O estudo divulgado pela The Conversation Africa, um veículo de divulgação científica baseado no continente, alerta sobre os riscos e benefícios de programas de plantação de árvores para remover carbono da atmosfera. A pesquisa, publicada em outubro de 2024, analisa como ações aparentemente benéficas podem, em alguns casos, causar danos ambientais. O documento destaca que a eficácia depende de fatores como tipo de vegetação, localização e gestão a longo prazo.
Estudo revela paradoxo ambiental
O estudo, conduzido por especialistas da Universidade de Cape Town, demonstra que a plantação de árvores em áreas naturais pode ter efeitos negativos. Por exemplo, em regiões com solos frágeis ou ecossistemas sensíveis, a introdução de espécies não nativas pode prejudicar a biodiversidade. No entanto, em áreas degradadas, a reforestação pode ser eficaz para restaurar o solo e capturar carbono.
“A resposta não é simples”, afirma Dr. Mpho Molefe, pesquisador da Universidade de Pretória e co-autor do estudo. “É essencial considerar o contexto local para que os projetos sejam sustentáveis e benéficos.”
Contexto e impacto em Portugal
Embora o estudo tenha como foco o continente africano, os seus ensinamentos podem ser aplicados globalmente. Em Portugal, onde há iniciativas de reforestação, especialmente nas regiões do interior, o documento reforça a necessidade de planejamento cuidadoso. O Ministério do Ambiente, em Lisboa, já começou a revisar políticas de plantação para evitar impactos negativos.
“Agora, temos uma base científica sólida para revisar as estratégias de combate às mudanças climáticas”, disse Ana Sofia Ferreira, diretora do Departamento de Ecologia do Ministério. “Não podemos olhar apenas para o número de árvores plantadas, mas sim para a qualidade e o impacto a longo prazo.”
Consequências e lições aprendidas
O estudo aponta que em alguns casos, a plantação de árvores pode reduzir a biodiversidade local. Em áreas com alta densidade de vegetação nativa, a introdução de espécies exóticas pode competir por recursos, prejudicando a flora e fauna existente. O exemplo mais crítico está no sul da África, onde a introdução de eucaliptos em zonas de savana levou à diminuição de espécies nativas.
“É um equilíbrio delicado”, explica Dr. Molefe. “A reforestação pode ser uma ferramenta poderosa, mas precisa ser feita com conhecimento e respeito ao ecossistema.”
Exemplos de projetos bem-sucedidos
- Na região de KwaZulu-Natal, na África do Sul, um projeto de reforestação com espécies nativas resultou em aumento da biodiversidade e na recuperação de áreas degradadas.
- Em Moçambique, iniciativas comunitárias de plantio de árvores frutíferas melhoraram a segurança alimentar e reduziram a pressão sobre florestas naturais.
- No Quénia, a plantação de árvores em zonas degradadas contribuiu para a redução da erosão do solo e aumento da produtividade agrícola.
Próximos passos e o que esperar
Com o estudo publicado, espera-se que governos e organizações internacionais revisem suas estratégias de plantio de árvores. Em Portugal, o Ministério do Ambiente deve apresentar novas diretrizes até o final do ano. Além disso, a The Conversation Africa planeja publicar uma série de artigos para explicar melhor os resultados da pesquisa e como aplicá-los em diferentes contextos.
Os especialistas alertam que, embora a reforestação seja uma ferramenta útil, ela não substitui a redução das emissões de carbono. Ações como a transição para energias renováveis e a eficiência energética continuam fundamentais para combater as mudanças climáticas.


