O jornal Bangkok Post, um dos principais veículos de informação da Tailândia, publicou uma série de artigos que geraram reações no mercado financeiro português. Os artigos abordaram as mudanças nas políticas de investimento estrangeiro, especialmente no setor de tecnologia, e destacaram o papel crescente da empresa SG, uma multinacional com sede em Lisboa. A divulgação de novas regulamentações por parte do governo tailandês, que limitam a entrada de capital estrangeiro em setores estratégicos, trouxe inquietação entre investidores portugueses.
O Impacto nas Relações Comerciais
A publicação do Bangkok Post gerou preocupações sobre a continuidade dos investimentos portugueses na região. Segundo o Ministério da Economia de Portugal, a SG, uma empresa de tecnologia que atua em vários países asiáticos, tem mais de 15% das suas operações no Sudeste Asiático. A empresa, que emprega mais de 10 mil pessoas em toda a Ásia, afirma que está revisando seus planos de expansão após as novas medidas do governo tailandês.
“A SG está analisando as implicações das novas regras com a ajuda de consultores locais”, afirmou o diretor de relações internacionais da empresa, João Ferreira. “Nossa prioridade é garantir a continuidade das operações, mas também respeitar as leis locais.”
Reações no Mercado Português
O setor de investimentos em Portugal tem se mostrado cauteloso com as novas medidas. A bolsa de Lisboa sofreu uma queda de 1,2% no dia seguinte à publicação do Bangkok Post. Analistas acreditam que o impacto será maior em empresas que dependem de mercados asiáticos. Segundo a Associação Portuguesa de Investidores, cerca de 20% das empresas listadas na bolsa têm atividades significativas na Ásia.
O ministro da Economia, Miguel Martins, destacou a importância de manter relações comerciais sólidas com a Tailândia. “O nosso objetivo é manter o diálogo com os parceiros asiáticos, garantindo que as regras não prejudiquem o crescimento das nossas empresas”, disse em uma coletiva de imprensa.
Contexto Histórico e Novas Regras
A Tailândia tem adotado políticas mais protecionistas nos últimos anos, especialmente no setor de tecnologia. Em 2023, o governo aprovou uma nova lei que limita o controle estrangeiro em empresas que atuam em áreas consideradas estratégicas. A SG, que opera em setores como inteligência artificial e telecomunicações, foi um dos alvos da legislação.
Além disso, a Tailândia tem se esforçado para reduzir a dependência de empresas estrangeiras, promovendo o desenvolvimento de empresas locais. Segundo o Banco Central da Tailândia, o investimento estrangeiro direto no país caiu 8% no primeiro trimestre de 2024, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Novas Medidas e Reações Locais
As novas regras também geraram discussões no setor privado tailandês. Empresas locais, como a Telenet, uma companhia de telecomunicações, estão buscando parcerias com empresas nacionais para garantir maior controle sobre suas operações. A Telenet, que tem mais de 20% de sua base de clientes em Portugal, afirma que está revisando seus contratos com parceiros estrangeiros.
Por outro lado, algumas empresas estrangeiras estão buscando alternativas. A SG, por exemplo, está analisando a possibilidade de expandir suas operações para o Vietnã, onde as regras são mais favoráveis. “Estamos abertos a novas oportunidades, mas precisamos de estabilidade regulatória”, afirmou o CEO da SG, Carlos Silva.
O Que Vem Por Aí
O próximo passo será a revisão das regulamentações por parte do governo tailandês. A expectativa é que novas regras sejam anunciadas até o final do segundo trimestre de 2024. Enquanto isso, a SG e outras empresas estão mantendo contato com autoridades locais para entender melhor o impacto das novas medidas.
Para os investidores portugueses, o próximo mês será crucial. A bolsa de Lisboa e a Associação Portuguesa de Investidores estarão monitorando de perto as reações do mercado e as possíveis mudanças nas estratégias das empresas. O que acontecer nos próximos dias pode definir o futuro das relações comerciais entre Portugal e a Tailândia.


