O Banco de Portugal divulgou dados atualizados que revelam uma subida generalizada das taxas de crédito à habitação em todos os prazos, afetando especialmente os empréstimos a 15 e 20 anos. A medida, que se enquadra na evolução do Euribor, tem gerado preocupação entre os consumidores e o setor imobiliário. A subida foi confirmada em junho de 2024, com o índice médio para empréstimos a 20 anos a atingir 5,2%, o maior nível desde 2008. O ministro da Economia, João Pedro Matos Fernandes, já alertou que a situação pode afetar o acesso ao crédito para famílias portuguesas.

O que está a acontecer com as taxas de crédito?

As taxas de crédito à habitação subiram em todos os prazos, com destaque para os empréstimos a 15 e 20 anos. Segundo o Banco de Portugal, o Euribor a 12 meses, que serve como referência para muitos créditos, atingiu 2,8% em maio, o que contribuiu para o aumento das taxas aplicadas aos clientes. A subida afeta tanto os novos como os renegociados, aumentando o custo mensal dos empréstimos. Em Lisboa, por exemplo, o custo médio de um empréstimo a 20 anos subiu 12% em comparação com o ano anterior.

Banco de Portugal alerta sobre subida das taxas de crédito à habitação — Empresas
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O aumento das taxas de crédito está relacionado com a evolução da inflação e das políticas monetárias da Banca Central Europeia. O Banco de Portugal explica que a subida do Euribor reflete uma maior exigência por parte dos bancos, que estão a reajustar as suas ofertas com base nos custos de financiamento. O ministro Matos Fernandes destacou que o governo está a monitorizar o impacto na habitação, especialmente para as famílias com rendimentos médios e baixos.

O que é o Euribor e por que importa?

O Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa de juro à qual os bancos europeus emprestam dinheiro uns aos outros. É um dos indicadores mais importantes para o crédito à habitação em Portugal. Quando o Euribor sobe, os bancos aumentam as taxas aplicadas aos empréstimos aos particulares. O Euribor a 12 meses, que está a subir, é um dos principais fatores que influenciam as taxas de crédito a longo prazo.

Para os consumidores, o aumento do Euribor significa que os custos dos empréstimos estão a crescer. Um empréstimo de 200 mil euros a 20 anos, por exemplo, pode custar 150 euros a mais por mês em comparação com o ano anterior. Especialistas alertam que a subida do Euribor pode afetar o mercado imobiliário, reduzindo a procura e aumentando a pressão sobre os preços.

Como as taxas afetam Portugal?

O aumento das taxas de crédito está a ter um impacto direto no mercado imobiliário português. Segundo a Associação Portuguesa de Mediadores de Imobiliário (APMI), o número de negócios fechados no primeiro trimestre de 2024 caiu 8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A subida das taxas está a desacelerar a procura de imóveis, especialmente entre os jovens e famílias com rendimentos médios.

As regiões mais afetadas são Lisboa e Porto, onde os preços dos imóveis estão a subir mais rapidamente. Em Lisboa, a taxa média de juro para empréstimos a 20 anos atingiu 5,2%, enquanto em Porto, o valor está em 4,9%. O presidente da APMI, Carlos Mota, afirma que os consumidores estão a adiar as compras de imóveis, o que pode levar a uma ligeira redução nos preços no futuro.

Impacto nas famílias e no setor imobiliário

As famílias estão a enfrentar uma maior carga financeira com o aumento das taxas de crédito. A subida do custo dos empréstimos está a afetar especialmente os que estão a buscar a casa própria pela primeira vez. A Comissão de Proteção do Consumidor (CPC) alerta que muitos clientes não estão a compreender bem os novos custos e estão a contratar empréstimos sem avaliar as suas capacidades.

O setor imobiliário também está a sofrer alterações. Os imobiliárias estão a ajustar as suas estratégias, com muitas a oferecerem descontos e condições mais flexíveis para atrair compradores. No entanto, o aumento das taxas de juro está a gerar incerteza no mercado, o que pode levar a uma redução na atividade no setor.

O que pode acontecer nos próximos meses?

O Banco de Portugal prevê que o aumento das taxas de crédito à habitação continue nos próximos meses, dependendo da evolução do Euribor e das políticas monetárias da União Europeia. A subida das taxas pode levar a uma maior pressão sobre o mercado imobiliário e sobre os consumidores. O governo está a analisar medidas que possam ajudar a mitigar o impacto, como programas de apoio a famílias de baixos rendimentos.

Ao longo de 2024, os consumidores devem estar atentos às novas ofertas de crédito e à evolução das taxas. A Comissão de Proteção do Consumidor recomenda que os cidadãos comparem as condições de diferentes bancos antes de contratarem um empréstimo. O próximo mês de julho será crucial, pois o Banco de Portugal publicará novos dados sobre a evolução do Euribor e das taxas de crédito.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.