O Instituto de Ciências e Tecnologia Agrárias (ICTA) em Portugal revelou que macroalgas são eficazes na remoção de corantes sintéticos da água, segundo um estudo recente. A pesquisa, realizada em colaboração com a Universidade de Lisboa, demonstrou que certas espécies de algas marinhas podem absorver até 85% dos corantes presentes em águas residuais industriais. O projeto, financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, tem como objetivo explorar alternativas sustentáveis para o tratamento de água.
Como as macroalgas funcionam no tratamento de água
As macroalgas, como a Ulva lactuca, são conhecidas por sua capacidade de absorver substâncias químicas do ambiente aquático. No estudo, os pesquisadores colocaram amostras de águas contaminadas com corantes sintéticos em tanques com estas algas e monitoraram o processo durante 15 dias. Após esse período, a concentração de corantes foi reduzida significativamente, com resultados mais expressivos em condições de luz solar intensa.
O professor José Silva, líder da equipe de pesquisa, explica que a eficiência das macroalgas está ligada à sua capacidade de realizar fotossíntese e absorver compostos orgânicos. “Além de ser uma solução ecológica, o uso de macroalgas pode reduzir custos de tratamento de águas residuais, especialmente em áreas industriais”, afirma. O estudo foi publicado na revista científica "Environmental Technology & Innovation" e já atraiu atenção de empresas e autoridades locais.
Impacto na indústria e no meio ambiente
O setor têxtil é um dos principais responsáveis pela poluição da água por corantes sintéticos. Em Portugal, a região do Alto Minho, onde há muitas fábricas de tecidos, é um dos focos do estudo. Segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente, mais de 30% das águas residuais industriais na região contêm substâncias coloridas que dificultam o tratamento convencional.
A implementação de tecnologias baseadas em macroalgas pode reduzir a dependência de métodos químicos caros e potencialmente tóxicos. “Este é um passo importante para a sustentabilidade ambiental”, diz Ana Ferreira, representante da Associação Portuguesa de Indústrias Têxteis. A ideia é que, em um futuro próximo, as empresas possam integrar sistemas de cultivo de macroalgas como parte de seu processo de tratamento de águas.
Desafios e próximos passos
Ao contrário de sistemas tradicionais, o uso de macroalgas exige cuidados específicos, como a manutenção da qualidade da água e a gestão do crescimento das plantas. Além disso, a escala de aplicação ainda é limitada, e os pesquisadores estão trabalhando para otimizar o processo. “Precisamos de mais estudos para entender como a técnica se comporta em diferentes condições ambientais”, afirma o Dr. Silva.
O próximo passo é testar a eficácia das macroalgas em instalações industriais reais. A Universidade de Lisboa e o ICTA planejam iniciar uma parceria com uma fábrica de tecidos no Porto para aplicar a tecnologia em larga escala. Se bem-sucedido, o projeto pode se tornar um modelo para outras regiões de Portugal e até para outros países da União Europeia.
Exemplo de aplicação em prática
- Testes em tanques de cultivo em Lisboa
- Monitoramento da eficiência em diferentes níveis de poluição
- Colaboração com empresas têxteis do Porto
O que esperar nos próximos meses
Os resultados do estudo já geraram interesse de órgãos governamentais e empresas. Em outubro, o Ministério da Ciência vai promover uma conferência sobre inovações em tratamento de águas, onde o projeto será apresentado. A expectativa é que, até o final do ano, o método comece a ser testado em instalações industriais. O sucesso do projeto pode levar à criação de políticas públicas que incentivem o uso de tecnologias sustentáveis no setor industrial.


