O regulador australiano de comunicação social, o Australian Communications and Media Authority (ACMA), anunciou que exigirá que plataformas como Facebook e Instagram reforcem as medidas de verificação de idade para proteger menores de 16 anos. A decisão surge após uma série de incidentes em que crianças menores de idade conseguiram acesso a conteúdos inapropriados, levantando preocupações sobre a segurança online.

Novas regras para proteger crianças online

O ACMA, responsável por regular a indústria de comunicação no país, destacou que as plataformas digitais devem melhorar os mecanismos de autenticação para garantir que utilizadores com menos de 16 anos não possam criar contas ou aceder a certos conteúdos. A medida é parte de um esforço maior para combater o cyberbullying e a exposição a conteúdos inadequados para menores.

Regulador australiano exige mais rigor de Facebook e Instagram para menores de 16 — Empresas
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Segundo o regulador, a implementação das novas regras deve ser feita dentro de um prazo de 12 meses. Ações como a verificação de documentos de identidade e o uso de algoritmos avançados para detectar idades suspeitas estão entre as medidas propostas. O objetivo é reduzir o número de menores expostos a conteúdos perigosos, como pornografia, violência e discursos extremistas.

Impacto global e reações das empresas

A decisão do ACMA pode ter impacto global, já que plataformas como Facebook e Instagram operam em todo o mundo. A medida reforça o debate sobre a responsabilidade das empresas tecnológicas em proteger os utilizadores mais vulneráveis. Até o momento, a empresa Facebook não se pronunciou oficialmente sobre a nova exigência, mas fontes próximas indicam que estão a analisar as implicações.

Em Portugal, a legislação sobre proteção de menores na internet é menos rigorosa do que na Austrália. No entanto, o tema tem ganhado destaque nos últimos anos, com debates sobre a necessidade de mais regulamentação. A análise de Facebook em Portugal tem destacado a necessidade de maior transparência e responsabilidade das plataformas digitais.

Contexto histórico e preocupações crescentes

A Austrália tem sido pioneira em regulamentar o uso da internet, especialmente no que diz respeito à proteção de crianças. Em 2021, o país aprovou uma lei que obriga as plataformas a eliminar conteúdos prejudiciais, incluindo os que promovem a automutilação ou o suicídio. A nova medida é uma continuação dessa abordagem mais proativa.

Além disso, o país tem sido alvo de críticas por não ter uma legislação mais rigorosa sobre a proteção de dados e a privacidade dos menores. A nova exigência do ACMA pode servir como modelo para outros países, incluindo Portugal, que têm vindo a debater a necessidade de mais regulamentação na área.

O que se segue e por que isso importa

O próximo passo será a implementação das novas regras por parte das empresas de tecnologia. Se não forem cumpridas, o ACMA pode aplicar sanções, incluindo multas pesadas. Para os utilizadores australianos, isso significa uma maior proteção, mas também pode resultar em maior dificuldade de acesso a certas funcionalidades para menores.

O caso da Austrália destaca a crescente pressão sobre as redes sociais para proteger os menores. Com a evolução das tecnologias e o aumento do tempo que as crianças passam online, a necessidade de regras claras e eficazes torna-se cada vez mais urgente. Para Portugal, o tema é relevante, especialmente considerando o impacto crescente do Facebook no quotidiano dos utilizadores.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.