O ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, pediu ao Conselho de Segurança da ONU e aos países do Golfo que intercedam para evitar um conflito nuclear entre os EUA e o Irã, destacando os riscos de fallout radioativo em caso de guerra. Amano, que serviu como diretor da AIEA entre 2009 e 2019, fez o alerta durante uma conferência em Doha, no Catar, onde destacou o perigo de um confronto que poderia afetar regiões como o Estreito de Ormuz, um dos pontos estratégicos mais críticos do mundo.
Ex-diretor da AIEA alerta sobre riscos nucleares
Amano destacou que a escalada de tensões entre os EUA e o Irã, particularmente após a morte do general Qasem Soleimani em 2020, pode levar a um conflito que envolva armas nucleares. "O Irã tem capacidade de desenvolver armas nucleares, e ações precipitadas podem levar a uma catástrofe global", afirmou. Ele criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, por ter adotado uma postura "imprudente" em relação ao Irã, chamando-o de "homem louco".
O ex-diretor também destacou a importância do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte de petróleo, e alertou que qualquer conflito poderia interromper o comércio global. "Se o Estreito for fechado, os preços do petróleo subirão drasticamente, afetando economias em todo o mundo", explicou Amano, que defende ações diplomáticas para evitar uma escalada.
Contexto da tensão entre EUA e Irã
A tensão entre os EUA e o Irã tem raízes em décadas de desconfiança, com episódios como o ataque a instalações nucleares iranianas em 2019 e a retirada dos EUA do acordo nuclear de 2015. O Irã, por sua vez, tem desenvolvido programas de enriquecimento de urânio, o que preocupa a comunidade internacional. Amano destacou que, embora o Irã não tenha armas nucleares ainda, seu avanço tecnológico é preocupante.
Além disso, o ex-diretor lembrou que a AIEA tem um papel fundamental na monitoração de atividades nucleares, e que a falta de transparência por parte do Irã dificulta o trabalho da agência. "A confiança é essencial para a não proliferação", afirmou, reforçando a necessidade de diálogo.
Reação de governos e organizações
O Conselho de Segurança da ONU e países do Golfo, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, estão avaliando a situação. Em uma reunião recente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu calma e diálogo. "O mundo não pode suportar outra guerra no Oriente Médio", disse Guterres em uma declaração pública.
Na região do Golfo, especialistas em segurança destacam que o Estreito de Ormuz é uma das áreas mais vulneráveis. "Qualquer interrupção no tráfego marítimo pode causar uma crise energética global", afirmou o analista saudita Ahmed Al-Faraj, que trabalha para um centro de estudos em Riad.
Como a situação pode evoluir
Os especialistas apontam que a próxima semana será crucial, com reuniões de emergência previstas na ONU e discussões entre os países do Golfo. Amano defende que a comunidade internacional deve agir rapidamente para evitar que a situação se torne incontrolável. "O tempo é curto, e o risco de um acidente nuclear é real", afirmou.
Além disso, a comunidade internacional está observando atentamente as ações do Irã. O país tem feito declarações de força, mas também tem mantido canais de diálogo com alguns países. Amano acredita que o diálogo é a única maneira de evitar um colapso total.
Como a crise afeta o mercado global
A crise entre os EUA e o Irã tem impactos diretos no mercado de petróleo. O preço do petróleo subiu 15% nas últimas semanas, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA). "Se o Estreito de Ormuz for fechado, os preços podem subir acima de 100 dólares por barril", afirmou o analista de mercados da IEA, Mark Thompson.
Além disso, a cadeia de suprimentos globais está em alerta. Empresas de transporte marítimo estão reavaliando suas rotas, e o setor de logística está se preparando para possíveis interrupções. Amano destacou que, mesmo sem guerra, a tensão pode ter impactos econômicos duradouros.
O próximo passo será uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, marcada para a próxima semana. Os países do Golfo e os EUA devem apresentar propostas para evitar um conflito. Amano reforçou que, se a comunidade internacional não agir rapidamente, os riscos de uma guerra nuclear podem se tornar realidade. O mundo está de olho no que acontecerá nos próximos dias.


