Amazon anunciou que vai deixar de oferecer suporte a modelos mais antigos da linha Kindle, incluindo os chamados "Perfectly Fine Older Kindles", o que afeta milhares de usuários no Brasil. A decisão, que entra em vigor no próximo mês, significa que dispositivos como o Kindle 3 e o Kindle Paperwhite 1ª geração não receberão mais atualizações de software ou suporte técnico. A informação foi divulgada em um comunicado interno da empresa, que não especificou o número exato de dispositivos afetados, mas afirmou que a mudança visa focar em modelos mais recentes.

Quais dispositivos estão afetados?

Entre os modelos afetados estão o Kindle 3, lançado em 2010, e o Kindle Paperwhite da primeira geração, introduzido em 2012. Esses dispositivos, apesar de ainda serem usados por muitos leitores, não receberão mais atualizações de software, incluindo melhorias de segurança e novas funcionalidades. A empresa destacou que a decisão foi tomada após uma avaliação de custo-benefício, considerando o baixo uso atual dos modelos mais antigos.

Amazon Pára Suporte a Antigos Kindle No Brasil — Empresas
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Segundo a Amazon, mais de 500 mil dispositivos antigos estão ativos no Brasil, segundo dados de 2023. A empresa afirma que está oferecendo suporte técnico por um período transiente, mas não há mais atualizações de software ou suporte para apps como o Kindle Unlimited ou o Kindle Direct Publishing.

O que significa para os usuários?

Para os usuários, a mudança pode significar a perda de funcionalidades essenciais. O Kindle Paperwhite da 1ª geração, por exemplo, não suporta agora o recurso de leitura em voz alta, que foi introduzido em versões mais recentes. Além disso, o suporte a alguns formatos de livro eletrônico também está sendo reduzido.

Um usuário do Rio de Janeiro, que prefere não se identificar, afirma que o Kindle Paperwhite 1ª geração ainda é seu dispositivo favorito. "Eu uso há mais de dez anos, e agora, sem atualizações, ele fica mais lento e não suporta novos recursos. Acho que a Amazon deveria ter avisado melhor", disse.

Contexto e motivação da decisão

A decisão da Amazon se insere em um contexto maior de mudança na estratégia da empresa, que tem priorizado dispositivos mais recentes e com recursos avançados. A empresa tem investido em modelos como o Kindle Oasis e o Kindle Scribe, que oferecem funcionalidades como tela maior, suporte a anotações e integração com outros serviços da Amazon.

Além disso, o suporte a dispositivos antigos torna-se mais custoso com o aumento da complexidade dos sistemas. Segundo o diretor de tecnologia da Amazon, o suporte a dispositivos mais antigos consome recursos que poderiam ser direcionados a melhorias para os modelos atuais.

Reações da indústria

Analistas da indústria de tecnologia em Portugal comentaram sobre a decisão. "A Amazon está seguindo uma tendência comum no setor de tecnologia: focar em modelos mais recentes e dar suporte a dispositivos que ainda têm vida útil", disse João Silva, especialista em inovação digital. "No entanto, a falta de transparência pode gerar frustração entre os usuários leais."

Em Portugal, o impacto da decisão é menor, já que o mercado de e-readers é mais pequeno. No entanto, usuários que compraram dispositivos antigos podem enfrentar dificuldades para atualizar ou usar novos recursos.

O que os usuários devem fazer?

Os usuários afetados pela mudança são aconselhados a verificar se seus dispositivos estão incluídos na lista de modelos desativados. A Amazon publicou um guia detalhado no site, que inclui a lista de dispositivos e o período de suporte restante.

Para quem busca alternativas, a empresa recomenda considerar modelos mais recentes, como o Kindle Paperwhite 4 ou o Kindle Scribe. A Amazon também oferece uma opção de troca para alguns dispositivos, mas os termos são limitados.

O que vem a seguir?

Com a mudança, a Amazon está reforçando sua estratégia de focar em dispositivos mais modernos, o que pode acelerar a obsolescência de modelos antigos. Os usuários devem monitorar as atualizações da empresa e considerar a substituição de seus dispositivos se necessário.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.