No dia 4 de abril, as certificações da IICRC (Institute of Inspection, Cleaning and Restoration Certification) voltaram a ser tema de discussão após a publicação de um relatório que destacou a crescente demanda por serviços de restauração de danos por fogo nos Estados Unidos. A organização, com sede em Chicago, reforçou os padrões de qualidade para profissionais do setor, uma medida que pode impactar empresas em todo o país e, indiretamente, em Portugal.

Novas Normas da IICRC Aumentam Pressão Sobre Empresas de Restauração

A IICRC, que atua há décadas no setor de limpeza e restauração, anunciou atualizações em seus critérios de certificação. As novas regras exigem que empresas de restauração de danos por fogo demonstrem maior expertise em tecnologias de limpeza e gestão de riscos. Segundo a entidade, mais de 80% das empresas certificadas nos EUA precisarão revisar seus processos para atender aos novos padrões.

IICRC Certifications Focam Restauração de Danos por Fogo nos EUA — Empresas
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Essas mudanças estão ocorrendo em um momento em que o número de incêndios em residências e comércios tem subido. De acordo com o National Fire Protection Association (NFPA), em 2023 houve mais de 1,2 milhão de incêndios residenciais nos EUA, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. A pressão por serviços rápidos e eficazes está crescendo, e a IICRC espera que as novas certificações aumentem a confiabilidade do setor.

Impacto no Setor de Restauração e na Indústria de Seguros

As mudanças na certificação da IICRC estão gerando reações no setor de seguros. A empresa de seguros Liberty Mutual, uma das maiores do país, informou que está revisando suas políticas de cobertura para garantir que as empresas que trabalham com eles atendam aos novos critérios. “A certificação IICRC é um indicador de qualidade, e queremos que nossos clientes sejam atendidos por profissionais que sigam os melhores padrões”, afirmou uma porta-voz da companhia.

Além disso, pequenas empresas de restauração estão se questionando sobre os custos de adaptação. Muitas delas já estão investindo em treinamentos e equipamentos mais modernos. “É um desafio, mas é necessário para manter a competitividade”, disse Maria Fernandes, proprietária de uma empresa de restauração em Miami. “Acredito que as certificações vão melhorar a imagem do setor e aumentar a confiança dos clientes.”

Conexões com o Mercado Português

Embora as mudanças sejam principalmente locais, o setor de restauração de danos por fogo em Portugal também pode ser afetado. Muitas empresas portuguesas exportam equipamentos e serviços para os EUA, e a nova regulamentação pode exigir adaptações nos produtos. O Ministério da Indústria de Portugal já iniciou contato com representantes do setor para entender como a mudança pode impactar o comércio bilateral.

“O setor de restauração é um dos que mais cresce em Portugal, e as novas normas dos EUA podem impulsionar inovações no país”, disse o secretário de Comércio Exterior, José Moreira. “Estamos monitorando o impacto e buscando oportunidades para empresas locais se alinharem a esses novos padrões.”

Como as Empresas de Restauração Estão Se Adaptando

  • Investimento em treinamentos técnicos para profissionais
  • Atualização de equipamentos de limpeza e análise de danos
  • Parcerias com instituições de certificação para obter novas credenciais

As empresas que buscam se adequar estão também buscando apoio de associações como a Associação Portuguesa de Restauração de Danos (APRD). Segundo o presidente da APRD, Carlos Silva, a nova regulamentação pode ser uma oportunidade para melhorar a qualidade dos serviços oferecidos no país.

O Que Esperar em 2024

O próximo passo é a implementação gradual das novas normas, com prazos para que as empresas se adaptem. A IICRC estabeleceu um prazo de 18 meses para que todos os certificados sejam revisados. No entanto, o setor espera que a transição seja feita de forma gradual, para evitar sobrecarga em pequenas empresas.

Para os consumidores, a mudança pode significar serviços mais confiáveis, mas também custos elevados no curto prazo. O que está claro é que o setor de restauração de danos por fogo está em movimento, e os próximos meses serão decisivos para entender como as mudanças afetarão tanto os EUA quanto Portugal.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.