai oferecer cursos especializados em inteligência artificial, análise de dados e segurança cibernética.

Impacto no Setor Público e Privado

O novo plano digital tem implicações diretas para o setor público e privado. Para o setor público, a digitalização vai reduzir custos operacionais e melhorar a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. Para o setor privado, o governo espera atrair investimentos estrangeiros em tecnologia, estimulando a criação de novas empresas e empregos.

Segundo a Associação Portuguesa de Tecnologia e Inovação (APTi), o investimento em digitalização pode gerar até 20 mil novos empregos até 2025. A entidade também salienta que a digitalização é crucial para manter Portugal competitivo no contexto europeu, especialmente em setores como o automóvel e a indústria 4.0.

Um dos principais desafios será a adaptação das instituições públicas e privadas às novas tecnologias. O ministro Eduardo Cabrita reconhece que a transição não será fácil, mas afirma que o país está pronto para enfrentar os desafios com a ajuda de parceiros internacionais e investidores.

Exemplos de Aplicações em Cidades

Uma das primeiras cidades a adotar a tecnologia de digital twins será Porto, onde o governo vai implementar uma plataforma para gestão de tráfego e infraestrutura urbana. A iniciativa, orçamentada em 20 milhões de euros, visa reduzir os congestionamentos e melhorar a eficiência do transporte público.

Na área da saúde, o Hospital de São João em Porto vai integrar um sistema de digital twin para simular o fluxo de pacientes e otimizar o uso de recursos. O projeto, financiado pelo Ministério da Saúde, tem como objetivo reduzir o tempo de espera e melhorar a qualidade dos atendimentos.

O uso de digital twins também está a ser explorado no setor agrícola. A cooperativa agrícola Alentejo AgroTech vai testar um sistema de monitoramento de cultivos em tempo real, usando sensores e inteligência artificial para otimizar a produção e reduzir desperdícios.

Desafios e Críticas

Apesar do entusiasmo, o plano digital enfrenta críticas de especialistas e sindicatos. A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) alerta que a digitalização pode levar à automação de postos de trabalho, especialmente em áreas como a administração e o atendimento ao público.

Além disso, há preocupações sobre a privacidade dos dados. O Comité Nacional de Ética e Direitos do Cidadão (CNEDC) solicitou ao governo que estabeleça regras claras para a proteção de informações sensíveis, especialmente em sistemas que envolvem cidadãos e serviços públicos.

O ministro Eduardo Cabrita afirma que o governo está a trabalhar com o CNEDC para garantir que a digitalização respeite os direitos dos cidadãos. “A tecnologia deve servir para melhorar a vida das pessoas, não para controlá-las”, disse em declarações ao jornal Público.

Próximos Passos e Cronograma

O governo espera concluir a primeira fase do plano digital até o final de 2024. Nesse período, serão lançados os primeiros centros de inovação e iniciadas as primeiras aplicações de digital twins em cidades e serviços públicos.

Para garantir o sucesso do projeto, o governo vai realizar uma série de consultas públicas com sindicatos, associações e cidadãos. A primeira delas está marcada para o próximo mês, em Lisboa.

Os próximos meses serão decisivos para ver se Portugal consegue transformar sua economia e administração pública com o apoio da tecnologia. A digitalização não é apenas uma tendência, é uma necessidade para o futuro do país.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.