Not Very, um estudo publicado esta semana pela Universidade de Lisboa, questiona a atitude de muitos cidadãos que se preocupam com o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. O relatório, divulgado no dia 12 de outubro, afirma que a preocupação excessiva com a automação pode ser considerada "não agente", ou seja, não representa uma atitude proativa diante das mudanças tecnológicas. O estudo foi liderado pelo professor João Ferreira, especialista em inovação e sociedade.
O que é "Agentic" e por que isso importa?
O termo "agentic" refere-se à capacidade de um indivíduo de agir de forma proativa e tomar iniciativas, em vez de se sentir impotente diante de mudanças externas. O estudo de Not Very analisa como a percepção de ameaça por parte dos trabalhadores pode limitar sua capacidade de adaptar-se às novas realidades.
Segundo o professor João Ferreira, "muitas pessoas ainda veem a inteligência artificial como uma ameaça, em vez de uma oportunidade. Isso pode levar à resistência a mudanças necessárias, como a requalificação profissional".
Contexto e impacto no mercado de trabalho
O estudo foi realizado com base em uma pesquisa de 2.000 trabalhadores em Lisboa, entre setembro e outubro de 2023. O resultado revelou que 58% dos entrevistados expressaram preocupação com a automação em suas áreas de atuação. No entanto, apenas 22% disseram que estão tomando medidas concretas, como participar de cursos de formação ou buscar novas habilidades.
Este cenário levanta questões importantes sobre a preparação da força de trabalho para o futuro. O Ministério do Trabalho de Portugal tem sido criticado por não oferecer programas suficientes para a requalificação de profissionais em risco de substituição por máquinas.
Quais são as consequências?
O relatório de Not Very destaca que a falta de ação proativa pode levar a um aumento do desemprego estrutural, especialmente em setores como manufatura, serviços e transporte. O estudo aponta que, até 2030, até 30% dos empregos atuais podem ser substituídos por tecnologias automatizadas.
"Se os trabalhadores não se prepararem, o impacto será mais severo", afirma o professor Ferreira. "A inteligência artificial não é um inimigo, mas sim uma ferramenta que precisa ser usada com sabedoria".
Como o público reagiu?
A publicação do estudo gerou discussões nas redes sociais, especialmente entre jovens profissionais que se sentem desafiados pela rápida evolução tecnológica. No Twitter, a hashtag #AgenticLisboa começou a ganhar destaque, com muitos usuários compartilhando suas experiências e opiniões.
"Acho que o estudo tem razão. Muitos de nós temem o futuro, mas precisamos agir", escreveu Ana Silva, uma jovem desenvolvedora em Lisboa. "A tecnologia não é o inimigo, o medo é".
As opiniões do setor privado
Empresas como a Novatec, uma startup de tecnologia em Lisboa, estão investindo em programas de formação contínua para seus colaboradores. Segundo o CEO da empresa, Miguel Carvalho, "a formação constante é essencial. A inteligência artificial não é um substituto, mas um complemento".
Por outro lado, sindicatos como a CGTP-NCG têm alertado sobre a necessidade de proteger os trabalhadores. "Precisamos de políticas públicas que garantam que ninguém seja deixado para trás", afirma a representante da CGTP, Sofia Almeida.
O que está por vir?
O Ministério do Trabalho anunciou que vai lançar um novo programa de formação profissional até o final do ano, com foco em áreas afetadas pela automação. A iniciativa, que ainda não tem data definida, será financiada pelo Fundo Social Europeu.
Enquanto isso, os trabalhadores continuam a buscar formas de se adaptar. O estudo de Not Very serve como um alerta: a atitude "agente" é o primeiro passo para enfrentar os desafios do futuro.


