Kelvin Nhlapo, presidente do Instituto de Tecnologia e Profissionais de Software da África do Sul (IITPSA), anunciou uma nova direcção para a instituição com o objectivo de alinhar as práticas e normas locais às tendências globais da indústria tecnológica. A iniciativa, anunciada em outubro de 2024, visa melhorar a competitividade dos profissionais sul-africanos no mercado internacional e promover a inovação no setor.

O novo plano de acção do IITPSA

O IITPSA, que representa mais de 15.000 profissionais em tecnologia na África do Sul, está a implementar uma série de reformas para adaptar-se às mudanças rápidas do setor. Nhlapo, que assumiu a liderança em 2023, destacou a necessidade de alinhar as certificações e normas técnicas com padrões internacionais, como os da IEEE e da ISO.

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Entre as medidas, o instituto vai lançar novos programas de formação em inteligência artificial, segurança cibernética e desenvolvimento de software. Além disso, pretende estabelecer parcerias com universidades e empresas tecnológicas no Brasil e na Europa para criar oportunidades de intercâmbio e emprego para os profissionais sul-africanos.

Impacto na indústria tecnológica sul-africana

O novo plano de acção do IITPSA tem potencial para transformar o setor tecnológico da África do Sul, que tem crescido anualmente a uma taxa de 7,5%, segundo dados do Departamento de Tecnologia e Comunicações daquele país. A aliança com instituições internacionais pode atrair investimentos estrangeiros e melhorar a qualidade dos serviços tecnológicos sul-africanos.

Para o ministro da Ciência e Tecnologia da África do Sul, Naledi Pandor, o alinhamento global é essencial para garantir que os profissionais do país possam competir em mercados globais. “Estamos a ver um aumento no número de empresas tecnológicas sul-africanas que operam fora do continente. O IITPSA tem um papel crucial nesse processo”, afirmou.

Desafios e expectativas

A transição para um modelo mais global enfrenta desafios, como a necessidade de formar profissionais com competências atualizadas e a adaptação de políticas internas. Nhlapo reconhece que a mudança exige tempo e recursos. “Não vamos mudar tudo da noite para o dia, mas estamos a construir uma base sólida para o futuro”, afirmou.

Analistas do setor acreditam que o sucesso do IITPSA dependerá da sua capacidade de manter o engajamento dos seus membros e de atrair novos profissionais. Um estudo recente da Universidade de Cape Town mostrou que 60% dos profissionais tecnológicos sul-africanos estão em busca de oportunidades internacionais, o que reforça a necessidade de uma estratégia mais alinhada ao mercado global.

Parcerias estratégicas

Para concretizar a nova direcção, o IITPSA planeja estabelecer parcerias com instituições como a Universidade do Estado de São Paulo (USP) no Brasil e o Instituto de Tecnologia de Lisboa (ITL) em Portugal. Essas colaborações incluem programas de formação conjunta, intercâmbios de estudantes e pesquisas conjuntas em áreas como inteligência artificial e análise de dados.

“A cooperação com instituições internacionais é fundamental para o crescimento do IITPSA e para a formação de profissionais qualificados”, disse Nhlapo. “Estamos a criar uma rede que vai beneficiar tanto a África do Sul quanto os nossos parceiros.”

Novas iniciativas e projectos

O IITPSA vai lançar uma plataforma digital para facilitar o acesso a cursos e certificações. A plataforma, que será lançada em 2025, incluirá conteúdo em português, inglês e africâner, facilitando o acesso de profissionais de diferentes regiões da África.

Além disso, o instituto vai organizar uma conferência anual com a presença de líderes do setor tecnológico de Portugal, Brasil e África do Sul, com o objectivo de promover diálogos e parcerias entre os países.

O alinhamento global do IITPSA representa uma mudança estratégica que pode reforçar a posição da África do Sul no cenário tecnológico mundial. Com a implementação das novas iniciativas, o instituto espera criar um ambiente mais dinâmico e competitivo para os profissionais da área. Os próximos meses serão decisivos para avaliar o impacto desta nova direcção e para traçar o caminho a seguir.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.