O número de judeus iranianos tem diminuído drasticamente nos últimos anos, com apenas cerca de 8.000 pessoas restantes no país, segundo dados do Centro de Estudos Judaicos de Teerã. Muitos enfrentam pressões políticas, sociais e religiosas, tornando sua existência cada vez mais frágil. A comunidade judaica, que antes contava com mais de 100.000 membros, vive em uma situação única, cercada por tensões entre o regime islâmico e o Estado de Israel.

O declínio da comunidade judaica iraniana

Desde a Revolução Islâmica de 1979, a comunidade judaica no Irã tem sofrido uma série de restrições. Muitos deixaram o país, especialmente após os ataques terroristas de 1990 e 2011, que mataram dezenas de judeus. Hoje, apenas cerca de 8.000 judeus permanecem no Irã, concentrados principalmente em cidades como Teerã, Hamedan e Isfahan. A maioria desses judeus vive em comunidades pequenas e isoladas, muitas vezes sem acesso a instituições religiosas ou culturais judeus.

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A situação é ainda mais complexa por causa das relações entre o Irã e Israel. O regime iraniano, liderado pelo líder supremo Ali Khamenei, considera Israel um inimigo mortal, e isso afeta diretamente a comunidade judaica. Muitos judeus iranianos se sentem pressionados a escolher entre sua identidade religiosa e sua lealdade ao Estado. Alguns optam por deixar o país, enquanto outros tentam manter uma vida discreta, evitando qualquer conexão com Israel.

Pressões sociais e religiosas

A pressão social sobre os judeus no Irã é intensa. Muitos enfrentam discriminação em empregos, educação e até no acesso a serviços públicos. A lei islâmica também proíbe certas práticas religiosas, como a prática do judaísmo em público. Apesar disso, a comunidade judaica mantém sua identidade, muitas vezes em segredo. O rabinato da comunidade, localizado em Teerã, é uma das últimas instituições que preserva a tradição judaica no país.

Além disso, a comunidade judaica enfrenta desafios internos. Muitos jovens se sentem desconectados de sua herança, influenciados por uma sociedade predominantemente muçulmana. A falta de interação com outras comunidades judaicas e a falta de oportunidades para praticar sua religião tornam a vida difícil. O rabi Mozzafar Nematollahi, líder religioso da comunidade, afirma que a sobrevivência da comunidade depende de apoio externo e de políticas mais tolerantes.

Condições de vida e oportunidades

Na cidade de Hamedan, um dos últimos centros judaicos do Irã, a comunidade vive em uma situação precária. A maioria dos judeus trabalha em setores informais, muitas vezes sem direitos trabalhistas. A escola judaica local, que antes tinha mais de 100 alunos, agora tem apenas 15. O abandono da tradição religiosa e a pressão por integração na sociedade muçulmana estão levando à extinção gradual da comunidade.

Apesar disso, alguns membros da comunidade tentam manter sua identidade. A organização iraniana de judeus, conhecida como "Judeus do Irã", trabalha para preservar a cultura e a história judaica no país. No entanto, sua atividade é limitada, e muitos membros enfrentam perseguição por parte do governo.

Implicações para a região e o mundo

O declínio da comunidade judaica no Irã tem implicações políticas e culturais. A presença judaica no país, embora pequena, é um testemunho da história multicultura do Irã. A perda dessa comunidade representa a perda de uma parte importante da história do país. Além disso, a situação dos judeus no Irã reflete a tensão entre o regime islâmico e a identidade religiosa minoritária.

O impacto também é sentido internacionalmente. Organizações judaicas em todo o mundo estão observando a situação com preocupação. A ONU e outras instituições internacionais têm chamado o Irã para garantir os direitos das minorias religiosas. No entanto, até agora, poucas ações concretas foram tomadas.

O que vem por aí?

Os judeus iranianos enfrentam um futuro incerto. Com a pressão crescente e a falta de políticas de proteção, a comunidade pode desaparecer nas próximas décadas. O próximo passo será a criação de um plano de ação internacional para proteger a comunidade judaica no Irã. Organizações como a ONU e grupos de direitos humanos devem aumentar o apoio a esse esforço. A comunidade judaica no Irã precisa de apoio para sobreviver, e a comunidade internacional tem um papel importante a desempenhar nisso.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.