Amazon anunciou oficialmente que vai deixar de oferecer suporte técnico e atualizações para os modelos mais antigos de Kindle, incluindo o Kindle 2, Kindle 3 e Kindle Touch. A decisão foi divulgada na quinta-feira, 15 de agosto, e já gerou reações fortes de usuários em Portugal e em outros países. A empresa explicou que a medida visa focar recursos em dispositivos mais recentes, mas muitos leitores se sentem abandonados, especialmente os que ainda utilizam os modelos mais antigos.

Decisão da Amazon afeta milhares de usuários em Portugal

O anúncio da Amazon afeta principalmente os usuários que possuem dispositivos Kindle de 2010 a 2013, modelos que ainda são usados por muitos leitores em Portugal. Segundo o site de notícias TechCrunch, cerca de 30% dos usuários de Kindle ainda utilizam versões antigas do aparelho. Em Lisboa, por exemplo, muitos leitores de livros digitais expressaram frustração nas redes sociais, reclamando que a decisão da empresa é desconsiderada.

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Joana Ferreira, usuária de Kindle desde 2011 e residente em Porto, disse: “Estou há anos com meu Kindle 3 e não quero trocar. A Amazon não me deu opção. Acho que é uma forma de forçar os usuários a comprar novos dispositivos, mesmo que não precisem.” A declaração de Joana reflete a opinião de muitos que acreditam que a empresa está priorizando lucros sobre a experiência do cliente.

Contexto histórico e reação da comunidade

A decisão da Amazon é parte de uma estratégia maior de modernização de sua linha de produtos. A empresa já havia anunciado a descontinuação de suporte a alguns modelos em 2020, mas a atualização é a mais recente e mais ampla. O suporte técnico inclui atualizações de software, suporte a e-books e correções de bugs, o que torna a mudança especialmente impactante para usuários que dependem desses recursos.

O grupo de usuários de Kindle no Facebook, com mais de 100 mil membros, registrou um aumento de 40% nas reclamações nos últimos dias. Muitos argumentam que a empresa deveria oferecer uma alternativa para os usuários que não querem ou não podem comprar novos dispositivos. A empresa, por sua vez, afirma que a decisão é necessária para manter a qualidade dos serviços oferecidos a usuários de dispositivos mais recentes.

Impacto em Portugal e no mercado de leitores digitais

Em Portugal, a decisão da Amazon tem implicações significativas, já que o país é um dos maiores mercados da empresa na Europa. Segundo a Nielsen, cerca de 1,2 milhões de portugueses possuem dispositivos de leitura digital, e muitos deles optaram por modelos antigos por custo e praticidade. A falta de suporte pode forçar alguns a adquirir novos dispositivos, aumentando o volume de vendas de novos Kindles, mas também gerando frustração entre os usuários.

Além disso, a medida pode acelerar o crescimento de concorrentes como a Kobo e a Apple, que oferecem alternativas para usuários que não desejam mudar de plataforma. O diretor de tecnologia da Livraria Bertrand, empresa líder no mercado de livros em Portugal, comentou: “A Amazon está reforçando sua estratégia de fidelização, mas isso pode levar alguns consumidores a buscar alternativas mais flexíveis.”

Reclamações e iniciativas de usuários

Em resposta à decisão, alguns usuários portugueses iniciaram uma petição online pedindo que a Amazon revogue a medida. A petição, que já reuniu mais de 10 mil assinaturas, argumenta que a empresa está desrespeitando o direito dos consumidores de usar produtos por um período prolongado. A iniciativa foi liderada por um grupo de leitores que se organizou na plataforma Change.org.

Além disso, grupos de consumidores em Portugal estão pressionando o governo para que investigue se a decisão da Amazon viola as leis de proteção ao consumidor. A Direção-Geral do Consumidor, órgão responsável por esse tipo de análise, já afirmou que está monitorando a situação.

O que vem por aí?

Os usuários afetados têm até o final do ano para se adaptar à nova realidade. A Amazon não estabeleceu um prazo claro, mas acredita-se que a descontinuação do suporte acontecerá gradualmente, começando por alguns modelos e depois se expandindo. Para quem ainda utiliza os modelos mais antigos, a opção de migrar para outras plataformas, como o iPad ou dispositivos Kobo, parece ser a mais viável.

O próximo passo será ver como os usuários reagirão e se a pressão coletiva conseguir mudar a decisão da empresa. A situação também pode motivar um debate mais amplo sobre a responsabilidade das grandes empresas tecnológicas em relação aos seus clientes. O que está claro é que, para muitos leitores em Portugal, a Amazon não é apenas uma loja, mas uma parte essencial da rotina de leitura digital.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.