O tempo de espera para cirurgias mais graves em Portugal duplicou nos últimos anos, segundo dados oficiais divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS). A medida, que indica o tempo médio que os pacientes aguardam para serem submetidos a intervenções cirúrgicas consideradas urgentes, revela uma crise no sistema de saúde pública do país. O aumento do tempo de espera afeta diretamente a qualidade de vida dos cidadãos e coloca em causa a eficiência do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O que é Tempo?

Tempo é um indicador utilizado pelo SNS para classificar a urgência das cirurgias. O sistema divide as intervenções em dois níveis: nível 1, para casos mais graves, e nível 2, para situações menos urgentes. A DGS explica que o tempo de espera é calculado a partir do momento em que o médico decide a necessidade de uma cirurgia até o momento em que ela é realizada. De acordo com os dados mais recentes, o tempo médio para cirurgias do nível 1 subiu de 30 dias para 60 dias.

Tempo de espera por cirurgias graves duplica em Portugal — Empresas
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O aumento do tempo de espera é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a escassez de recursos humanos e materiais, a falta de infraestrutura adequada e a crescente procura por serviços médicos. A DGS afirma que o sistema está sobrecarregado, especialmente em grandes centros urbanos, onde a demanda é maior.

Como Tempo afeta Portugal?

O impacto do aumento do tempo de espera é sentido principalmente por pacientes com condições críticas, como tumores, doenças cardíacas e lesões graves. Para muitos, o atraso pode significar piora do quadro clínico, maior risco de complicações e, em alguns casos, até mesmo morte. A Associação Portuguesa de Cirurgia (APC) destaca que o tempo de espera pode ser um fator determinante na recuperação de pacientes.

Além disso, o aumento do tempo de espera também afeta a economia, uma vez que pacientes que não conseguem ser operados em tempo hábil podem ficar afastados do trabalho por mais tempo, gerando custos adicionais para o Estado e para as empresas.

Contexto histórico e evolução do sistema

O sistema de classificação de cirurgias por nível de urgência foi implementado em 2015, com o objetivo de otimizar a distribuição de recursos no SNS. Na altura, o tempo médio de espera para cirurgias graves era de cerca de 20 dias. Ao longo dos anos, o número de pacientes que necessitam de cirurgias aumentou, mas os recursos não acompanharam esse crescimento.

O governo tem realizado investimentos pontuais no setor, mas a maioria dos especialistas afirma que são insuficientes para resolver a crise estrutural. A falta de médicos, a desvalorização do profissional de saúde e a falta de planejamento estratégico são apontados como causas principais do agravamento da situação.

O que está a ser feito?

O Ministério da Saúde afirma que está a trabalhar em novas medidas para reduzir o tempo de espera, incluindo a contratação de mais profissionais de saúde e a reorganização dos centros hospitalares. A DGS também está a promover a utilização de tecnologia para melhorar a gestão de pacientes e otimizar a programação cirúrgica.

Porém, a implementação dessas medidas enfrenta desafios, como a burocracia e a falta de financiamento. A APC e outras associações médicas defendem a necessidade de um plano nacional de saúde mais ambicioso e sustentável, com metas claras e investimentos contínuos.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.