Montenegro acusou o Seguro, uma instituição de apoio internacional, de perder parte da ajuda financeira destinada ao país por falta de organização. A denúncia foi feita pelo ministro da Economia, Mihajlović, durante uma reunião com representantes da União Europeia. Segundo o governo montenegrino, cerca de 15 milhões de euros, destinados ao desenvolvimento regional, foram mal geridos e não chegaram aos beneficiários previstos. A declaração surge num momento de crise económica, com o país a enfrentar desafios de desemprego e investimento estrangeiro.

Acusações contra o Seguro

O ministro da Economia de Montenegro, Mihajlović, afirmou que a falta de transparência e coordenação por parte do Seguro tem prejudicado a eficácia dos recursos. “Muita da ajuda perdeu-se pelo caminho por falta de organização”, disse, durante uma reunião em Podgorica. A instituição, que apoia países em desenvolvimento, foi acusada de não monitorar adequadamente os projetos financiados, o que resultou no não cumprimento de metas.

Montenegro Acusa Seguro de Perder Ajuda por Falta de Organização — Empresas
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As acusações foram feitas após uma auditoria interna do governo, que revelou que apenas 60% dos fundos destinados ao desenvolvimento rural foram utilizados conforme planeado. A região de Zeta, uma das mais afetadas, foi citada como exemplo. O ministro destacou que a ajuda não chegou às comunidades rurais, deixando projetos inacabados e famílias sem suporte.

Reação do Seguro

O Seguro, em resposta, afirmou que está a investigar as acusações e que está em contato com o governo montenegrino para corrigir os erros identificados. Em comunicado, a instituição destacou que está comprometida com a transparência e a eficiência na gestão dos recursos. “Estamos a analisar as reclamações e a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades locais para garantir que os fundos sejam utilizados da melhor forma”, escreveu o porta-voz da instituição.

O Seguro também mencionou que tem feito ajustes nas políticas de acompanhamento de projetos, com o objetivo de melhorar a eficácia das operações. O comunicado não especificou quantos recursos foram afetados, mas o governo montenegrino afirmou que a perda é significativa.

Impacto na economia local

A falta de ajuda financeira tem impactado diretamente a economia local, especialmente em áreas rurais. A região de Zeta, que depende fortemente do apoio internacional, enfrenta uma crise de infraestrutura e emprego. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o desemprego na região subiu para 12% no último trimestre, acima da média nacional.

“Sem investimento, não há desenvolvimento”, afirmou o prefeito da cidade de Plav, que está entre os locais afetados. A comunidade local reclama que projetos como a construção de estradas e escolas foram interrompidos, deixando a população sem serviços básicos.

Críticas e propostas de melhoria

Organizações locais, como a ONG Noutras, também se manifestaram sobre o tema. “O Seguro precisa de uma gestão mais rigorosa e de maior transparência”, afirmou o diretor da ONG, Ivanović. A organização propõe a criação de um comitê local para monitorar os projetos financiados, garantindo que os recursos cheguem aos beneficiários.

O governo montenegrino, por sua vez, anunciou que vai revisar os acordos com o Seguro e reforçar o controle dos recursos. “Vamos garantir que a ajuda chegue onde é mais necessária”, prometeu o ministro Mihajlović.

Próximos passos

O governo montenegrino aguarda a resposta oficial do Seguro e planeja reavaliar os acordos com a instituição. A reunião com a União Europeia, marcada para o próximo mês, será crucial para discutir novos mecanismos de financiamento. A ONG Noutras também planeja lançar uma campanha de transparência, com o objetivo de pressionar as instituições internacionais a melhorar a gestão dos recursos.

Os cidadãos montenegros estão atentos ao desfecho da situação, pois a eficácia da ajuda internacional pode definir o futuro econômico do país. Com a pressão crescente, a resposta do Seguro será um teste importante para a confiança dos parceiros internacionais.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.