Uma empresa de laser com sede no País de Gales, a Last, anunciou estar "satisfeita e empolgada" por ter sido seleccionada para contribuir para a missão Artemis II da NASA, que visa levar humanos à Lua pela primeira vez desde 1972. A empresa, localizada em Newport, no País de Gales, desenvolveu tecnologia que será utilizada no sistema de navegação do foguete. O anúncio foi feito no início deste mês, gerando interesse no setor tecnológico e espacial em Portugal e na Europa.

O papel da Last na missão Artemis II

A Last, empresa de tecnologia de laser com mais de 20 anos de experiência, foi escolhida para fornecer componentes críticos para o sistema de navegação da nave Orion, que fará parte da missão Artemis II. A tecnologia da empresa é conhecida por sua precisão e confiabilidade, características essenciais para viagens espaciais. O projecto está orçado em cerca de 200 milhões de euros, com a participação de várias empresas internacionais.

Firma de Laser do País de Gales Participa na Missão Artemis II — Empresas
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O director técnico da Last, David Evans, afirmou que "este é um momento histórico para a nossa empresa e para o País de Gales. A nossa tecnologia está a ser utilizada em uma das missões mais importantes da NASA e isso reforça a posição do País de Gales como um centro de inovação tecnológica".

Contexto da missão Artemis II

A missão Artemis II, prevista para 2024, será a primeira missão tripulada da NASA a orbitar a Lua desde a Apollo 17. A missão tem como objectivo preparar o terreno para uma presença humana prolongada na Lua e, eventualmente, para uma missão a Marte. A colaboração com empresas como a Last é parte de uma estratégia mais ampla de parcerias internacionais para acelerar o progresso espacial.

O ministro da Ciência e Tecnologia do País de Gales, Vaughan Gething, elogiou o anúncio, afirmando que "a escolha da Last demonstra a capacidade do País de Gales de competir no mercado global de tecnologia espacial. Isso é um sinal positivo para a indústria local e para as oportunidades futuras".

Impacto no setor tecnológico em Portugal

O anúncio da participação da Last na missão Artemis II tem gerado interesse no setor tecnológico em Portugal, onde empresas locais estão a observar as oportunidades de colaboração com instituições internacionais. O ministro da Ciência e Tecnologia de Portugal, João Galamba, destacou que "o País de Gales tem demonstrado que é possível construir uma indústria de tecnologia de alta qualidade, mesmo com recursos limitados. Isso pode servir como inspiração para empresas portuguesas que querem expandir para mercados globais".

Analistas em Portugal estão a acompanhar de perto o impacto desta parceria, especialmente no sector de tecnologia de precisão. Segundo um relatório da Fundação Francisco Manuel dos Santos, a indústria de lasers em Portugal tem crescido 12% ao ano nos últimos cinco anos, o que pode ser reforçado com mais parcerias internacionais.

Proximos passos e expectativas

A Last está a trabalhar em estreita colaboração com a NASA para garantir que os componentes sejam desenvolvidos dentro do prazo e com a qualidade exigida. O próximo passo é a realização de testes em larga escala, que devem ser concluídos até o final deste ano. A empresa também está a explorar parcerias com outras instituições europeias para expandir o seu impacto no setor espacial.

Para o setor português, o caso da Last pode servir como um modelo para outras empresas que desejam competir no mercado global. Com a crescente interdependência tecnológica, o futuro da indústria de lasers e tecnologias de precisão em Portugal parece promissor, especialmente se mais empresas conseguirem se integrar em projectos internacionais.

Opiniões de especialistas

Um dos principais especialistas em tecnologia espacial em Portugal, o professor Jorge Ferreira, afirma que "a inclusão de uma empresa do País de Gales na missão Artemis II é um sinal de que a indústria espacial está a se tornar mais inclusiva e internacional. Empresas menores e localizadas podem desempenhar um papel significativo se tiverem a tecnologia certa e o apoio adequado".

Por outro lado, o economista Paulo Santos destaca que "a entrada de empresas como a Last no setor espacial pode criar novas oportunidades de emprego e inovação em Portugal. No entanto, é essencial que o governo continue a investir em educação e formação técnica para manter este impulso".

Com a missão Artemis II a se aproximar, o papel da Last e de outras empresas como ela será fundamental para o sucesso da missão. Para Portugal, o caso da empresa do País de Gales é uma oportunidade de refletir sobre como pode potenciar a sua própria indústria tecnológica e participar em projectos globais de maior escala.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.