Prepare, uma das maiores empresas de construção em Portugal, anunciou um aumento de 15% nos preços de vidros e azulejos, fatores críticos na construção de novos empreendimentos. O anúncio ocorreu em Lisboa, onde o setor imobiliário enfrenta pressões crescentes devido a custos de materiais e mão de obra. O aumento impacta diretamente projetos em andamento e novos investimentos, gerando preocupações entre construtores e consumidores.

O aumento dos materiais de construção

O aumento de 15% nos custos de vidros e azulejos, anunciado pela Prepare, está relacionado ao aumento dos preços das matérias-primas e à escassez de fornecedores internacionais. A empresa justificou a decisão com a inflação global e a instabilidade na cadeia de suprimentos. Segundo o diretor de operações da Prepare, José Silva, "os custos de importação subiram cerca de 20% nos últimos meses, o que nos força a repassar os aumentos aos clientes".

Prepare eleva custos de construção com vidros e azulejos — Empresas
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Além disso, o setor de construção em Lisboa enfrenta um cenário de escassez de mão de obra qualificada, o que tem levado a atrasos e custos adicionais. O sindicato dos operários da construção, Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (STCC), afirma que a falta de profissionais está aumentando os salários e, consequentemente, os custos dos projetos. "Estamos vendo aumentos de até 10% nos salários de operários, o que se reflete diretamente no orçamento de cada empreendimento", diz a líder do sindicato, Maria Costa.

Impacto nos investidores e consumidores

O aumento nos custos de materiais e mão de obra está gerando preocupação entre investidores e compradores de imóveis. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço médio de um apartamento em Lisboa subiu 8% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior. "Os aumentos são inaceitáveis para quem quer comprar um imóvel", afirma João Ferreira, um comprador de imóveis em Lisboa.

Para os investidores, a situação é ainda mais crítica. A empresa de desenvolvimento imobiliário Lusitânia Imóveis, que atua principalmente em Lisboa e Porto, teve que adiar a abertura de dois novos empreendimentos devido ao aumento dos custos. "Estamos revisando todos os nossos orçamentos e planejamentos. O cenário é incerto e não podemos correr riscos", diz o diretor de projetos, Rui Mendes.

Contexto econômico e políticas públicas

O aumento dos custos de construção ocorre em um contexto de inflação elevada e políticas de estímulo ao setor imobiliário em Portugal. O Ministério da Habitação, liderado pelo ministro Pedro Nuno Santos, anunciou recentemente um plano de subsídios para projetos de habitação social. No entanto, o impacto dessas medidas ainda não é visível no mercado imobiliário.

Além disso, o aumento de materiais e mão de obra tem levado a críticas ao modelo de desenvolvimento urbano atual. "O setor precisa de mais transparência e planejamento a longo prazo", afirma o economista António Ferreira, da Universidade de Lisboa. "Sem isso, os custos continuarão a subir e o acesso à moradia será cada vez mais difícil."

Desafios para o futuro

Os desafios para o setor de construção em Portugal incluem a necessidade de inovação e a busca por alternativas aos materiais tradicionais. Empresas como a Prepare estão investindo em novas tecnologias de construção, como materiais recicláveis e métodos de construção mais eficientes. "Estamos explorando opções que reduzam o impacto ambiental e os custos", diz José Silva.

Por outro lado, o setor também enfrenta desafios regulatórios. A nova legislação de eficiência energética, que entra em vigor em 2025, exigirá que novos empreendimentos atendam a padrões mais rigorosos. "Isso pode gerar mais custos, mas também é uma oportunidade para modernizar o setor", afirma o especialista em políticas públicas, Sofia Carvalho.

O que vem por aí?

Com a alta de custos de materiais e mão de obra, o setor de construção em Portugal enfrenta um cenário de incerteza. Os próximos meses serão decisivos para o desenvolvimento de novos empreendimentos e para a resposta do mercado. O Ministério da Habitação deve anunciar novas medidas de apoio ao setor até o final do mês, o que pode aliviar parte da pressão sobre construtores e consumidores.

Além disso, a entrada em vigor da nova legislação de eficiência energética em 2025 exigirá adaptações por parte das empresas. O que será feito nesse período pode determinar a sustentabilidade do setor nos próximos anos. Os consumidores e investidores devem acompanhar de perto as mudanças no mercado e as possíveis medidas governamentais.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.