Carolina Flores, diretora da Agora, lançou uma nova iniciativa em Lisboa com o objetivo de aumentar a transparência nas redes sociais. A medida, que envolve a criação de um novo mecanismo de verificação de conteúdo, foi anunciada em 15 de outubro, durante uma conferência realizada no centro da capital. A iniciativa surge como resposta a crescentes preocupações sobre a disseminação de informações falsas e a falta de regulamentação no setor.
Novo mecanismo de verificação de conteúdo
A Agora, uma organização de tecnologia com sede em Lisboa, apresentou uma nova ferramenta de verificação de conteúdo que será integrada em plataformas de redes sociais. A ferramenta, que será testada em 2024, visa identificar e marcar publicações suspeitas com base em algoritmos de inteligência artificial. A iniciativa é vista como um passo importante para combater desinformação, especialmente em tempos de eleições e crises públicas.
O projeto, que contará com o apoio do Ministério da Inovação de Portugal, terá um orçamento inicial de 1,2 milhões de euros. Marta, uma das responsáveis pela implementação, destacou que a ferramenta será baseada em critérios objetivos, como a origem da informação e a frequência de compartilhamento. "A ideia é que os usuários tenham mais confiança no conteúdo que consomem", afirmou.
Contexto e implicações
Este lançamento acontece em um momento em que o governo português tem debatido a necessidade de regulamentar as redes sociais. Em 2023, o Parlamento aprovou uma lei que exige que plataformas como Facebook e YouTube divulguem dados sobre conteúdos problemáticos. A nova iniciativa da Agora pode complementar esse esforço, oferecendo uma solução tecnológica colaborativa.
Analistas destacam que a transparência nas redes sociais é uma preocupação global. Em 2022, a União Europeia aprovou uma diretriz que exige maior transparência sobre algoritmos e moderação de conteúdo. A iniciativa de Lisboa pode servir como modelo para outras cidades europeias, especialmente aquelas com alta densidade de usuários de redes sociais.
Críticas e desafios
Apesar do entusiasmo, a iniciativa enfrenta críticas. Organizações de direitos digitais, como a Associação Portuguesa de Defesa dos Direitos na Internet (APDDI), alertam que ferramentas automatizadas podem gerar falsos positivos, especialmente em conteúdos de natureza política. "O risco é que a ferramenta, por mais avançada que seja, possa censurar conteúdos legítimos", afirmou um porta-voz da APDDI.
Outro desafio é a aceitação por parte das plataformas. Até agora, empresas como Instagram e Twitter não se pronunciaram oficialmente sobre a iniciativa. "A Agora tem um papel importante, mas a colaboração das grandes redes é essencial", disse um especialista em tecnologia da Universidade de Lisboa.
Como funciona a ferramenta?
- A ferramenta analisa publicações com base em critérios como fonte, contexto e padrões de compartilhamento;
- Conteúdos considerados suspeitos recebem um selo de verificação;
- Usuários podem reportar erros ou solicitar revisão de conteúdo.
O que vem por aí
A Agora planeja iniciar o teste da ferramenta em dezembro, com o apoio de 10 mil usuários em Lisboa. O projeto será avaliado até o final de 2024, com possíveis expansões para outras cidades portuguesas. O Ministério da Inovação pretende acompanhar os resultados para decidir se a iniciativa será estendida a nível nacional.
Para Carolina Flores, o sucesso do projeto depende da colaboração entre tecnologia, governos e cidadãos. "A transparência não é apenas uma questão técnica, é uma responsabilidade coletiva", afirmou. O próximo passo será a divulgação de relatórios de avaliação, que devem ser publicados em janeiro de 2025.


