O preço médio de pacotes de dados móveis em Portugal caiu 12% no primeiro trimestre de 2024, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar da redução, o acesso a internet de qualidade permanece desigual, especialmente em zonas rurais e periféricas. A medida afeta diretamente os cidadãos que dependem de internet para trabalho, estudo e acesso a serviços públicos.

O que está acontecendo com os preços de dados?

De acordo com a análise do INE, os preços médios de dados móveis caíram para 1,20 euros por gigabyte, em comparação com 1,36 euros no trimestre anterior. A redução foi impulsionada por concorrência entre operadores e a entrada de novas empresas no mercado. Apesar disso, muitos cidadãos ainda enfrentam dificuldades para adquirir pacotes acessíveis, especialmente em áreas com pouca cobertura de rede.

Data Preços Caem, Mas Acesso Continua Desigual — Empresas
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As tarifas mais baixas estão disponíveis principalmente em zonas urbanas, onde há maior densidade de infraestrutura. Em contrapartida, em áreas rurais, os preços ainda são mais altos e a qualidade da conexão é inferior. Especialistas apontam que a disparidade é um problema estrutural que exige investimento público e regulatório.

Por que a questão da acessibilidade é importante?

A acessibilidade à internet é crucial para a inclusão digital, que está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico e social. Segundo o Observatório da Sociedade da Informação, mais de 10% da população portuguesa ainda não tem acesso regular à internet, especialmente idosos e pessoas em áreas menos desenvolvidas.

O governo tem se comprometido com a redução das desigualdades digitais, mas a implementação de políticas eficazes tem sido lenta. A falta de investimento em infraestrutura e a falta de políticas de preços sociais limitam o acesso à internet para muitos cidadãos.

Quem está envolvido na discussão?

Operadores como MEO, Vodafone e NOS estão entre os principais responsáveis por oferecer pacotes de dados em Portugal. Eles têm sido pressionados por órgãos reguladores, como a Comissão Nacional de Comunicações (CNC), para adotar práticas mais justas. A CNC também tem promovido campanhas de conscientização sobre o direito à internet como serviço essencial.

Associations de consumidores também estão ativas na defesa de preços mais acessíveis. A Associação de Defesa do Consumidor (ADC) afirma que é necessário que as tarifas reflitam a realidade das pessoas, especialmente em tempos de crise económica.

O que vem a seguir?

Analistas acreditam que a tendência de queda de preços pode continuar, mas a eficácia das medidas dependerá da capacidade do Estado de garantir acesso universal. A CNC está a preparar novas diretrizes para regular o setor e promover maior transparência nos preços.

Além disso, o governo tem prometido investir em infraestrutura de internet para áreas rurais. No entanto, o orçamento disponível e a rapidez na implementação são questões que ainda precisam ser resolvidas. A sociedade civil e o setor privado precisam colaborar para que a redução de preços se traduza em maior inclusão digital.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.