Rajeev Syal In, um activista e jornalista britânico conhecido por sua crítica ao sistema educativo britânico, acusou Portugal de ignorar o destino de estudantes cameroneses que tentam obter educação no Reino Unido. A denúncia surge após uma série de casos em que jovens camboenses foram expulsos de instituições britânicas por não cumprirem requisitos de visto, levantando questões sobre a responsabilidade dos países de origem em apoiar seus cidadãos.
O caso de estudantes cameroneses no Reino Unido
Segundo dados do Ministério da Educação do Reino Unido, 230 estudantes cameroneses foram expulsos de instituições de ensino superior entre 2021 e 2023 por não cumprir as condições de visto. Muitos deles, segundo Syal In, estavam em situação de vulnerabilidade, com poucas opções de regresso ao seu país de origem.
“Portugal, que tem relações estreitas com países africanos, deveria estar mais atento a como o sistema britânico está a afectar jovens que procuram educação”, afirmou Syal In em entrevista à rádio Today. “A falta de apoio ao regresso desses estudantes é um problema global, e Portugal não pode ignorar isso.”
Impacto no sistema educativo português
O caso levantou debates sobre a responsabilidade dos países de origem em apoiar seus cidadãos que estudam no estrangeiro. Portugal, que tem uma política de acolhimento de estudantes internacionais, enfrenta críticas por não ter mecanismos claros para ajudar estudantes que não conseguem permanecer em países como o Reino Unido.
“Há uma lacuna na cooperação internacional”, disse Maria João Ferreira, representante do Ministério da Educação de Portugal. “Não há um protocolo claro para estudantes que não conseguem regressar ao seu país.”
Condições de regresso e apoio
Segundo o Ministério da Educação do Camarão, apenas 15% dos estudantes que saem do país para estudar no estrangeiro conseguem regressar com uma bolsa de estudo ou apoio governamental. A maioria enfrenta dificuldades financeiras e de integração, especialmente após ser expulsa de instituições estrangeiras.
“É urgente criar redes de apoio para estes jovens”, afirmou o ministro da Educação do Camarão, Jean Baptiste Ndi. “Eles são o futuro do nosso país e merecem mais apoio.”
Políticas de acolhimento e cooperação
Portugal e Camarão têm uma cooperação educativa desde 2018, com acordos que incluem trocas de estudantes e programas de formação. No entanto, os mecanismos de apoio para estudantes em situação de dificuldade são limitados.
O ministro Ndi destacou que o Camarão está a trabalhar com instituições europeias para criar programas de apoio, mas o processo é lento. “Precisamos de mais apoio internacional para garantir que os nossos jovens não fiquem abandonados”, afirmou.
Proximos passos e implicações
Com o aumento de casos de estudantes expulsos do Reino Unido, o debate sobre o apoio internacional a jovens estudantes ganha novas dimensões. Portugal e Camarão estão a discutir a possibilidade de criar um programa conjunto de apoio, que inclua bolsas de estudo e acolhimento para estudantes em situação de dificuldade.
“É um passo importante, mas ainda há muito a fazer”, afirmou Syal In. “A comunidade internacional precisa agir com mais responsabilidade para não deixar jovens em situação de vulnerabilidade.”
Os ministérios de Educação de Portugal e Camarão anunciaram que vão reunir-se em novembro para discutir políticas conjuntas. Os resultados desta reunião podem definir novas diretrizes para o apoio a estudantes internacionais em dificuldade.


