O relatório anual da iniciativa Science Based Targets (SBTi) revela que a Europa continua a ser a região com mais empresas a adotar metas climáticas alinhadas com os objetivos da Convenção Climática de Paris, mas a Ásia tem mostrado um crescimento acelerado, especialmente na China e na Índia. O estudo, divulgado em outubro de 2024, aponta que 62% das empresas europeias têm metas verificáveis, contra 38% da Ásia. O ministro da Transição Ecológica de Portugal, João Pedro Matos Fernandes, destacou o papel das metas baseadas em ciência como ferramenta essencial para reduzir as emissões.

Europa lidera, mas a Ásia cresce

A Europa mantém a liderança global em metas climáticas empresariais, com mais de 1.200 empresas adotando metas alinhadas aos objetivos do Acordo de Paris, segundo o relatório da SBTi. Países como Alemanha, França e Reino Unido lideram a adesão. No entanto, a Ásia, especialmente a China e a Índia, tem aumentado o ritmo, com uma taxa de crescimento anual de 15% nas empresas que se comprometem com metas verificáveis. O estudo revela que 38% das empresas asiáticas têm metas climáticas claras, contra 62% da Europa.

Europa lidera metas climáticas, mas Ásia avança rapidamente — Empresas
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Este avanço da Ásia reflete o crescimento do interesse pelas metas baseadas em ciência, impulsionado por pressões regulatórias e pela necessidade de se alinhar a padrões internacionais. O governo chinês tem incentivado as empresas a adotar metas climáticas com base em dados científicos, enquanto a Índia tem priorizado a transição energética em resposta às pressões globais.

Portugal segue a tendência europeia

Em Portugal, o Ministério da Transição Ecológica tem promovido a adesão de empresas ao Science Based Targets, com o objetivo de alinhar o país aos objetivos europeus de descarbonização. Segundo dados do próprio ministério, 58% das grandes empresas nacionais têm metas climáticas verificáveis, acima da média europeia. O ministro João Pedro Matos Fernandes destacou que a transição energética é uma prioridade nacional.

Empresas como EDP e Galp têm adotado metas ambiciosas, com o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050. A EDP, por exemplo, anunciou que pretende reduzir as emissões em 50% até 2030, alinhando-se com as diretrizes da SBTi. O setor energético tem sido um dos mais ativos na implementação dessas metas.

O que significa para Portugal?

O compromisso com as metas baseadas em ciência tem implicações diretas para a economia e o meio ambiente de Portugal. Empresas que adotam estas metas tendem a reduzir custos operacionais, melhorar a imagem corporativa e atrair investimentos sustentáveis. O impacto é especialmente visível no setor energético, onde a transição para fontes renováveis está acelerando.

O ministério tem trabalhado em parceria com a SBTi para criar um ambiente favorável à adesão das empresas. No entanto, há desafios, como a falta de conhecimento técnico e a resistência de algumas empresas tradicionais. O secretário de Estado da Transição Ecológica, Rui Costa, destacou que é necessário apoiar as empresas na transição, com ferramentas de formação e incentivos financeiros.

Desafios e oportunidades

Embora a Europa continue a liderar, a Ásia apresenta oportunidades de crescimento significativo. A China, por exemplo, está a investir massivamente em tecnologias verdes, o que pode impulsionar a adoção de metas baseadas em ciência em larga escala. A Índia, por sua vez, tem vindo a aumentar a sua capacidade de produção de energia limpa, o que pode atrair empresas internacionais.

Para Portugal, o desafio é manter a liderança europeia enquanto se adapta às mudanças globais. A transição para uma economia mais verde não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade de inovação e crescimento económico.

O que vem a seguir?

O próximo passo para Portugal e a Europa será acelerar a adesão de empresas menores e médias ao Science Based Targets, além de garantir que as metas sejam cumpridas com transparência. O ministério planeia lançar um plano nacional para apoiar as empresas na implementação das metas, com o objetivo de atingir os objetivos europeus de descarbonização até 2030.

Para os leitores, é importante acompanhar os desenvolvimentos relacionados com as metas climáticas, especialmente no setor empresarial. A SBTi continuará a monitorar o progresso e a publicar relatórios anuais, com dados atualizados sobre o avanço das metas em diferentes regiões.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.