A nova barca ecologica, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Gestão Marítima (NG), está programada para iniciar as operações no Canal Candiano em junho. A embarcação, que vai recolher resíduos plásticos da água, faz parte de um projeto piloto que pretende reduzir a poluição nos corpos de água da região. O projeto foi anunciado pelo ministro da Infraestrutura, João Ferreira, durante uma conferência em Lisboa.

O projeto e sua finalidade

A barca, construída com materiais recicláveis, será operada por uma equipa de 12 técnicos especializados em gestão de resíduos. Segundo o NG, o objetivo é recolher até 500 quilos de plástico por semana, contribuindo para a limpeza do Canal Candiano. O ministro Ferreira destacou que o projeto é uma resposta à crescente preocupação com a poluição das águas em zonas urbanas.

Barca ecologica começa a operar em junho no Canal Candiano — Empresas
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“Este é um passo importante para a sustentabilidade ecológica. O Canal Candiano é um dos pontos mais poluídos de Lisboa, e esta iniciativa vai ajudar a reduzir o impacto ambiental”, afirmou Ferreira. A embarcação será financiada com recursos do Orçamento do Estado, com um investimento de 1,2 milhões de euros.

Contexto e impacto regional

O Canal Candiano, localizado no centro de Lisboa, é um importante eixo de transporte fluvial e um símbolo da cidade. No entanto, nos últimos anos, tem sido alvo de críticas por sua condição de poluição. Estudos do Instituto Hidrológico Nacional revelaram que mais de 30% dos resíduos encontrados na água são plásticos, muitos dos quais provenientes de actividades urbanas e turísticas.

Com a entrada em operação da barca, a esperança é que o nível de poluição diminua significativamente. A Secretaria Municipal de Ambiente espera que, até o final do ano, a quantidade de resíduos recolhidos aumente em 40% em comparação com os anos anteriores.

Desafios e expectativas

Apesar das expectativas positivas, o projeto enfrenta alguns desafios. A principal preocupação é a manutenção constante da barca e a capacidade de lidar com a quantidade crescente de resíduos. A NG admitiu que o projeto será avaliado após os primeiros três meses de operação, com possíveis ajustes baseados nos resultados obtidos.

“A barca é uma solução inicial, mas precisamos de uma estratégia mais abrangente para combater a poluição das águas”, afirmou Ana Costa, responsável pelo departamento de sustentabilidade do NG. A expectativa é que, com o sucesso do projeto, novas iniciativas semelhantes sejam implementadas em outras regiões.

Outras iniciativas em Portugal

Além do Canal Candiano, outras iniciativas estão em andamento no país. No Porto, por exemplo, foi lançado um programa de recolha de resíduos plásticos em rios e lagos. No Algarve, uma parceria entre o governo e ONGs visa aumentar a conscientização sobre o uso de plástico.

“A barca é apenas o começo. O verdadeiro impacto virá quando toda a sociedade se engajar na redução do consumo de plástico”, afirmou Carlos Silva, um ativista ambiental de Lisboa.

O que vem a seguir

A barca ecologica começa a operar em junho, mas o verdadeiro teste será nos próximos meses. O NG anunciou que vai monitorar os resultados e apresentar um relatório detalhado até o final do ano. A comunidade local será convidada a participar em actividades de sensibilização, com o objetivo de criar um movimento mais amplo de protecção do meio ambiente.

Os cidadãos estão convidados a acompanhar o progresso do projeto através do site oficial do NG. A iniciativa é vista como um passo importante para a sustentabilidade em Portugal, e seu sucesso pode inspirar novas medidas em outras áreas do país.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.