O Banco Central da Índia (RBI) anunciou uma nova regra que obriga os bancos a processar e pagar remessas internas no mesmo dia útil em que são recebidas. A medida, que entra em vigor em 15 de outubro de 2024, visa acelerar o fluxo de dinheiro entre famílias e empresas, especialmente em um momento em que o sistema financeiro enfrenta desafios de liquidez.

O que mudou e por que é importante

A mudança foi anunciada pelo diretor do Banco Central, Shaktikanta Das, durante uma reunião de emergência em Nova Deli. A nova norma exige que as instituições financeiras processem e libere o dinheiro de remessas dentro do mesmo dia, evitando atrasos que podem prejudicar famílias que dependem desses recursos para despesas essenciais.

Banco Central obriga pagamentos de remessas no mesmo dia útil — Empresas
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O impacto dessa mudança é imediato, especialmente para os trabalhadores indígenas que enviam dinheiro para suas famílias em cidades como Bangalore e Hyderabad. Antes, os pagamentos podiam demorar até dois dias, o que gerava insegurança financeira.

Contexto e histórico da regra

O Banco Central tem vindo a reforçar a regulamentação de remessas desde 2022, quando introduziu limites de valor para transações não registradas. A nova medida é parte de um esforço maior para modernizar o sistema financeiro e reduzir o uso do dinheiro em espécie, que ainda representa mais de 60% das transações no país.

Segundo dados do RBI, cerca de 15 milhões de remessas são feitas mensalmente, com um valor médio de 25.000 rúpias por transação. A nova regra deve diminuir o tempo médio de processamento de 2,5 dias para menos de 6 horas.

Reações do setor e impacto esperado

O Sindicato dos Bancos da Índia (IBA) reconhece a necessidade de modernização, mas alerta que a implementação pode gerar custos adicionais para as instituições. Segundo o presidente do IBA, Rajiv Mishra, “o sistema precisa de investimentos em tecnologia para suportar a nova exigência”.

Para os clientes, a mudança significa maior transparência e velocidade. No entanto, alguns especialistas alertam que a pressão por eficiência pode levar a falhas técnicas, especialmente em regiões com infraestrutura limitada.

Consequências para o setor e o consumidor

Para os bancos: A regra exige que os bancos reforcem suas operações digitais e garantam que os sistemas estejam sempre atualizados. Isso pode acelerar a adoção de tecnologias como blockchain e inteligência artificial.

Para os consumidores: Famílias que dependem de remessas verão um aumento na segurança financeira. No entanto, há preocupações sobre a possibilidade de taxas adicionais para serviços de transferência.

O que está por vir

A nova regra entra em vigor em 15 de outubro, mas os bancos têm até o final do mês para se adaptarem. O RBI também planeja lançar uma campanha de conscientização para explicar os novos processos às comunidades rurais e de baixa renda.

Os especialistas dizem que o sucesso da medida dependerá da capacidade dos bancos de manterem a eficiência sem comprometer a segurança. O próximo passo será a avaliação de impacto, que deve ser divulgada até o final do ano.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.