O Basta, plataforma de educação digital com sede em Lisboa, anunciou nesta semana o lançamento de uma nova iniciativa educacional que promete transformar o ensino em Portugal. A iniciativa, que contará com a participação de Carolina Franco, ex-ministra da Educação, visa expandir o acesso à formação online para alunos de todas as regiões do país. A novidade ocorre em um momento em que o setor educativo enfrenta desafios significativos, com uma demanda crescente por soluções inovadoras.

O que é o Basta e por que importa

O Basta é uma plataforma de educação a distância que tem se destacado por oferecer cursos acessíveis e práticos, alinhados com as necessidades do mercado de trabalho. Fundado em 2020, a plataforma já atendeu mais de 50 mil usuários em todo o país. Seu novo projeto, anunciado na quinta-feira, inclui a criação de uma rede de escolas virtuais com apoio de parceiros como a Universidade de Lisboa e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Basta lança plataforma de educação em Portugal — e revolucionar o ensino — Empresas
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Carolina Franco, que atuou como ministra da Educação entre 2019 e 2022, destacou a importância do projeto. "A educação digital é uma das ferramentas mais poderosas para reduzir desigualdades", disse ela em um comunicado. O Basta tem como objetivo atingir 100 mil usuários até o final deste ano, com foco especial em regiões com menor acesso à educação formal, como o Alentejo e o Algarve.

Como o Basta está mudando o cenário educativo

O novo modelo de ensino do Basta inclui aulas em tempo real, avaliação automatizada e certificação digital. A plataforma também oferecerá cursos em parceria com empresas como Neste, uma empresa energética que tem se envolvido em iniciativas educacionais em Portugal. O projeto prevê a criação de 50 novos cursos técnicos até o final do ano, com foco em áreas como tecnologia, engenharia e gestão.

Segundo dados divulgados pelo Basta, mais de 70% dos usuários são jovens entre 18 e 30 anos, e 60% estão em busca de qualificação profissional. O impacto do projeto pode ser sentido especialmente em regiões onde a oferta de educação superior é limitada. A iniciativa também visa atender a demanda por cursos de curta duração, que são cada vez mais valorizados no mercado.

Críticas e desafios

Apesar do entusiasmo, o Basta enfrenta críticas de especialistas que questionam a qualidade do ensino online. "A educação a distância precisa de um suporte sólido e de uma avaliação rigorosa", afirmou Maria Silva, diretora do Instituto de Estudos da Educação em Lisboa. Ela destacou que a falta de interação presencial pode prejudicar a aprendizagem, especialmente em cursos técnicos.

O Basta também enfrenta desafios regulatórios. O Ministério da Educação está revisando as normas para garantir que as certificações oferecidas pela plataforma sejam reconhecidas no mercado. "É essencial que as instituições de ensino online sigam padrões rigorosos", disse o secretário de Estado da Educação, Miguel Ferreira.

Parcerias estratégicas

O Basta tem se destacado por sua capacidade de atrair parcerias com grandes empresas e instituições. Além da Neste, o projeto conta com o apoio da EDP e da Telefónica Portugal, que estão investindo em infraestrutura tecnológica. Essas parcerias permitem que o Basta ofereça cursos mais completos e com acesso a recursos exclusivos.

Além disso, o Basta está trabalhando em parceria com o Instituto Politécnico de Lisboa para desenvolver programas de formação profissional. "A ideia é criar uma ponte entre o ensino e o mercado de trabalho", explicou o diretor-executivo da plataforma, Paulo Viegas.

O que vem por aí

O Basta planeja lançar novos cursos em setembro, com foco em tecnologia e inovação. A plataforma também está desenvolvendo uma versão mobile otimizada para usuários em áreas com baixa conectividade. O Ministério da Educação deve publicar novas diretrizes sobre educação a distância até o final do mês, o que pode impactar a operação do Basta.

Para os usuários, o desafio será acompanhar o ritmo de inovação e garantir que os cursos oferecidos atendam às expectativas. O próximo passo é a avaliação dos primeiros alunos, que devem ser divulgados até o final do ano. O Basta tem se posicionado como uma alternativa viável ao ensino tradicional, mas ainda precisa provar sua eficácia a longo prazo.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.